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Sudoeste TMN: 3º dia (4/8), com The Roots e Xutos & Pontapés [texto + fotos] -

Sudoeste TMN: 3º dia (4/8), com The Roots e Xutos & Pontapés [texto + fotos]

Roots assinaram concerto irrepreensível, Thievery Corporation tiveram direito a enchente no palco secundário. Segundo a organização, estiveram 28 mil pessoas no recinto esta noite.

Depois de ontem Eddie Vedder ter atraído mais de 30 mil pessoas ao Sudoeste TMN, hoje é a vez dos Roots subirem ao palco. Antes, atuam os Xutos & Pontapés e os britânicos Ting Tings. A noite também é forte no palco eletrónico, com os Thievery Corporation, Four Tet e Orelha Negra a marcarem presença. Siga aqui a reportagem BLITZ em atualização permanente.

PALCO TMN

Calle 13 - 19h45 
The Ting Tings - 21h00 
Meninos do Coro - 00h30 
Xutos & Pontapés - 22h45 
The Roots - 00h30 
Gorillaz Sound System - 02h30

PALCO GROOVEBOX

Mary B - 19h55 
Orelha Negra - 20h50 
Thievery Corporation - 22h10 
Four Tet - 23h40 
Freshkitos - 01h10 
Daze Maxim - 02h15 
Expander - 03h15 
Jani Krueger & Vera - 04h30

PALCO MEO REGGAE BOX

Chapa Dux - 20h00 
Little Roy - 21h45 
Jah Mason, Fantan Mojah and the Dub Akom Band - 23h30 
Overproof Soundsystem - 01h20


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19h49 - Os porto-riquenhos Calle 13 estão neste momento a dar início à primeira atuação do terceiro dia do Sudoeste TMN. No recinto, tudo parece calmo, apesar do estardalhaço habitual das diversões proporcionadas pelos patrocinadores do festival (ontem, a fila para a pista de dança elevadiça, que terá com certeza a melhor vista para a Herdade da Casa Branca, esteve sempre bem concorrida).

20h43 - Quando Calle 13 entraram no palco TMN, o público ocupava pouco mais que as duas primeiras filas deste espaço. Esta fraca adesão inicial não fazia jus ao percurso notável da banda com mais Grammys Latinos da história destes prémios. Até à data, Calle 13 conquistaram dezanove estatuetas. No entanto, o público presente revelou-se caloroso à chegada dos porto-riquenhos, contagiando uma nova massa de festivaleiros curiosos que entretanto resolveu "juntar-se à festa".

Letras com um forte cariz de intervenção social como "Baile de Los Pobres" entusiasmaram a audiência que aplaudia e dançava freneticamente versos como "Tu la vives facil y yo me fajo, tu sudas perfume, yo sudo trabajo." O espírito contestatário das canções da banda foi muito apreciado pela audiência, que sorria e imitava o erguer do dedo do meio do vocalista, Residente, direccionado aos "governantes e políticos". Calle 13 não se inibem de "falar sobre tudo" e talvez por isso tenha surgido no alinhamento o tema "Ven y Criticame", dedicado "às rádios que são uma merda."

Mas apesar das músicas carregadas de mensagens relevantes e incendiárias sobre temas como sexo, política e religião, Calle 13 não exaltaram a revolta no Sudoeste TMN, mas antes divertiram - e muito - o público. Olhávamos em volta e o que mais víamos eram pessoas a dançar ao sabor de uma cerveja, ou com a bandeira de Porto Rico nas costas. Pelo meio houve tempo para uma viagem à Colômbia, mais precisamente ao tema "Gordita", que a banda gravou com Shakira, aqui representada pela irmã do vocalista, Ilena Cabra, aka PG-13. A jovem ainda tentou imitar a inimitável dança do ventre da colombiana. Mas o que mais nos agradou foi mesmo a sua voz, cuja textura carnal nos fez pensar no passional flamenco.

Fechando com o arrebatador "Atrevéte-te-te", Calle 13 deram um espantoso concerto de abertura, dando assim continuação ao notável legado deixado pelos restantes espetáculos que, até agora, inauguraram os anteriores dias do festival.

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22h11 - Os ingleses Ting Tings acabaram de dar um concerto enérgico mas que não chegou a aquecer os ânimos num dia que se está a revelar bastante fresco. O recinto está visivelmente mais vazio que ontem e foram poucos os que se concentraram frente ao palco principal para ouvir Katie White e Jules De Martino. A concorrer diretamente com os portugueses Orelha Negra, que atuavam no espaço Groovebox, os Ting Tings terão saído a perder, já que a tenda do espaço secundário encheu mas a moldura frente ao principal nunca chegou a ficar realmente composta.

Apresentando um leque de canções de tendência urbana - a fusão entre uma pop forte em guitarras e um hip-hop mal assumido tornou-se uma marca da banda - White e De Martino nunca desistiram de puxar pelo público, mas este, apesar de ter dançado e saltado, nunca se soltou verdadeiramente. Os pontos altos da atuação foram, como esperado, os dois maiores êxitos do primeiro álbum, "Shut Up and Let Me Go" e "That's Not My Name", sabiamente guardado para o encerramento do concerto.

