Sudoeste TMN: 4º dia (5/8), com David Guetta e Jessie J [texto + fotos]
Guetta, o rei da noite, Jessie J e Two Door Cinema Club conquistaram as 31 mil pessoas que hoje vieram ao recinto da Herdade da Casa Branca (números da organização). The Vaccines deram um toque rock ao festival.
Chega hoje ao fim a edição de 2012 do Sudoeste TMN, com David Guetta a chamar novamente a si as honras de encerramento. Pelo palco principal vão também passar a estrela pop britânica Jessie J, os Vaccines, Two Door Cinema Club e os californianos Best Coast. Acompanhe aqui a reportagem BLITZ.
PALCO TMN
Best Coast - 19h30
The Vaccines - 20h45
Two Door Cinema Club - 22h10
Meninos do Coro - 23h35
Jessie J - 23h50
David Guetta - 01h30
PALCO GROOVEBOX
DJ Slimcutz B2B DJ D-One - 21h00
Throes + The Shine - 22h10
Balkan Beatbox - 23h10
Dogz United B2B Jamie Boy - 00h45
Nuno Forte B2B Alif - 01h30
DJ Ride - 02h30
Borgore - 03h30
Andy C - 04h45
20h43
- A praia mesmo aqui ao lado e a plateia repleta de festivaleiros com pele morena faz o Sudoeste TMN parecer o cenário indicado para um concerto dos
Best Coast
. Mas para um espetáculo que se esperava "quente", nem foi preciso colocar o protetor solar. Bethany Cosentino e Bob Brunno deram uma prestação monótona e algo desapontante, dada a frescura dos seus álbuns.
O público, que não era muito, ia aproximando-se do palco TMN com curiosidade para ouvir o surf-pop da banda californiana, mas o entusiasmo demonstrado foi pouco. Durante o doce "Crazy For You" quase desejámos que os gatinhos que protagonizam o videoclip desta música entrassem em palco, de forma a tentar extrair algum tipo de reação do público. As pessoas mais divertidas que vimos foram uma criança e o seu pai, que faziam pequena competição de headbanging, aparentemente, e a julgar pela t-shirt da mini-festivaleira, como forma de aquecimento para o concerto de Jessie J.
O discurso pouco cativante da vocalista não ajudava a afastar a "moleza" dos espetadores. No alto da sua coolness, Bethany Cosentino lá ia soltando uns tímidos "Obrigada" entre os temas e, enquanto provava uma cerveja, dizia que estava muito contente por aqui estar.
Mas esta postura low-profile da banda convenceu mais o público a meio do alinhamento. Assim que viu um cartaz com a frase "We Love You, Best Coast", a vocalista esboçou um sorriso e agradeceu com candura. Depois do celebrado "No One Like You", do novo álbum "The Only Place", lançado em maio último, Cosentino resolveu tirar os óculos escuros, algo que ajudou muito na sua comunicação com o público. Músicas como "How They Want Me To Be", escrita com "Seinfeld" em mente, "Let's Go Home" e "Our Deal" ganharam outro fôlego e a líder do duo pareceu estar mais à vontade - e faladora - com o seu público. "É muito bom estar longe de casa e ouvir pessoas de outra nacionalidade a cantarem as nossas letras." O público apreciou este "mimo" e até ao final do espetáculo dançou e cantou como nunca antes.
O favorito "Boyfriend" encerrou o concerto dos Best Coast que apesar de, ao longo alinhamento, ter crescido em termos de aceitação, esteve longe de ser um espetáculo memorável.
21h52
- A preencher a quota rock desta edição, os londrinos
Vaccines
deram provavelmente o concerto mais enérgico que vimos no palco principal do Sudoeste TMN 2012. Com novo álbum em mãos - sai para as lojas no início de setembro -, o quarteto juntou num alinhamento acelerado e feroz temas como "No Hope", o primeiro single de
Come of Age
logo a abrir, ou os já sobejamente conhecidos "Post Break-Up Sex", "Wreckin' Bar (Ra Ra Ra)" e "If You Wanna", que, obviamente, conseguiram arrancar palmas entusiastas ao público (algum dele encolhido com o frio).
