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A vida só tem sentido se for calcorreada com paixão. Quando a vida é paixão, cimentada por doses maciças de provocação aliada à escrita inspirada de belas canções, algumas pelas mais belas musas femininas, temos em todo o seu esplendor Serge Gainsbourg.
Gainsbourg na posse da sua genialidade legou um vasto acervo musical que por ignorância ou despeito de muitos continua a ser ignorado. É certo que o inglês é a língua dominante, que o mundo francófono está muito distante da influência que teve outrora em Portugal, no entanto nada justifica o quase ostracismo a que foi votada a magnífica "chanson francaise". Provavelmente muitos dos actuais consumidores de música, a última vez que terão levemente escutado esta bela língua latina terá sido através do primeiro disco de originais de Carla Bruni (actual Senhora Sarkozy) em "Quelqu'un m'a dit".
Contudo nomes da actual pop, desde sempre admitiram a grande influência que o mestre e grande provocador teve no seu percurso musical. Entre eles podem citar-se Franz Ferdinand, Beck e Massive Attack.
E agora aqueles que perdem alguns minutos na leitura de texto, dirão: "E este intróito todo, a propósito de quê?" A resposta é simples: Miss Birkin. Jane Birkin uma das muitas belas musas (o belo delicia e estimula a produção de muitas hormonas que favorecem a composição) que passaram entre os lençóis do músico francês (ávido consumidor de "Gitanes" e de produtos fermentados), esteve entre nós, mais concretamente na Casa da Música para revisitar a magnífica obra do músico francês.
O concerto começou, como sempre, à hora marcada numa sala bem composta de público. Miss Birkin entrou em palco, vestida de calça e casaco negro que cobria uma camisa imaculadamente branca.
Logo após a primeira música da noite "Requiem Pour Un Con" a actriz inglesa tirou o longo casaco preto, permanecendo até ao final com as calças negras e a camisa branca com os dois primeiros botões desabotoados e as mangas puxadas para cima.
Ao longo de uma hora e meia de espectáculo entre músicas mais ritmadas e outras num estilo mais jazzy, Jane Birkin foi percorrendo algumas das músicas mais emblemáticas da obra do mestre. Com quase 66 anos, a voz nem sempre correspondia ao registo de outrora, no entanto a performance foi secundada por uma soberba actuação de quatro excelentes músicos, todos eles de origem japonesa, que fizeram fluir um espectáculo digno de entrega em palco e de grande comunhão com o público presente.
Destaco alguns momentos vibrantes, como na interpretação doce e terna de "Ballade de Johnny Jane" da banda sonora de "Je T'Aime, Moi Non Plus"
onde sentada na beira do palco quase junto ao público mostrou como se defende uma bela canção. Este momento quase a despertava a quem ouvia, uma lágrima no canto do olho.
Outro grande momento da noite foi quando se ouvem os pequenos gritos (WIP! Des CLIP! CRAP! des BANG! des VLOP! Et des ZIP! SHEBAM! POW! BLOP! WIZZ!) de "Comic Strip" espectacularmente e incrivelmente reproduzidos pela bela violinista de seu nome Hoshiko. Mais dois momentos a destacar foram, a fíníssima interpretação de "Les Amours Perdues"e quando Miss Birkin durante a interpretação de "Mon Amour Baiser" saiu do palco e percorreu o auditório da sala Suggia para estar mais próxima daqueles que mais longe estavam do palco. Um exemplo!
Também a revisitação de "Ah! Melody" dessa obra-prima tão perversamente conceptual, de seu nome "Histoire de Melody Nelson" foi muito saudada pelo público que assistia na sala portuense. A cantora agraciou ainda os presentes com um encore, onde pontuaram as belíssimas faixas "La Chanson de Prevert", "L'Aquoiboniste" finalizando com "La Gadoue".
Refira-se que a cantora recordou que a ideia desta tour nasceu quando no ano passado após a tragédia sísmica do Japão, realizou um concerto de solidariedade em Tóquio a favor das vítimas desse desastre natural. A amizade e a inspiração surgida com os músicos japoneses levou a que se criasse o alinhamento que foi apresentado no Porto.
Parafraseando Pessoa:
Valeu a pena
?
Tudo vale a pena
.
Se
a alma não é pequena!
Alinhamento
: Requiem pour un con; Tombee des nues; Di doo dah; En rire de peur d'etre obligé ; Marilou sous la neige ; Amour des feintes ; Le couteau dans le play ; Ballade de Johnny Jane ; Con c'est con ces consequences ; Classe X ; Ces petits riens ; Une chose entre autres ; Comic strip ; Les amours perdues ; Jane B. ; Mon amour baiser ; Ah ! Melody ; Fiur le bonheur ; Haine pour aime ; Baby alone in babylone ; Les dessous chic ;
Encore
: La chanson de prevert ; L'aquoiboniste ; La gadoue.
Músicos
: Jane Birkin (voz) ; Nobu (piano e direcção musical) ; Ishiro (bateria); Hoshiko (violino); Takuma (Trompete).
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acrescento:
http://en.wikipedia.org/w...
e Balla, na Grande Mentira, por exemplo.