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Optimus Primavera Sound: reportagem do 2º dia (8/6), com Flaming Lips, Rufus Wainwright, Wilco, Beach House, etc [texto + fotos] -
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Optimus Primavera Sound: reportagem do 2º dia (8/6), com Flaming Lips, Rufus Wainwright, Wilco, Beach House, etc [texto + fotos]

Ao segundo dia de festival, o Parque da Cidade encheu para ver concertos de Flaming Lips, The Walkmen, Beach House e Wilco. Saiba como correram as atuações e veja as fotos do Optimus Primavera Sound.

Depois de concertos de Suede, Rapture, Mercury Rev e Drums, entre outros, prossegue hoje a primeira edição do Optimus Primavera Sound, no Parque da Cidade, no Porto. A BLITZ já está no recinto. Veja aqui os horários e consulte regularmente esta notícia, para encontrar toda a informação e a reportagem fotográfica da edição nacional do Primavera Sound.

Cartaz de 8 de junho


8 de junho (sexta-feira)

Palco Optimus
02h15 M83
23h15 Wilco
20h15 Rufus Wainwright
18h00 We Trust

Palco Primavera
01h00 The Walkmen
21h30 The Flaming Lips
19h00 Yo La Tengo
17h00 Linda Martini

Palco ATP
02h30 Thee Oh Sees
01h00 Wolves in the Throne Room
23h30 Shellac
22h00 Codeine
20h45 Rafael Toral
19h30 Tennis
18h15 Tall Firs

Palco Club
02h30 Numbers Showcase
01h00 Beach House
23h30 Neon Indian
22h00 Black Lips
20h45 Chairlift
19h30 The War on Drugs
18h15 Other Lives
17h00 Esperit!


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20h00 - Vestido de cinzento (pareceu-nos) e com uma écharpe em torno do pescoço, Wayne Coyne bate palmas entusiasmado. Calma, o concerto de Flaming Lips não foi antecipado. Estamos a ver os Yo La Tengo (nomeadamente o vocalista/guitarrista/teclista Ira Kaplan) arrancar feedback atrás de feedback por cima de uma linha de baixo insidiosa de um imperturbável James McNew - estamos nós, uma apreciável multidão (mais gente do que ontem à mesma hora, parece-nos) e, em posição privilegiada (sobre o palco, de lado), avistamos Wayne Coyne, o vocalista dos Flaming Lips a aplaudir os amigos (e o baterista dos Lips, Kliph Scurlock, com uma bonita t-shirt dos Big Star, até se encarregaria das percussões num dos temas).

A veterana banda de Nova Jérsia é contemporânea dos Sonic Youth e isso nota-se à vista desarmada - há um apreço muito grande às potencialidades sónicas da guitarra (no plural, porque Kaplan troca de "machado" várias vezes), ao feedback enquanto massa degustável de som.

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Mas os Yo La Tengo têm uma veia muito mais pop do que o (finado?) grupo de Thurston Moore. Veja o falsete soul-pop de "Mr. Tough" (de I'm Not Afraid of You and I Will Beat Your Ass , 2006), a ginga desopilante de "Autumn Sweater", propulsionada por um teclado dormente, ou a nostalgia sónica-pop de "Nothing To Hide".

No final, uma "My Little Corner of the World" entoada, tímida e titubeantemente por Georgia Hubley, a quem se juntou - num coro de assobios (trinado, entenda-se) o resto da entourage . Um ótimo fim de tarde no palco Primavera.

18h30 - É dourado e apenas um pouco fresco o fim de tarde no Primavera Sound (continuam longe de se concretizar as previsões mais chuvosas). No Palco ATP, cujos belos néons, criados, à semelhança dos demais do festival, por João Paulo Feliciano (Real Combo Lisbonense), continuam naturalmente apagados, uma pequena multidão aguarda o concerto dos norte-americanos Tennis . Sentados na relva, de copo de vinho ou caipirinha na mão, com amigos ou em família, os espetadores do Primavera Sound compõem o cenário bucólico, e não muito distante do de Paredes de Coura, deste festival urbano.

