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Não é um álbum pop, não tem nada de amigável, não tem vocalizações.
Nenhuma composição formato-canção para conquistar ouvidos alheios.
São texturas oníricas sintetizadas sobre matérias desconfortáveis.
Mesmo sem imagens a acompanhar, a música é suficientemente envolvente e fria para apresentar a dimensão irresistível do sobrenatural.
Vampyr é a banda sonora original composta por Steven Severin para o filme com o mesmo nome de Carl Theodor Dreyer, de 1932. Um perturbante conto de medo e obsessão.
Vagamente baseado no conto Carmilla de Sheridan Le Fanus, que em 1872 definiu o género, antecedendo Dracula de Bram Stoker em 25 anos - Vampyr segue as desventuras de Allan Gray, um jovem estudante do oculto. A meio da noite, Gray recebe um misterioso visitante nocturno que deixa um embrulho com a etiqueta "Para ser aberto após a minha morte". A partir de então, os acontecimentos tornam-se cada vez mais sombrios e estranhos.
Filmado numa estética de filme mudo, apesar de pertencer à era do sonoro - e um ano após Bela Lugosi ter feito o Dracula da Universal Pictures - Vampyr é uma visão alternativa ao vampiro cinematográfico (hoje em dia completamente perdido), que cria uma atmosfera intensa, de pesadelo, e assombra a mente mesmo bastante depois de as luzes se acenderem.
Vampyr conclui a trilogia Music for Silents iniciada em 2009 por Severin, sucedendo a Le Sang d'un Poet, de 2010. Outro ciclo que se completa.
Estes trabalhos encontram-se a anos-luz de distância dos já longínquos dias de baixista do membro-fundador de Siouxsie and the Banshees. Apesar disso, são consequência directa de todo um percurso musical que se cruzou ao longo do tempo com nomes como John Cale, Alan Moore, Lydia Lunch, Marc Almond, Jarboe, Merce Cunningham, Robert Smith e Tiger Lillies, entre outros.
Neste álbum pode ouvir-se, e voltar a temer-se, a névoa nocturna.
http://www.stevenseverin.com/
http://www.coldspring.co.uk/new_releases.php
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