Durante a apresentação de "Hit Me Down Sonny", White desceu ao fosso, mas o entusiasmo com que foi recebida não foi muito e quando a dupla decidiu que queria transformar o recinto numa gigantesca pista de dança, com a versão remisturada de "Hands", só pode ter ficado frustrada: a inércia não era total mas a reação não foi propriamente esfuziante. No final, a cantora saiu de palco com a bandeira portuguesa na mão, mas diríamos que este não terá sido um concerto memorável para os Ting Tings. Será que o foi para alguém?

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22h30 - Apesar de se terem estreado como Orelha Negra apenas em 2010, Sam The Kid, Francisco Rebelo, João Gomes, Fred e DJ Cruzfader já têm uma vasta legião de seguidores, que hoje lotou o palco Groovebox do Sudoeste TMN. Os projetos paralelos, a solo ou em grupo, podem ter chamado a atenção para este novo coletivo de músicos, mas os Orelha Negra já conquistaram um lugar especial no mundo da música. O seu hip-hop instrumental apareceu como uma lufada de ar fresco que o público apreciou e cuja recetividade impressionou, inclusive, os integrantes do projeto. Os Orelha Negra viram ser-lhes aberta uma perspetiva de carreira inesperada, tal como revelou Francisco Rebelo à edição de agosto da BLITZ.

No festival da Zambujeira do Mar, os Orelha Negra foram acompanhados de uma iluminação que ofuscava os seus rostos e dava destaque aos verdadeiros protagonistas deste coletivo: os instrumentos. Um concerto como o de hoje, sem pausas entre as músicas, poderia ter levado o público a sentir-se pouco inspirado pela falta de interação dos Orelha Negra. Mas, ao final de cada tema, a audiência mostrava-se cada vez mais entusiasmada, aplaudindo e assobiando, em sinal de agrado, até à exaustão. Músicas como o sedutor "Since You've Been Gone", "M.O.P", de Ante-Up, ou "Heartbeat", de Nneka, foram alvo de ovações emotivas da plateia. A presença de temas de outros artistas foi, aliás, uma constante neste espetáculo. Ao longo da cerca de uma hora de atuação, ouvimos samples de Jackson 5, Kanye West ou Busta Rhymes.

Os Orelha Negra mostraram hoje o porquê da sua singularidade ser tão atrativa para o público português. "Projetaram algo diferente no hip-hop. Transformaram-no num projeto de banda, com elementos vindos de outros géneros musicais", confidenciou à BLITZ um espetador rendido, referindo-se ao jazz, soul e funk impresso nos temas dos músicos. A julgar por esta receção, parece-nos que os Orelha Negra vieram mesmo para ficar.


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23h04 - Os Thievery Corporation atraíram ao espaço Groovebox a maior enchente que vimos naquele espaço este ano. O projeto baseado em Washington fez a festa com um leque de convidados vocais que esteve à altura da ocasião, instigando a audiência a participar num concerto cheio de momentos interativos, com muitas mãos no ar e palmas a celebrar o verdadeiro cocktail de eletrónicas, com pitadas de reggae, dub, ritmos indianos e latinos.

"Vampires", dedicada aos políticos "sugadores de sangue", a muito aplaudida "The Heart's a Lonely Hunter", gravada com contribuição vocal de David Byrne, "United Tribes" (que exigiu punhos no ar), e o groove intenso de "The Richest Man in Babylon" foram as canções mais celebradas da noite. A atuação dos Thievery Corporation foi um dos grandes triunfos da noite, até agora, tendo deixado o público completamente rendido.

Quando Kieran Hebden, o homem por trás do projeto Four Tet , entrou em palco, eram muito poucos aqueles que se encontravam no espaço interior da tenda. Apesar da debandada geral - os Xutos tocavam no palco principal -, o músico defendeu sozinho, e bem, como sempre, as batidas densas e contagiantes, adornadas por ambientes misteriosos que, aos poucos, foram fazendo dançar as poucas pessoas presentes.

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00h07 - A longevidade e adoração do público português por Xutos & Pontapés impõe respeito. Com trinta e três anos de carreira, a banda de Tim, Zé Pedro, Kalú, João Cabeleira e Gui ainda é capaz de levar cerca de 28 mil pessoas aos seus concertos e fazê-las vibrar. Os "culpados" por esta receção de braços abertos, ou cruzados em x, são os incontornáveis sucessos da banda, que já fazem parte da história do rock'n'roll nacional.

E o que não faltou neste concerto foram histórias para partilhar. Durante praticamente todos os temas que compuseram o alinhamento, Tim revelou pequenas curiosidades sobre os mesmos. Seja o facto de o clássico "Conta-me Histórias" ter sido a primeira canção de amor dos Xutos, ou que "Vossas Excelências", dirigida aos "senhores ministros e vereadores", lhes tenha sido "ensinada pelos titãs do outro lado do Atlântico".