À hora marcada, o casal Alaina Moore e Patrick Riley sobe então ao palco, acompanhado por mais dois músicos, num quarteto que tem gerado algum falatório, graças ao som muito Costa Oeste, versão melódica e benfazeja, dos álbuns Cape Dory (2011) e Young & Old (2012). Apesar de a voz de Alaina, também nas teclas, por vezes se assemelhar a um sussurro, à segunda canção a intérprete ainda pede para lhe baixarem o som da voz. A junção de voz feminina e teclados traz-nos à memória outras bandas mimosas e primaveris (passe o trocadilho) como Au Revoir Simone ou até Regina Spektor. Há bolas de sabão que esvoaçam quando chega "Petition", do álbum mais recente, e muita gente a acorrer ao Palco ATP para ver ao vivo a míni-coqueluche indie pop.

Apenas alguns passos ao lado do campestre Palco ATP, encontramos o Palco Club. Sabemos que estamos no caminho certo quando ouvimos o "esgar" algo dylanesco de Adam Granduciel, à frente de uma banda com um sentido de exploração que ainda não tínhamos visto neste festival. O Palco Club funciona numa tenda grande e tapada, e alberga já, a esta hora, algumas centenas de espetadores, que se bamboleiam ao som hipnótico e amigo do formato de longa-duração do quarteto de Filadélfia (a terra do grande Kurt Vile, que de resto já integrou os War on Drugs ). A banda oferece, além das "corriqueiras" guitarras e bateria, alguma distorção e trompetes, e o público, numeroso, entra nesta viagem, em modo Dylan panorâmico, com "Come To The City", do recente e aplaudido Slave Ambient .

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20h15 - Não há muita gente frente ao Palco Optimus quando Rufus Wainwright chega, pontualmente, ao Primavera Sound, envergando fato bicolor e óculos escuros. Mas isso não impede o canadiano de aterrar no Porto com pompa e circunstância, atacando de imediato, e com a ajuda de oito músicos e cantores, uma versão poderosa de "Candles", a canção que encerra o seu disco mais recente, Outo f the Game . Inicialmente a capella, depois em jeito quase gospel, a abertura soa perfeitamente deslocada de um festival onde, minutos antes, víramos um grupo de 30 ou 40 pessoas "assaltar" a moça encarregada de distribuir gratuitamente os famosos sacos-manta cor de laranja. Mas diz bem das intenções de Rufus, que não vem ao Primavera "fazer o jeitinho" ou comprometer a sua visão, opulenta, teatral e "over the top", da pop.

Neste lusco-fusco, ao qual se foi juntando cada vez mais gente, houve saxofone e uma bela cantora soul; a obrigatória versão de "Hallelujah", de Leonard Cohen; uma dedicatória à Grécia ("Vamos todos rezar um bocadinho por eles", sugeriu, antes da maravilhosa "Greek Song") e uma boa porção de outras canções do "baú", capazes de agradar aos fãs dos primeiros tempos da carreira de Wainwright Jr, de arranjos mais leves e melodias mais airosas. "April's Fool", cantada com um sorriso e já sem óculos de sol, foi um desses bem sucedidos regressos ao passado, mas também "One Man Guy", versão do pai Loudon Wainwright, aqui em dueto com Teddy Thompson - também ele filho de duas lendas, Richard e Linda Thompson - soou bem e sincera, arrancando aplausos no Palco Optimus. Quase sempre na frente do palco, encarregando-se da voz e da guitarra, Rufus sentou-se ainda ao piano, instrumento ao qual será mais associado, para uma bonita prestação de "The Art Teacher". Com simpatia, carisma e um talento que não o abandona, mesmo nos álbuns que menos apreciamos, o homem de Poses ganhou pontos no Primavera Sound.

