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2002 foi um ano de mudanças. Passados sete anos sobre a ruptura quase definitiva entre Siouxsie Sioux e Steven Severin, em 1996, Steven Severin recebeu um telefonema dos organizadores do Coachella Festival para reactivar a lenda propositadamente para o festival, que optava especialmente por este tipo de desafios. A data aconteceria a 27 de Abril de 2002.
Steven Severin contactou então o representante dos creatures, que tinham terminado recentemente a intensa digressão do Anima Animus e preparavam o que seria o próximo trabalho de estúdio. Siouxsie concordou em reactivar o grupo, pela sugestão de ressuscitar na altura um determinado conceito de grupo rock e Steven confirmou entretanto que a proposta teria sido financeiramente "irrecusável".
Antes da digressão que deu origem a esta gravação, The Seven Year Itch - referência cinematográfica ao The Seven Year Itch (O Pecado Mora ao Lado), de 1955, de Billy Wilder, com Marilyn Monroe - Steven Severin revelou saber que Siouxsie teve propostas para fazer concertos como Siouxsie and the Banshees, que foram constantemente recusadas por uma questão de ética.
O "plano" para os concertos da The Seven Year Itch era fazer os concertos sem rede, isto, sem nenhuma espécie de pré-gravações, apoios de voz, etc. Um regresso pleno às origens, apenas com a formação clássica: baixo, bateria, guitarra e voz. Por imposição de Madame Ballion. Um tudo ou nada, nu e cru. Só assim é que valia a pena.
O repertório escolhido baseou-se essencialmente nos primeiros álbuns de Siouxsie and the Banshees, tendo a novidade sido uma versão de Blue Jay Way, dos Beatles, para completar o ciclo.
Musicalmente, qualquer uma das canções usufruiu da experiência adquirida em mais de vinte anos de palco. Quanto à prestação vocal, essa, todos sabíamos que jamais voltaria a ser o que era. Mas a vantagem de Siouxsie and the Banshees foi desde sempre saberem tirar o melhor partido dos seus próprios pontos fracos. E, assim, todas as prestações vocais ganharam novas perspectivas. Tem tanto de curioso como de irrelevante comparar, por exemplo, a Lullaby de 1986 com a Lullaby de 2002.
A questão é: tudo isso pode ouvir-se nas gravações. Não há dissimulações. O resultado foi Siouxsie and the Banshees em 2002. O passado era irrelevante.
Claro que os concertos de reunião foram um êxito, claro que os fãs não deixaram de marcar presença em todos os concertos da digressão, de comprarem os discos e as t-shirts, claro que no final da digressão todas as pontes entre Siouxsie Sioux e Steven Severin foram definitivamente queimadas.
Caso contrário, poderia ter havido mais uma Fénix renascida, como anos antes aconteceu, pelo menos por duas vezes...
Ao invés, Siouxsie and the Banshees tocaram pela última vez no Sonic Festival, em Tóquio, a 18 de Agosto de 2002.
No dia seguinte, Steven Severin regressou a casa e os creatures tinham uma sessão de estúdio marcada com Leonard Eto, a lenda dos Kodo Drummers.
A ruptura foi definitiva.
Para a história, ficam as gravações ao vivo e oficialmente lançadas neste último álbum ao vivo, captadas em duas noites do Shepherds Bush Empire, a 9 e 10 de Julho de 2002, em Londres.
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Tenho pena que os Siouxsie and the Banshees não voltem a fazer uma tour, era interessante vê-los, ao contrário de uns the Smiths, por exemplo.
Btw, vais ver a Wanda Jackson? (o Anastasis dos Dead Can Dance já deve andar por aí)
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