A postura simpática de Justin Young - "é bom estar de volta a Portugal", gritou antes de atacar "Post Break-Up Sex" - e a energia demonstrada pelos companheiros, chegou para aquecer alguns ânimos, mesmo naqueles temas que, como a belíssima balada "Wetsuit", pediam isqueiros. Do novo disco, ouvimos ainda um "Teenage Icon" com o pé no acelerador, um "Ghost Town" que promete tornar-se um dos favoritos ao vivo e "Bad Mood", que ajudou "Noorgard" a encerrar o concerto em beleza.
23h29
- O fenómeno
Two Door Cinema Club
continua a ser uma certa incógnita para nós, mas depois desta noite conseguimos pelo menos perceber que o sucesso da banda irlandesa está especialmente ligado a uma certa classe social em abundância na edição deste ano do Sudoeste TMN. As músicas são pegadiças, sem dúvida, mas, no concerto de hoje, ao fim de três ou quatro temas pareceram-nos todas demasiado iguais entre si (e neste momento, lembramo-nos que já tínhamos ficado com essa sensação na edição do ano passado do festival Paredes de Coura).
Perante uma plateia bem mais composta que a que assistiu aos concertos dos Best Coast e dos Vaccines, os Two Door Cinema Club foram debitando as suas composições gingonas, dançáveis até mais não, até saírem de palco com pose de quem ganhou a noite. E venceram. A reação foi bem entusiasta e grande parte do público parecia saber de cor as letras de temas como "Something Good Can Work", "Costume Party" ou "What You Know".
O concerto serviu também para a banda apresentar algumas canções de
Beacon
, o segundo álbum, com edição marcada para breve - "Wake Up" e "Settle" foram bem recebidas, mas "Come Back Home" (provavelmente o tema que sai mais do registo típico dos Two Door Cinema Club) e, a finalizar, "I Can Talk" (que serviu de banda-sonora à campanha publicitária do verão passado do patrocinador principal do Sudoeste) foram os momentos que levaram todos à loucura. O regresso acontecerá em breve, prometeu o vocalista Alex Trimble.
01h04
- A dez minutos de começar o concerto de
Jessie J
, enquanto os fãs ansiosos gritavam a plenos pulmões o nome da cantora, ouvíamos alguém atrás de nós perguntar "Esta é tipo Lady GaGa, não é?" As comparações entre cantoras pop é recorrente. Nas suas músicas, Jessie J pisa terrenos que podiam pertencer a Rihanna - "Do It Like a Dude" foi escrito com a cantora dos Barbados em mente - ou Katy Perry - "Who's Laughing Now" assentava que nem uma luva à autora de "Firework". Mas a Jessie J que hoje vimos no Sudoeste TMN foi uma artista com identidade própria e carisma. Muito carisma.
O single que apresentou a cantora ao mundo, o já referido e poderoso "Do It Like a Dude", abriu o espetáculo e Jessie J defendeu-o de forma exímia. Enquanto a sua voz brilhava por entre os versos, a cantora dançava, imprimia o vigor da letra na sua expressão facial, ajoelhava-se aos pés do seu guitarrista e imitava os seus acordes. A presença em palco da britânica é frenética. Era difícil escapar à boa disposição de Jessie J em temas como o animador "Rainbow", ou "Stand Up", aqui misturado com "One Love" de Bob Marley. Mas o rei do reggae não foi o único artista com temas revisitados pela cantora. "Climax" de Usher inspirou-a porque associa a letra a uma relação amorosa infrutífera, e "Never Too Much" de Luther Vandross, que sirvou de introdução ao enérgico "Abracadabra", relembra-lhe a sua infância com a família.