Alinhamento Rufus Wainwright

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23h00 - Aquela expressão que se usava para propagandear um "show" vistoso, "grande espetáculo de luz e som", aplica-se sem hesitar ao concerto que os Flaming Lips deram no Palco Optimus do Primavera Sound. Em palco há a parafernália habitual dos Flaming Lips da era "fantasia", iniciada em 1999 com o álbum The Soft Bulletin : uma bola de espelhos gigante suspensa, jovens "cheerleaders"/"majorettes" de cada um dos lados do palco, em movimentos improvisados de euforia, chuva de confetti, uma espécie de parque de diversões abundante em guloseimas, mas com uma vertente surrealista (há um alien verde gigante do lado direito do palco!) a não deixar que a coisa resvale para o enjoo.

Por esta altura, os Flaming Lips já terão atuado em boa parte dos grandes festivais portugueses e o espetáculo "de luz e som" que trazem ao Parque da Cidade do Porto já não será novidade (pelo menos para a falange nacional). A liderar esta experiência multimédia está um Wayne Coyne expansivo, primeiro de sirene da polícia na mão, depois com uma guitarra que diz "punk rock", a fazer logo de início o "número" da bolha gigante, uma das mais singulares demonstrações de crowd surfing que já nos foi dada a assistir (ou seja, Coyne a caminhar sobre o povo, dentro de uma bolha).

Autêntica charanga psicadélica (e analogicamente eletrónica), a banda que tem como dois últimos registos (ambos de 2009), um álbum que replica Dark Side of The Moon , dos Pink Floyd, e Embryonic , álbum de originais, aposta quase sempre um prog rock opulento e elegíaco, mas parece-nos que vai recrutar mais seguidores com os temas mais lúdicos e menos planantes, como "The Yeah Yeah Yeah Song".

"Yoshimi Battles the Pink Robots Pt. 1", que sempre achámos algo básica e "pastelona" recolhe aplausos (mostrando que também o sucessor de The Soft Bulletin foi ouvido por aqui), mas o modo autocelebratório deixa impaciente quem quer ouvir apenas as canções. Para esses, Wayne Coyne é um sarilho: demora entre canções, tanto disserta sobre o público "maravilhoso", como pede que os "motherfuckers" gritem mais, elogia o espaço várias vezes, repete "c'mon c'mon c'mon" quando deseja ver braços no ar. Mas depois surpreende-nos com duas mãos gigantes num teatro prog-rock com feixes de luz (a sair das palmas) e parece perdoado.

Em "Pompeii Am Götterdämmerung", Coyne bate num gongo luminoso e recordamos, com uma pontinha de saudade, o mesmo expediente (aka gongo) numa edição do festival Benicàssim no início da década passada, altura em que Soft Bulletin ainda ressoava e os álbuns que se seguiriam não tinham ainda acrescentado alguma gordura escusada ao repertório do grupo. "What Is The Light", ainda do álbum de 1999, sofre por contaminação: dura uma eternidade de teclados e guitarras em diálogo morrinhento, com um Wayne Coyne a expor a voz frágil. Depois uma longa introdução de sintetizador atmosférico, "Race For The Prize" brilha, com serpentinas a serem lançadas e o vocalista a rodopiar a écharpe. Para um final "lá em cima", nada como "Do You Realize?", a prova de que os Flaming Lips sabiam ser os Arcade Fire antes do tempo. Não terá sido a melhor atuação do grupo em Portugal, mas ninguém se queixou (muito menos a banda, que prometeu voltar ao elogiado cenário do Primavera Sound).

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Mais ou menos na mesma altura, os Black Lips encerram uma atuação fervilhante no palco Club, onde - dizem-nos - membros dos portugueses Glockenwise andaram em ombros na plateia. Nesse mesmo final de concerto, um punhado de elementos do público subiu ao palco para dançar; ao longo da atuação, o sentido inverso (palco-plateia) fez-se com "oferendas" de papel higiénico. "Bad Kids" e "Modern Art" mostram um grupo com um pouco de punk, outro tanto de rock e um grande quinhão de festa.

