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Madonna no Estádio Cidade de Coimbra [texto+fotogaleria] -

Madonna no Estádio Cidade de Coimbra [texto+fotogaleria]

Estádio composto mas longe de cheio para ver uma das maiores estrelas pop de sempre. MDNA foi o ponto de partida, mas a versão 2012 de "Like a Virgin" foi o momento áureo do espetáculo.

Como diz, e bem, Nicki Minaj no final de "I Don't Give A", um dos pontos altos de MDNA , "Só há uma rainha e é a Madonna". Esta noite em Coimbra, foi isso mesmo que a cantora norte-americana provou: que por mais anos que passem, continua a ser a rainha incontestada da pop. O espetáculo de apresentação do novo álbum é aprimorado, dinâmico e recheado de todos os rebuçados que os fãs tanto gosto têm em desembrulhar. O Estádio de Coimbra não encheu, mas quem lá foi terá saído de alma cheia.


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Às 21h52, as luzes apagaram-se e vimos os bailarinos a correr desenfreadamente para o palco. Lanternas pintalgaram a multidão, que já não controlava os berros, especialmente quando um pequeno buggy entrou no estádio, com a cantora lá dentro, pelo lado esquerdo do palco. Mais uns minutos de espera e às 22h00 em ponto tocou o sino. Depois de um vaso de ouro balançar de um lado para o outro, entre gárgulas humanas, os altos portões abriram-se para deixar entrar a rainha. "Girl Gone Wild", o segundo single de MDNA , foi o tema de abertura, com a cantora a dançar entre os bailarinos em tronco nu (para gáudio de muitas e muitos fãs).

"Revolver", um dos temas originais incluídos na mais recente coletânea da artista, foi a segunda canção a entrar em cena, com Madonna a comandar um séquito de mulheres armadas e um Lil'Wayne, que partilha os préstimos vocais no tema, no ecrã gigante, enquanto a artista percorria o palco, de arma em punho, com o público em mira (e muito auto-tune na voz), até ao disparo final. Sirenes deram o mote para aquele que, dizemos nós, é o melhor momento do novo álbum: "Gang Bang", escrito por Mika e impregnado de dubstep até ao tutano, levou a cantora a deitar-se numa cama, crucifixo na parede, garrafa e arma na mão, defendendo-se dos vários assassinos que a tentam aniquilar. Uns cantam sangue na pista de dança, Madonna canta hoje sangue em todo o lado.

O clássico "Papa Don't Preach" foi, claro, recebido de braços abertos e letra na ponta da língua. Da inocência na voz da gravação original pouco resta, e o cansaço é algum, mas décadas depois, continua a ser um dos temas mais incontornáveis de Madonna. Seguiu-se um "Hung Up" algo anémico, desapontadoramente pouco dançável, que serviu para os bailarinos jogarem ao elástico e mostrarem os dotes de equilibristas, e foi com um "I Don't Give A", servido de guitarra a tiracolo e de forma um pouco atabalhoada, com Nicki Minaj a esclarecer tudo, lá atrás no ecrã, que se fechou o primeiro capítulo, o da transgressão, da história do concerto.

Cruz em fundo, Madonna num altar elevatório a meio do palco. Foi nestes preparos que conseguimos ouvir pela primeira vez, alto e bom som, os aplausos da multidão. Pausa para a mudança de indumentária, com "Best Friend" em fundo, e o regresso fez-se ao som de "Express Yourself". Traje de cheerleader e fundos psicadélicos/pop art ajudam a coreografia do tema que a cantora resolveu conjugar com "Born This Way" de Lady GaGa (o aviso: "a rainha ainda sou eu") para concluir: "She's Not Me". Sem intervalo, uma tropa de percussão levou-a direta para uma versão militarista de "Gimme All Your Luvin'", brilhante primeiro single de MDNA .

Excertos de videoclipes fazem retrospetiva de carreira até se sintonizar a frequência certa: "Turn Up the Radio", próximo single do novo álbum, ecoou pelo estádio. "Olá Portugal. Quero que cantem esta música comigo", grita a cantora de guitarra a tiracolo, com a banda a tocar em plataformas elevadas, e nova indumentária. O público mais devoto, aquele que se concentra bem perto do palco, salta e canta a plenos pulmões, o resto da audiência do Estádio de Coimbra parece estar à espera dos sucessos de antigamente. "Open Your Heart" podia ter matado a sede de clássicos naquele momento, mas a nova versão, na companhia de um trio de percussionistas, parece não ter cativado por aí além.

