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Coldplay no Porto: saiba como correu o concerto no Estádio do Dragão [texto + fotos] -

Coldplay no Porto: saiba como correu o concerto no Estádio do Dragão [texto + fotos]

50 mil espetadores não deixaram que a chuva estragasse o primeiro concerto dos Coldplay no Porto.

Se fosse possível ver a big picture, ter acesso ao Google Maps da vida real, relativamente aos 20/30 km em redor do Estádio do Dragão por volta das 19/20 horas da tarde de ontem seria certamente possível testemunhar todas as forças - passando o exagero - confluírem naquele que era o concerto mais badalado do ano em território nacional. O que ninguém previu foi que também a chuva apontasse a mira à cidade do Porto, levando a plateia do Dragão a pintar o estádio de branco-impermeável em contraste com o fundo e a passadeira do palco que pareciam alvo de um ataque massivo de graffiters de todo o mundo.

Indiferente ao dilúvio que se montava em pleno estádio, a britânica Rita Ora, vestida para o verão, mostrou as suas canções com a ajuda de uma banda escondida debaixo de uns toldos e deixou a nu as influências da sua música, algures entre o reggae e o R&B, passando pelo rock bem rasgadinho. Surpresa já perto do final no final: "Say my Name" das Destiny's Child e ainda uma passagem por "Heartbeat" de Nneka. Para perceber melhor do que Rita Ora é feita serão precisos mais do que 30 ou 40 minutos, numa próxima oportunidade. Continua a chover.

No intervalo, tempo para uma sucessão de coisas mais ou menos inesperadas: um grupo de pessoas canta o hino português, há varredores de água em palco, ouve-se Gold Panda nas colunas do Dragão (quais são as probabilidades?), faz-se a "hola" nas bancadas, pede-se aos altifalantes do estádio que se ergam as pulseiras mágicas luminosas que, diziam, faziam parte do espectáculo (só depois foi possível perceber até que ponto). No espaço de cinco minutos, a cultura do entretenimento brilhou em todo o seu esplendor. E continua a chover.

O palco continua feminino com a chegada de Marina and the Diamonds. Menos Maria Rapaz, mais femme fatale resgatada aos anos 80, Marina e os seus muchachos Diamonds, ainda debaixo dos mesmos toldos pouco habituais para concertos deste género - sobretudo tendo em conta a dimensão do palco. Mais uma imagem pouco comum: fazendo justiça ao seu nome, Marina traz um vestido brilhante, microfone numa mão e um guarda-chuva na outra (fazendo justiça ao tempo). Os seus trejeitos vocais lembram Kate Bush, e as suas canções levam-na para territórios semelhantes. Mais baladeira do que aquilo que seria de esperar ao início, Marina acabou por se render aos encantos do rock (com "Bubble Gum Bitch", por exemplo, a lembrar Blondie) e de uma pop mais cadenciada - sempre sem perder os anos 80 de vista e sem largar o guarda-chuva. E continua a chover. "Primadonna" fechou com problemas técnicos mas acabou por dar para vislumbrar Marina sem guarda-chuva.


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Ao som da música do Regresso ao Futuro, os Coldplay entram em palco ao som de "Mylo Xyloto", que desencadeia a primeira explosão de fogo de artificio - e de exaltação. Como seria de esperar, os hits sucedem-se uns aos outros numa espécie de best of ao vivo: "In My  Place" provoca mais uma avalanche de aplausos e confirma a capacidade dos Coldplay em encher em som e em entusiasmo um estádio a rebentar pelas costuras. Depois de agradecer a perseverança de todos os que aguentaram à chuva pela chegada da banda, Chris Martin senta-se ao piano para o arranque frenético de "Lovers in Japan", que contrasta em tudo com a seguinte "The Scientist", entre trocadilhos com a cidade do Porto, as luzes intermitentes e comandadas à distância (com belo efeito sobretudo visto de cima), e o passa lá, dá cá de vozes entre o público e Chris Martin. De quando em vez são disparados canhões de confetis e atiradas bolas gigantes e coloridas para o meio da plateia e o tom de festa adensa-se.

De repente ilumina-se o palco de amarelo e é a deixa suficiente para que se relembre "Yellow", primeiro despida ao piano e cantada em uníssono, depois próxima da roupagem que deu aos Coldplay o primeiro sinal sério de estrelato. A passagem por A Rush of Blood to the Head, não muito tempo depois, foi oportunidade para "God Put a Smile Upon Your Face" e para ver vincar e de que maneira as diferenças entre os Coldplay entregues ao rock e os Coldplay entregues às doçuras da música pop.

Coldplay no Porto: saiba como correu o concerto no Estádio do Dragão [texto + fotos] -


Num abrir e fechar de olhos, o concerto passa para a língua do palco marcada por um X vermelho, já bem no meio do público; não há bateria mas há uma caixa de ritmos, a voz de Rihanna e a sua imagem nos ecrãs gigantes. É tempo de "Princess of China" mas sobretudo de um momento entregue às electrónicas. Daí até "Up in Flames" tomar o seu lugar no palco é um nadinha. Mas o momento, mais do que ser de uma ou de outra canção, é sobretudo de algum intimismo (se é que isso é possível entre 50 mil pessoas).

De regresso ao palco de todas as atenções, Chris Martin dá as boas-vindas a "Don't Let it Break Your Heart", altura em que uns insufláveis semi-alienígenas de cor púrpura decidem mostrar a cara vindos das saídas de emergência do estádio e de pontos estratégicos. "Viva la Vida" surge do nada e provoca uma explosão de entusiasmo de 8.9 na escala de Coldplay. As pulseiras electrónicas (não confundir com as homónimas) piscam ainda mais intensamente, 99.7% das pessoas não têm os pés fixos no chão (e isto não é uma metáfora) porque "Charlie Brown" já se faz ouvir alto e bom som (o que lembra que o som estava realmente muito bom), num momento de contundente concisão pop. A explosão de cores de "Paradise" mostrou, se dúvidas ainda restassem, a apetência e habilidade dos Coldplay para escreverem algumas das canções mais orelhudas da actualidade: canções de peito cheio, melodicamente apuradas (mesmo na sua simplicidade), hinos de fácil identificação para esta geração.

Já no encore, sem que nada o faça prever, Chris Martin surge num pequeno palco no outro extremo do estádio e, sozinho e de guitarra acústica na mão, investe em "Up Against the World" até que, um por um, os restantes Coldplay vão chegando para vestir a canção detalhes após detalhe. Seguiu-se "Speed of Sound" na mesma toada confessional e pouco depois "Clocks" lembra tudo e todos que não existe tal coisa como os Coldplay ficarem sem hits no alinhamento. Mais: demonstra o poder de uma boa linha de piano para o alcance e poderio de uma canção pop que se quer em grande escala.

Para o final estavam guardadas "Fix You" e "Every Teardrop is a  Waterfall", momento que serviu para Chris Martin desfilar com a inevitável bandeira portuguesa e para fazer explodir no ar mais um banho de fogo-de-artifício. Última fotografia mental da noite: Chris Martin saindo do palco não sem antes o beijar de joelhos. Minutos depois do final, havia ainda quem entoasse "Viva la Vida" na tentativa de provocar o regresso da banda; Mas sem sucesso. Restou aos 50 mil trautear o êxito favorito dos Coldplay no regresso a casa: afinal de contas, as filas de trânsito à saída do Estádio do Dragão haviam de proporcionar mais uma ou duas horas para acalmar os ânimos de uma noite de emoções fortes.

Texto de André Gomes 


Fotos de Cristina Pinto Pinto
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Notícia escrita por Blitz hoje às 15:25
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