Alinhamento Black Lips

Optimus Primavera Sound: reportagem do 2º dia (8/6), com Flaming Lips, Rufus Wainwright, Wilco, Beach House, etc [texto + fotos] -


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00h20 - Ao longe, Jeff Tweedy, o "pai" dos Wilco , parece mesmo Neil Young. Nas veias do senhor de chapéu, que esta noite disse ao público do Primavera Sound que este tinha "muita sorte" em poder contar com um festival desta envergadura, corre a mesma seiva da música americana, da country e da folk ao rock. No caso dos Wilco, o rio também corre pelas margens de alguma eletrónica, da experimentação e de um sentido conciso de pop, presente nas belas "Heavy Metal Drummer" ou "War on War", de Yankee Hotel Foxtrot , por exemplo, para nosso gáudio interpretadas esta noite. A agilidade com que os norte-americanos alternam entre estes registos vale-lhes a atenção do público - em Portugal, os Wilco nunca foram propriamente grandes, e nem o contingente do país vizinho, onde gozam de outra popularidade, chegou para disfarçar algum desconhecimento de causa.

Entre começos acústicos que desaguam em solos de guitarra rodopiantes ("At Least That's What He Said"), semi-clássicos aplaudidos por pequenos grupos de fãs aos primeiros acordes ("Impossible Germany") e pérolas do passado mais remoto (gostámos bem de recordar "A Shot In The Arm"), os Wilco foram saltando com leveza entre a serenidade e a catarse, sem nunca perder a "coolness" de quem navega a seu bel-prazer por uma coleção de canções sem pressa e cheias de alçapões para caminhos, vulgo improvisos, criativos e inesperados.

Alinhamento Wilco

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01h00 - Acabado de chegar de Nova Iorque, mas impecável no seu fato e gravata, Hamilton Leithauser, vocalista dos Walkmen , faz aquilo a que habitualmente se chama "abrir as hostilidades"; aqui, as hostilidades são, por enquanto, meigas, com uma versão acústica de "We Can't Be Beat", do novo disco dos norte-americanos, Heaven . Tal como no próprio tema-título, eis uma canção com um coro que pede para ser cantado num qualquer torpor entusiasmado. E, pelo menos à nossa volta, eram muitos os que já entoavam as letras de um disco acabado de chegar às lojas/internetes.

Na entrevista dada à BLITZ, pouco antes do concerto, Hamilton Leithauser quis explicar que, contrariamente ao que vem sendo escrito sobre Heaven , o sucessor de Lisbon não foi um álbum facílimo de escrever, nem é completamente luminoso, face às falsas trevas dos seus antecessores. E é bem verdade: a melancolia continua lá, tal como aquele porte nobre, aristocrático, de uma bela banda rock que, agora, se diz consideravelmente influenciada pelos Fleet Foxes (gravaram com o produtor das ditas raposas, Phil Ek, e gostariam até de fazer uma versão de uma canção da banda de Seattle, como contaram à BLITZ).

Baseado sobretudo nos dois últimos discos dos Walkmen - o novo Heaven e o irmão mais velho, Lisbon - o concerto, que decorreu à mesma hora que o dos Beach House, contou sempre com a excitação dos fãs, que até mosh fizeram em "The Rat" (ainda e sempre a canção mais celebrada dos concertos dos nova-iorquinos adotados - e nada prova melhor o estranho apelo da canção de dor de corno do que a alegria com que tantas almas entoaram "when I used to go out I knew everyone that I saw/now I go out alone if I go out at all"). "Juveniles" e "Angela Surf City", trespassadas pelo sol de Lisbon , desencadearam reações de entusiasmo surpreendentemente genuíno, ao passo que a parcimónia de "Blue As Your Blood" e a ameaça latente da estrondosa "New Year", outra das pedras de toque da carreira dos Walkmen, encontraram também a "cama" ideal para prosperarem no Primavera. Com um baixista substituto, por impossibilidade de Walter Martin, primo de Leithauser, estar presente, os Walkmen acabaram por deixar nos fãs uma sensação de sabor a pouco: a nova "Heartbreaker", a cintilante "Woe Is Me" e "On The Water", do indispensável You and Me , ainda se fizeram ouvir com relativo estrondo, mas o concerto durou pouco mais de uma hora porque, mesmo ali ao lado, havia que aprontar o Palco Optimus para a chegada dos M83.

