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That´s All Folks. I´ve got no more jokes!
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| Josh T. Pearson, Casa das Artes de Famalicão, 23/06/12. |
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Eu desconfio um pouco deste renovado interesse pela Folk. De repente, a mesma geração que não há muito tempo desprezava nomes como o Cat Stevens ou a dupla Simon&Garfunkel, como coisas que os seus pais ouviam na pré-história e respeitava nomes como o Bob Dylan ou a Joan Baez apenas porque sim (estou a exagerar, eu sei), agora dá abrigo a todo um leque de novos trovadores, como se de repente, todos aqueles artistas sem rosto tivessem saltado das estações de metro para as páginas das bíblias Indie.
Foi a urgência dos tempos modernos que ditou a morte do pendor contemplativo da Folk e fico positivamente admirado que esta nova geração de ouvintes tenha encontrado o travão necessário para apreciar um género que apela à disponibilidade e à serenedidade. Ironicamente, até foi o próprio Guru Dylan a dar-lhe a primeira estocada, ao electrizar o seu som, chocando toda uma geração que o chamou de Judas, para mais tarde proclamá-lo Deus.
Mas esta nova vaga de Folkers não se reporta necessariamente ao tempo em que as palavras eram armas que matavam fascistas e em que um inocente disco de música Folk era alvo da mais feroz censura pelo seu atropelo aos bons usos e costumes, mas sim à escola mais dramática e autoindulgente de um Tim Buckley ou um Nick Drake, com umas pitadas de ovelha tresmalhada da Country, apenas para conferir um pouco de ar de Badass.
O Josh T.Pearson pertence definitivamente a esta escola e conheci-o graças à insistência de uma querida amiga com um inegável bom gosto musical, que viu o artista ao vivo, salvo erro, no Mexefest em Lisboa e adorou. Confesso que, das muitas sugestões que felizmente recebo dos meus amigos, acabo por não dar a devida atenção a todas, mas por um feliz acaso, o seu 1º trabalho em nome próprio, "Last of the Country Gentlemen" (2011) apanhou-me no momento certo. Sete canções longas e sentidas, para saborear lentamente e com calma. Gostei muito e pelo que apurei, a crítica especializada também. O anúncio de um concerto a apenas 10 minutos de casa foi naturalmente uma agradável surpresa.
O palco semi-nu, apenas com um tripé e um amplificador, revelava a realidade sem artifícios da Folk. Mais do que a música, as atenções voltam-se para o poder das palavras e mais importante do que tudo, para a capacidade do artista em expressá-las. É como uma boa piada contada por um indivíduo sem a mínima graça. Não resulta. Por acaso, o homem de longas barbas vestido de negro que tomou conta do palco da Casa das Artes de Famalicão esta noite, que com o seu aspecto tanto podia ser um simpático ermitão ou um profeta do apocalipse, dominou totalmente ambas as qualidades: A de músico e a de comediante.
Não foram muitas as pessoas que marcaram presença, talvez distraídas pelo Europeu de Futebol ou pela folia do S.João, e mesmo alguns dos presentes aparentemente caíram ali por engano. Restavam então alguns conhecedores que sabiam ao que iam e esses (eu e um velho amigo e companheiro de estrada incluídos), foram facilmente cativados pela forma emotiva e solene com que o Josh T.Pearson entoa as suas longas canções, tratando-as como os seus tesouros mais preciosos.
Mas paradoxalmente, a faceta humorística do artista acabou por apanhar os presentes desprevenidos, especialmente aqueles que não estavam familiarizados com a sua música, e assumir um protagonismo inesperado. Bastante simpático e bem-disposto, dirigiu-se muitas vezes ao público de forma a quebrar o gelo e entre muitas intervenções divertidas, acabou por apresentar um verdadeiro set de Stand Up Comedy, divido em 3 categorias: "Blowjob Jokes", "Musician Jokes" e "Fucking Jokes". Bem e a música?
O primeiro tema da noite foi também a primeira piada da noite: "este tema chama-se Tuning". Em sensivelmente uma hora de concerto, o Josh T.Pearson interpretou um conjunto de apenas 5 temas, todos apresentados pelo artista como "Smash Hits" e todos do álbum "Last of the Country Gentlemen" e pelo seu parco número, penso ser capaz de enumerá-los pela sua ordem: "Sweetheart I´m not your Christ", "Woman when i´ve raised hell", "Sorry With a Song", "Country Dumb" e "Thou Art Loosed". Esperava por exemplo que ele complementasse os temas do seu disco com alguma das curiosas covers que se encontram no Youtube ou até que o tocasse na íntegra, mas não o fez e apesar de estas canções não serem propriamente pequenas e terem sido magistralmente interpretadas, soube a pouco. Muito pouco. Ficou a desconfortável sensação de ter sido mais um Showcase do que um concerto.
Mas foi um momento muito bem passado, infinitamente melhor que marteladas e sardinhadas. Um inesperado show de variedades, no qual fomos agraciados com um pouco da melhor música Folk contemporânea e por momentos do mais refinado humor. Entre as várias piadas, algumas acompanhadas de gestos com os polegares que apenas quem esteve presente será capaz de entender, deixo uma pequena amostra do mais puro requinte:
- What ´s the worst thing you can hear after doing Willie Nelson a blowjob?
- I'm not really Willie Nelson.
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Artigo escrito por
porcoespinho
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Então, valeu a pena. Como sabes gostava de ter assistido, mas valores familiares aliada à gula de uma boa sardinhada acompanhada de um bom vinho e de umas costeletas impediram-me.
Para a próxima, para a próxima.
Como em tudo, há o bom e mau, e este regresso do folk pode ser mal interpretado. Eu vou pegar no que gosto e considero ter qualidade e que me diz mais. O resto é acessório.
Uma das minhas audições em espera é justamente neste campo. Nate Hall dos Usx tal como Scott Kelly, Steve Von Till e Kirk Fisher dos Buzzoven, virou se para o folk e do pouco que ouvi o cd está assombroso. E à pala desta malta descobri Townes Van Zandt, por isso, há coisas boas aqui.
(o cat stevens aka yusif islam continua a não me dizer nada)
Falas sobre novos talentos Folk, e eu gostava de saber o que pensas sobre Jake BUgg, ele ainda é um desconhecido fora do Reino Unido e o seu primeiro album só vai sair em Outubro, mas já dá que falar, e até já tocou no glastonbury e no Jools Holland, e tudo isto com apenas 18 anos.
Fica aqui um video, caso não conheças,
https://www.youtube.com/watch?v=WVYXrravfhU&feature=related