Apesar da pop ser o género mais associado a Jessie J, a sua voz transpira R&B e soul. Provas disso são as músicas "Who You Are", o momento mais emotivo da noite, e "Nobody's Perfect", uma das nossas favoritas e na qual as acrobacias vocais da cantora levaram o público ao delírio. O seu espírito livre tornou este espetáculo o mais divertido de todo o festival. As provocações ao público foram uma constante, através de frases como "Quem é que me quer como namorada?", ou "Mostrem-me o quão alto cantam. Inclusive tu, rapaz com o chapéu de cowboy."
Jessie J e a plateia estavam rendidas uma à outra. Esta cumplicidade esteve sobretudo presente nos estrondosos sucessos "Price Tag", "Laserlight", produzido por David Guetta - com quem a cantora se cruzou nos bastidores, mas que não compareceu em palco - e "Domino". Mas parece que nem toda a gente estava sintonizada na mesma "estação" que Jessie e os seus fãs. Durante a performance de "Domino", último tema do alinhamento, Jessie J interrompeu os seus músicos e parou de cantar porque estava a ver dois rapazes à luta. "Não canto com pessoas a lutarem nos meus espetáculos", disse. Jessie J desceu da plataforma que tinha em cima do palco, aproximou-se da zona onde estavam os ditos rapazes, apontou-lhes o dedo e deu-lhes um raspanete. "Parem já com isso. E acreditem no amor, ok?" O público aplaudiu em massa esta atitude e quando os ânimos se acalmaram, Jessie J recomeçou a cantar o mesmo tema, não sem antes lançar um último aviso: "Estou a ver-vos!" E estava mesmo. Durante o segundo take de "Domino", a cantora monitorou o público de uma ponta à outra, certificando-se que nada atrapalhava a diversão dos momentos finais do seu espetáculo.
Respondendo à pergunta que iniciou este texto, Jessie J não é Lady GaGa. Ainda não atingiu o seu estatuto. Mas este concerto não deixou dúvidas: a britânica tem as características certas e exigidas a uma grande artista pop à escala global. E acreditando na promessa que a cantora fez durante o concerto - "Nunca vou parar" - com certeza vamos voltar a ver Jessie J em Portugal e esperemos que seja em breve.
02h06
-
David Guetta
está neste momeno a provar no palco do Sudoeste TMN que se mantém alto no Olimpo dos DJs mais bem-amados pelos portugueses. O artista francês conseguiu atrair, como prevíamos, a maior enchente da edição de 2012 do festival num momento em que os seus sets são já uma sucessão de êxitos com a sua assinatura. Passaram-se largos minutos desde o início da atuação até conseguirmos distinguir um tema que não tivesse o seu cunho, coisa que não aconteceu em atuações passadas neste mesmo espaço.
Entre fogo-de-artifício, chuva de confetti, jatos de fumo e de fogo - para a festa ficar completa - Guetta saltou entre o sucesso mais recente, um "Titanium" na sempre maravilhosa voz de Sia (que se ouviria ainda, mais à frente, em "Wild Ones", de Flo Rida, e no novo single em parceria com Guetta - segundo o músico, apresentado pela primeira vez em Portugal), e as glórias de um passado ainda bem recente, como "Gettin' Over You" ou "Love is Gone". Mesmo com o ecrã LED avariado e sem bailarinos a acompanhá-lo, o francês conseguiu, novamente, tornar esta sua passagem pela Herdade da Casa Branca num triunfo.
"Sudoeste, estou tão feliz por estar de volta. Estão prontos?", gritou no início. A resposta não deixou dúvidas: a multidão estava pronta para segui-lo, mesmo que decidisse saltar de uma ponte. Ou então, até ao final da festa. Da mesma forma como, há alguns anos, estaria pronta para seguir os Daft Punk ou os Chemical Brothers, que fizeram levantar muito pó deste chão em edições anteriores do festival. Ah, e agora que estamos mesmo a despedir-nos, acabaram de ecoar pelo recinto a voz de Chris Martin, dos Coldplay, numa remistura de "Fix You" e "Apologize", dos One Republic. Até para o ano.
Textos:
Mário Rui Vieira
e
Pedro Barbosa da Silva
Fotos:
Rita Carmo/Espanta Espíritos