01h00 - À hora certa (pontualidade tem sido regra de ouro, até agora), os Beach House acendem as luzes do palco Club, uma tenda cuja capacidade está muito abaixo do contingente que acorre para ver a banda de Baltimore. Inicialmente, a reportagem BLITZ não tem outro remédio que não seja ficar do lado de fora, a espreitar entre uma ou duas abertas: é aí que ouvimos "Crockett's Theme", instrumental dos anos 80 (olá Miami Vice !) que sai das colunas quando a banda entra em palco.


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O povo recebe os Beach House (nome veraneante, música outonal, concerto no/na Primavera) com entusiasmo. E "Norway", de Teen Dream , apresentada logo de início prolonga a sintonia. Ocorre-nos que, ao segundo dia, esta é a primeira má ideia do Primavera Sound, a de remeter os Beach House a uma tenda com lotação, cremos, limitada (e onde os retardatários não conseguirão ter um único vislumbre de palco).

O chamamento da música dos Beach House é, na opinião de quem escreve estas linhas (calma, é só uma opinião!), um mistério: o público reage com fervor mas em palco "acontece" sempre o mesmo concerto, sem variações. Ecos dos anos 80 panorâmicos, uma vocalista (Victoria Legrand) com um timbre "detached" que faz "headbanging" sobre o teclado, canções que se avolumam parecendo sempre a mesma, um papel de parede relativamente agradável, mas pouco mais. Claro que isto, repetimos, é só uma opinião e manda o fiel retrato dos factos apontar uma ligação tremenda entre a música que sai de palco e o público que a interioriza.

Desfilam "Other People" e "Silver Soul" à frente de um palco estrelado. Já entrámos, aproveitando uma procissão de desertores que vai experimentar os Walkmen. Com "Zebra" há braços no ar e o público nas mãos ("Ualqueméne? Eu quero é ver os Bichause", sacámos do ar minutos antes do concerto). "Myth", de Bloom , o quarto álbum, acrescenta-se ao rol. Em "10 Mile Stereo" voltam as estrelinhas. O momento parece íntimo, para banda e fãs; a reciprocidade é elogiável. Mas não vamos mentir (até porque não nos perdoariam uma mentira): ainda havemos de descobrir o que é que os Beach House têm.

Alguns minutos antes, espreitámos o final do concerto dos Shellac , de Steve Albini, e encontrámos uma banda em regime spoken word. O monólogo de "The End of Radio", uma dúzia de minutos em que o baixo e a bateria se ouvem acima de tudo, não nos permitiu uma visão mais diversificada do concerto de uma das bandas de estimação do Primavera Sound espanhol - agora "emprestada" também ao do Porto. Mas que há fãs acérrimos deste rock matemático e de laboratório não restam dúvidas.

02h56 - Banda madrugadora (pareceu-nos ouvir um "good morning, Porto"), os franceses M83 dão o derradeiro concerto dos palcos "grandes" do Primavera Sound. O projeto - aqui em formato banda - de Anthony Gonzalez distingue-se por uma apropriação bastante fidedigna de um electro-rock nostálgico, com travo aos anos 80 do século XX, pintalgado com tiques AOR, uma música que tanto é nocturna como de crepúsculo, nunca demasiado feliz nem soturna em demasia. Enquanto réplica, estilização de um ambiente do passado, funciona (mas nem todas as canções são tão boas como "Kim & Jessie", convenhamos).

Mais longe dos tiques progressivos dos primeiros discos, os autores de Hurry Up, We're Dreaming (de onde se extrai o estupendo "Midnight City") são também a proposta mais dançável do palco Optimus que se despede ao som de uma barragem de teclados. À mesma hora, os californianos Thee Oh Sees destilam distorção das guitarras no palco ATP. Dois menus distintos para um fim de noite em alta.

Texto: Lia Pereira e Luís Guerra
Fotos: Rita Carmo/Espanta Espíritos
Notícia escrita por LG Sexta, 8 de Junho de 2012 às 18:00
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