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Marés Vivas TMN 2012: reportagem do 3º dia (20/07), com Billy Idol, Gogol Bordello e Os Azeitonas [texto + fotogaleria] -

Marés Vivas TMN 2012: reportagem do 3º dia (20/07), com Billy Idol, Gogol Bordello e Os Azeitonas [texto + fotogaleria]

25 mil pessoas (números da organização) voltaram aos anos 80 com os êxitos de Billy Idol. Gogol Bordello transformaram Praia do Cabedelo numa "colónia balcânica".

Com a sexta-feira, o público do Marés Vivas aumenta em abrangência. O recinto enche de gente com idades, estilos, proveniências e gostos muito diferentes entre si, alimentados por um cartaz que "vai a todas". E quando se diz que o recinto encheu não é força de expressão. Nos intervalos houve alturas em que a circulação mais parecia um jogo de peças, com os espectadores a precisarem de negociar bem os movimentos com tinham à sua volta. Lotação esgotada, portanto.



No entanto, sendo ainda um dia de trabalho, esse movimento só se começou a notar à hora de jantar. Antes disso, Ebony Bones teve de se contentar com a gente que tinha à sua frente, que não era muita. Mas nem por isso desanimou. Fartou-se de recorrer ao truque "make some noise", mas sem se esquecer do nome da cidade (vizinha), o que matematicamente resultou num "make some noise, Porto" (e aqui talvez não ficasse mal recorrer a uns pontos de exclamação porque o resultado foi sempre positivo).



Quanto à música, os temas vieram bem mais crus do que no disco, o que quer dizer que a toada tribal prevaleceu. No resto, aquele punk funk que se lhe conhece, bem embalado, sintético e contagiante. Começou com "W.A.R.R.I.O.R" e a partir daí seguiram-se os temas que em 2009 a puseram no centro das atenções, como "We Know All About You", "Story of St. Ockwell" e "In G.O.D. We Trust (Gold, Oil & Drugs)".

Mas não se pode falar de um concerto de Ebony Bones sem destacar o aparato teatral. Porque ele existe um pouco por todo o lado, desde as coreografias dos dois percussionistas às suas máscaras equídeas, passando pela fita adesiva na cara do teclista e a agitação constante da mulher que dá nome ao projecto. Às tantas, lança a sua provocação mais conseguida, que é uma coreografia com o público em que põe toda a gente a andar para os lados, frente e trás, sob um ritmo de academia de samba electrocutada.

E também não é possível esquecer as mudanças de roupa, uma das quais servindo para introduzir o momento mais calmo do concerto, com uma versão de "Enjoy the Silence", dos Depeche Mode, e o novo tema "Mystery Babylon Balloon". À despedida, Bones aconselhou a multidão a não beber se estivesse a conduzir. Mas voltou ao palco, sem que ninguém esperasse, para repetir a brincadeira aeróbica dos passinhos nas várias direcções. Resultou ainda melhor. Comentário de um espectador no final sobre os dois percussionistas com máscaras de cavalo: "Olha que os cavalos eram muito bem treinados".

Os segundos ocupantes do palco principal foram Os Azeitonas , tendo a assistência cantasse temas seus durante a espera. Esta foi a terceira vez consecutiva que a banda atuou no Marés Vivas, mas a primeira à frente de tanta gente. Lá para o meio, Nena disse qualquer coisa como "neste palco é mais difícil", para depois começar a cantar como se estivesse em casa. Ou seja, a banda não pareceu ressentir-se com o peso da responsabilidade. Dez anos de actividade deram-lhes o traquejo suficiente para não fraquejar.



Por ironia do destino, a honra foi-lhes concedida num festival com vista para os locais onde a carreira da banda começou. A entrada em palco fez-se com uma voz off que os apresentou num registo entre o programa radiofónico da década de 50 e o tema de O Preço Certo , e estavam todos vestidos a rigor. Eram dez e encheram o cenário, não faltando um painel luminoso com o logótipo da banda.