"Para mim, esta canção é sobre acabar com os preconceitos, lutar pelos nossos direitos e pela liberdade de expressão. Desafio-vos a respeitarem-se uns aos outros a partir do momento em que saírem deste concerto. Assim, não haverá mais guerras", discursou a cantora antes de se atirar a "Masterpiece", "canção sobre amor" composta para o filme que marcou a sua estreia como realizadora, W.E. . Lanternas acendem-se por todo o estádio durante o tema acústico que encerrou o segundo capítulo do espetáculo.

O interlúdio em vídeo ao som de "Justify My Love" entreteve o público até ao regresso da artista, com o clássico do glamour "Vogue". "Strike a pose" e os bailarinos jogam às estátuas/manequins, vestidos a rigor. De gravata e espartilho, a cantora deu as boas-vindas à sua "Candy Shop", um dos momentos mais memoráveis de Hard Candy , o registo que antecedeu MDNA . O sedutor "Human Nature" dava depois lugar a um jogo de espelhos que ajudou a cantora a livrar-se da gravata e da camisa (mas não a mostrar o rabo como fez noutros concertos recentes: "hoje não, estou mais introspetiva", justificou). "Like a Virgin" foi servido, precisamente de forma introspetiva, numa versão em registo grave, sem artifícios, e apenas acompanhado pelas teclas de um piano e cordas, já perto do final. Aplausos para o indiscutível momento alto do concerto, com "no fear" tatuado nas costas. Fim do terceiro ato.

A fase da redenção chegou com o brilhante "I'm Addicted", momento inspirado e fortemente eletrónico do novo registo. Momento mais dançável do espetáculo: prémio arrebatado. "I'm a Sinner" manteve MDNA em cena de forma insípida, preparando o terreno para um final que se queria em grande. "Like a Prayer", com um coro gigantesco, proporcionou precisamente isso - com direito a arrepios, cumprimentos aos fãs da primeira fila e dança com a bandeira portuguesa. O sino tocou novamente para anunciar o final da celebração. E foi "Celebration", com palmas a compasso a ajudar a construir a despedida de um espetáculo magistral. Focos de luzes varreram o estádio e a cantora surgiu em modo desafiador para pôr tudo a mexer. "Vá lá, quero ver-vos todos a dançar", disse, rodeada de toda a equipa em palco. "Obrigado. Boa noite" foram as últimas palavras.

Em suma: o espetáculo de MDNA mostra uma Madonna em topo de forma, apesar dos 53 anos. Pode dançar um pouco mais pesada, cantar um pouco mais cansada, mas a "material girl" ainda sabe como fazer as coisas. Nota menos positiva para as novas roupagens de temas antigos: atualização é bom, descaracterização é mau e é confuso. Salvaguarde-se aqui a nova versão de "Like a Virgin", em modo "I'm old and I know it". Venham ainda muitos anos assim.

Alinhamento:
"Girl Gone Wild"
"Revolver"
"Gang Bang"
"Papa Don't Preach"
"Hung Up"
"I Don't Give A"
"Express Yourself"
"Gimme All Your Luvin'"
"Turn Up the Radio"
"Open Your Heart"
"Masterpiece"
"Vogue"
"Candy Shop"
"Human Nature"
"Like a Virgin"
"I'm Addicted"
"I'm a Sinner"
"Like a Prayer"
"Celebration"

O francês Martin Solveig (que os meios de comunicação não tiveram permissão para fotografar) entrou em palco alguns minutos depois da hora marcada para o início do espetáculo e aqueceu os ânimos, intercalando temas da rainha ("Into the Groove", "Hollywood" e "Beautiful Killer", tema extra da edição especial de MDNA , foram alguns dos escolhidos pelo DJ) com grandes sucessos dos últimos tempos (ouvimos "Titanium" de David Guetta, "Barbra Streisand" de Duck Sauce, "We Are Young" dos Fun. e versões dançáveis de "Somebody that I Used to Know" de Gotye e "Rolling in the Deep" de Adele).

DJ e produtor com créditos firmados em nome próprio e também responsável pela produção de alguns novos temas de Madonna, Solveig foi, claro está, o convidado de honra que assegurou a primeira parte do concerto de Madonna. O público, à hora a que o músico se esforçava em palco, compunha pouco mais de metade do espaço do relvado (o Golden Circle, área nobre mais perto do palco, estava, no entanto, muito bem composto) mas avolumava-se - leia-se: ocupava mais espaço - com a excitação. "Let's make some noise for the material girl?", perguntou às tantas Martin Solveig. O público reagiu em histeria, pronto que estava para receber "a rainha". O músico não esqueceu o seu próprio reportório, encerrando a atuação com "Hello", o sucesso mais recente, cantado em coro pela multidão.

Texto: Mário Rui Vieira
Fotos: Rita Carmo/Espanta Espíritos
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Notícia escrita por MRV Segunda, 25 de Junho às 13:44
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