Existem coisas que nunca mudam e o melhor será que assim continuem, para o bem da diversidade de gostos e opiniões. Para uns, o Death Metal nunca passará de ruído sem sentido e para outros, como a multidão que encheu esta noite a sala 1 do Hard Club para a primeira do par de datas do Festival SWR HARD 2012, este é motivo de devoção e de puro entusiasmo. E o motivo desta reunião de "fiéis" não poderia ser melhor: Após já um longo tempo desde a última visita, o regresso a Portugal dos míticos Cannibal Corpse!
Mesmo para aqueles que gostam de exibir números na hora de avaliar a importância ou não de uma banda, o caso dos Cannibal Corpse, tendo em conta que fundaram a sua carreira no lado mais grosseiro e cru da "arte", chocando e agitando águas num tempo em que isso ainda era genuinamente possível, é capaz de impressionar até os mais cépticos: 24 anos de carreira, 12 álbuns de originais e quase o mesmo número de voltas ao Mundo, mais de um milhão de discos vendidos: A banda de Death Metal mais bem-sucedida de sempre.
Há quem lhes atribua o "síndrome AC/DC", que fazem sempre o mesmo disco, mas essa constatação, ainda que com um pequeno fundamento, peca por demasiado injusta. Os Cannibal Corpse foram evoluindo no seu som e a prova mais drástica disso foi terem despedido o seu primeiro vocalista e escritor de horrores, Chris Barnes (Six Feet Under), em nome dessa mesma evolução. No seu lugar entrou o George "Corpsegrinder" Fisher, que leva já 8 álbuns no seu currículo e com a sua voz mais dinâmica e a sua imponente figura, estabeleceu-se rapidamente como um dos melhores frontman da cena.
Da sua extensa discografia, destaco um trio que merecerá a atenção de qualquer amante de música extrema: O Incontornável "Tomb of the Mutilated" (1992), aquele que na minha opinião, é o melhor de todos, "The Bleeding" (1994) e por último o muito aclamado "Kill" (2006), visto pelos críticos e pelos fãs como o verdadeiro regresso à forma da banda, forma essa que se manteve nos discos posteriores, como o novo "Torture" (2012), que serve de mote à presente digressão. Em suma, os Cannibal Corpse, com a sua longevidade, com a consistente e segura obra, os seus famosos (e asquerosos) artworks, as suas letras obscenas e nada aconselháveis e sobretudo, com a sua enorme e fiel legião de fãs, são para a cena Death, o que os Iron Maiden são para o Heavy Metal em geral. Gigantes!
O ambiente no Hard Club era de festa, não apenas por causa dos Cannibal Corpse mas também por causa da Selecção e da sua sofrida qualificação para os quartos-de-final. Foi até difícil saber como parava o resultado, pois de vez em quando alguém gritava golo apenas porque sim! Já dentro da sala, ainda pensei qual seria o melhor local, ou o mais seguro, para assistir ao concerto, mas deixei-me de mariquices e fui bem para a frente, onde se passaria a acção. A abrir, os Portugueses Grog, com o seu Grindcore competente, conseguiram aquecer as hostes sem dificuldade, mas mal terminaram o seu set, a emoção do que aí vinha era latente.
À hora marcada, os Cannibal Corpse entravam em palco para uma hora e meia de destruição sonora, com uma destreza e competência a toda a prova. A dupla coesa Rob Barrett e Pat O' Brien nas guitarras, o grande Alex Webster no baixo (uma espécie de Steve Harris do Death), o monstro Paul Mazurkiewicz na bateria (com uma performance de respeito) e o mestre-de-cerimónias George "Corpsegrinder" Fisher, que impressiona não apenas pela sua voz, mas também pelo seu pescoço que mais se parece com um pilar, o que talvez explique como consegue rodar a cabeça tão rapidamente sem cair redondo por causa das tonturas.
O ambiente na sala esteve ao rubro e apesar da intensa actividade no Moshpit e um ou outro stage diving, não houve incidentes de maior. O alinhamento da noite foi equilibrado, passando um pouco por toda a carreira da banda, recuando aos primórdios com a "Born In a Casket", passando, entre várias outras, pela "Disfigured" do álbum "The Vile", a "I Will Kill You" do álbum "Gallery of Suicide", a "The Wretched Spawn" (do álbum com o mesmo título), os potentíssimos e muito aclamados "The Time to Kill is Now" e "Make Them Suffer" do álbum "Kill" e por temas de uma fase mais recente como o Potentíssimo "Evisceration Plague" e como era tempo de promover o novo álbum, temas como "Encased in Concrete" e "As Deep as the Knife Will Go" encaixaram na perfeição.
Momentos de especial destaque foram, por exemplo, a sempre grotesca e deselegante (e por isso clássica) "I Cum Blood" e o senhor Corpsegrinder, esse galanteador, numa das suas muitas intervenções, decidiu dedicar um tema às senhoras que se encontravam na plateia (eram muitas e ao meu lado estava um grupo entusiasta de jovens Headbangers!). O pessoal começou a gritar "Fucked With a Knife"! Mas os Cannibal Corpse fizeram uma partida e em vez de fazerem o habitual, tocaram a "Priests of Sodom".
O final foi avassalador, pois até mesmo uma banda como os Cannibal Corpse tem os seus Hits indispensáveis e que não podem faltar num concerto. Foi a loucura colectiva quando o Corpsegrinder anunciou a célebre "Hammer Smashed Face", de um dos discos que marcou a minha juventude rebelde e borbulhosa, o "Tomb of The Mutilated". Mas o verdadeiro fim aconteceu em forma de rebuçado, com outro clássico, do álbum "The Bleeding", o meu favorito: "Stripped, Raped and Strangled. Um espectáculo de música extrema a terminar com a "canção de amor" dos Cannibal Corpse. Belo verso: "...She was so beautiful; I had to kill heeeeer...". Mas que grande noite meus amigos! Blaaaaaaargh \m/
|
Gosto tbm da maneira simples e bem detalhada como o fazem, fica sempre interessante e apelativo, ou contrario dos reviews da blitz que são muitas vezes vazios de emoções e adornados com escrita muito pouco apelativa, pelo menos para quem "como eu" gosta de uma escrita simples mas eficaz.
Parabens pelo artigo, está muito interessante e apelativo, até para mim que não gosto de Cannibal Corpse.
desta vez não comento tanto pela musica, é banda que nunca me deixou grande impressão, se calhar não conheço assim tão bem.
com esse andamento o teu subsidio não chega ao fim do ano ou é com bilhetes de gasolineira?
Parabéns