Neste formato, as coisas ficam ali entre o cabaret e o casino, num equilibrismo voluntário que Os Azeitonas sempre gostaram de praticar. O primeiro sucesso a aparecer foi "Salão América", seguindo-se "Dança Menina Dança" e "Mulheres Nuas", este último com um incentivo de Marlon para que fossem atirados sutiãs para o palco, o que não aconteceu. "Quem És tu Miúda" teve a reacção que se esperava, com muitas vozes do público a entrar em casting.

Um dos momentos mais ansiados aconteceu quando Nena cantava "Nos Desenhos Animados": Rui Veloso entra na canção com um solo de guitarra e canta os últimos versos, chegando a "patinar" num deles. Seguiu-se um tema do convidado especial, "A Paixão", o momento YouTube do concerto. E depois uma versão bluesada de "Um Tanto ou Quanto Atarantado", que também teve direito a human beatbox e rap de Marlon. O concerto terminou com o tema do momento, "Anda Comigo Ver os Aviões".

Há muito tempo que não se ouvia falar de Billy Idol . Muito mesmo. Por isso, a dúvida era saber se, em termos de Marés Vivas, esta visita do passado ia ser um desastre como o dos Doors ou uma surpresa como a dos Scorpions (sim, lá do fundo dos azeites os Scorpions conseguiram arrancar um excelente concerto em 2009). Pois bem, não foi nem uma coisa nem outra. Ficou-se pelo meio-termo. Billy Idol ainda se mexe apesar caminhar para os 60 anos, embora deva conseguir atravessar cidades a pé sem ser reconhecido.



Veio bem acompanhado, com uma banda mais do que profissional que inclui o guitarrista Steve Stevens, seu amigo de longa data. Aliás, a amizade é tão grande que o músico tem carta branca para fazer os solos que quiser. Um apoio desses faz metade do trabalho, pelo que Billy Idol só teve que fazer o resto. Ou seja, aparecer de casaco de cabedal com incrustações metálicas, fazer pose, pôr-se de tronco nu passados uns temas e entretanto gritar vários "come on!".

Fez isso tudo e ainda acrescentou uma simpatia exemplar, tanto para o público como para toda a gente que participa na sua digressão. Toda a gente mesmo porque enumerou todos e isso incluiu o motorista do autocarro. Ainda acrescentou um "thank you for making my life so fucking great", sinónimo de que ainda se diverte a fazer estas coisas, o que se nota.

Quanto a temas, foi buscar todos os que o seu baú de singles foi guardando ao longo da carreira, o que inclui os tempos dos Generation X, e todos com lugar na história da música. "Dancing With Myself" aparece logo no início, "Sweet Sixteen" é antecedido de uma grande história e "Eyes Without a Face" fez as vezes de balada. "Rebel Yell" apareceu na reta final e para o encore ficaram "White Wedding" e "Mony Mony". Ainda houve tempo para uma versão de "L.A. Woman", dos Doors, transformada em "Portugal Woman" e até um recomeço de "Postcards From the Past" porque não estava a correr bem.

A última banda a actuar foi Gogol Bordello . Já se notava que havia muita gente à espera deles, quanto mais não seja pelos sósias de Eugene Hutz, o vocalista. Porém, quando o concerto começou ficou percebido que a ansiedade era maior do que se poderia esperar, porque o pó levantou em barda. Parecia um festival no Alentejo. O recinto transformou-se, então, numa colónia balcânica, com gente a saltar ou em danças estranhas aos registos musicais anteriores.



Bastante ajudado por Pedro Erazo, Hutz fez o papel de anfitrião que se lhe conhece, com a habitual gravata na cabeça e energia para um concerto em agitação constante. Baptizou a cidade de "party Porto", empunhou uma garrafa, e a banda lá foi disparando os temas certos, como "Start Wearing Purple", "When Universes Collide", "My Companjera", "Immigraniada", "Sally" e outros.

No fim, foram todos agradecer ao palco e por ali ficaram bastante tempo em vénias e demonstrações de afeto. Já havia bandas assim há décadas e sem grande êxito, mas os Gogol Bordello souberam aproveitar o contexto para construir uma carreira. Este Marés Vivas prova que estão aí para durar. E que a junção de acordeão com violino faz milagres.

Texto: Sérgio Gomes da Costa
Fotos: Cristina Pinto Pinto
Notícia escrita por LG Sábado, 21 de Julho às 10:04
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