Mas voltemos aos sucessos. É muito difícil temas como "Homem do Leme", "Ai a Minha Vida", "Chuva Dissolvente", ou "Minha Casinha" faltarem à chamada para os concertos de Xutos & Pontapés. Assim que estas músicas se fizeram ouvir na Herdade da Casa Branca vimos moches, sorrisos largos e ouvimos gritos estridentes. Não nos surpreende que o apreço pelo coletivo de Tim atravesse muitas e diferentes gerações. Todos os membros do grupo têm o mesmo carisma de antigamente e que ainda se mantem atual. Só numa banda emblemática como Xutos & Pontapés é que um baterista, Kalú, assume as rédeas de um tema, "O Tonto", apenas acompanhado por um guitarrista, Zé Pedro, e recebe a mesma ovação que um vocalista.

O que é que este concerto de Xutos & Pontapés teve de diferente de outros? Aparentemente, nada. Mas, como nos disse um festivaleiro, "Xutos são Xutos". E mesmo depois de muitos dos presentes já terem perdido a conta às vezes que viram a banda ao vivo, enquanto Xutos & Pontapés forem capazes de, ao final de um alinhamento de dezoito músicas, conseguir arrancar os habituais "Só mais uma", os palcos deste país vão continuar a ser a sua residência habitual.

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02h07 - Cabe tudo num concerto dos Roots . O projeto em que todos os elementos são potenciais superstars - a descontração e carisma de cada um é contagiante (confessamos que tivemos de nos controlar para não perder demasiado tempo a tentar encontrar o pente no cabelo de Questlove) - assinou uma atuação vibrante, de hora e meia, e provou por que razão merece ser o nome mais alto de um cartaz que não prima propriamente pela coerência (juntar os Ting Tings, os Xutos & Pontapés e os Roots é obra).

Com um Black Thought em topo de forma - o MC puxa tanto pelo público como pelos colegas - os Roots começaram por homenagear Adam Yauch, elemento dos Beastie Boys falecido em maio passado, mas rapidamente submergiram em temas do seu repertório, como um "The Fire" igualmente entusiasmante sem John Legend, "Break You Off" ou "You Got Me" (aqui, confessamos, sentimos alguma falta da voz doce de Erykah Badu).

E porque fazem tudo em grande estilo, os Roots transformam a gigantesca tuba no instrumento mais excitante que vimos subir ao palco esta noite: Damon "Tuba Gooding Jr." Bryson protagonizou um dos solos mais mexidos do concerto, mas foi Captain Kirk Douglas que mais aplausos recebeu, especialmente quando liderou a banda numa versão de "Sweet Child O'Mine", dos Guns N' Roses, momento em que percebemos que, para o público - em bem maior número do que tínhamos pensado - tanto fazia ter em palco os Roots ou uma "banda de covers".

Ainda falando de versões, ouvimos também um excerto de "Careless Whisper", de George Michael, pela voz do guitarrista, e, momentos antes, uma abordagem a "Jungle Boogie", dos Kool & The Gang. Entre o jazz-rap e apontamentos reggae, os Roots seguiram o seu caminho até desembocar em "The Seed (2.0)", aquilo que de mais perto têm de êxito radiofónico. Isto depois de terem até tocado o tema do genérico do talk show de Jimmy Fallon, programa do qual são a banda de apoio. "We love you" foram algumas das últimas palavras a sair da boca de Black Thought. Se o amor é correspondido pelo público que hoje acorreu à Herdade da Casa Branca, temos as nossas dúvidas, mas isso não macula, de forma alguma, um concerto irrepreensível.

02h55 - Gorillaz, a banda criada por Damon Albarn e Jamie Hewlett, apresenta-se neste momento no palco TMN mas em formato DJ set. Intitulado Gorillaz Sound System , este projeto é composto por um percussionista, baterista, diretor visual e, como não poderia deixar de ser, um DJ.

Um longo pano preto cobre todos os elementos do coletivo, com vista a projetar nele várias imagens animadas dos bonecos que compõem a formação original de Gorillaz. No entanto, esta componente audiovisual revela-se pouco eficiente no espaço mais próximo do palco, ganhando vida apenas nos ecrãs gigantes e a largos metros de distância do local onde a banda toca. Talvez seja por isto que o público se manteve apático durante boa parte da setlist. Só quando se fizeram ouvir hits como "Feel Good Inc.", "Clint Eastwood", ou "I Want You Back", dos Jackson 5, é que a plateia decidiu pôr os pés em movimento e dançar. Mas sem grande entusiasmo, diga-se.

Textos: Mário Rui Vieira e Pedro Barbosa da Silva
Fotos: Rita Carmo/Espanta Espíritos

Notícia escrita por MRV Sábado, 4 de Agosto às 18:33
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