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O Jack White é um Rei, mas longe vai o tempo em que era preciso esperar pela chegada da morte ou então, apressá-la, para a coroa mudar de dono. O tão aguardado disco a solo do Jack finalmente está aí e após ter ouvido "Blunderbuss" sofregamente por duas vezes e meia, parece-me evidente que o trono foi entregue não a um, mas a uma dupla de novos monarcas, de seu nome The Black Keys.
Não é preciso recordar os feitos gloriosos do Jack White. Ele devolveu a suor, a emoção e a vida ao Rock e por outro lado, sendo um retrógado convicto, a sua dinastia foi dominada pelo analógico. Os White Stripes serão sempre o seu projecto mais célebre e sob o qual criou o seu nome e fama, mas o seu enorme talento haveria de expandir-se por vários outros projectos, com variados níveis de sucesso (Raconteurs, Dead Weather).
Mas tal como a história Universal, a história da música é igualmente cíclica e quis o destino que não muito tempo após o ocaso dos White Stripes, finda a digressão de suporte ao derradeiro "Icky Thump", um novo valor se levantasse, mas com uma força bastante inusitada, tendo em conta que esse mesmo valor já se movia há algum tempo por terras do tio Sam. E a culpa foi de um disco chamado "Brothers", dos supra-citados The Black Keys. Vários titulos inflamados e uma mão cheia de Grammys depois, eles eram a banda mais excitante do Rock e o Mr White via-os passar.
A crítica, na altura de espezinhar ou de louvar, não se faz de rogada e os elogios votados aos Black Keys não se fizeram esperar e inclusive, posso comprovar que li numa edição da Mojo que o revivalismo do seu Garage Rock chegava a lugares aos quais o Jack White não podia sonhar. Há exagero nestas palavras, é certo, mas a verdade é que "Brothers", produzido com a ajuda do insuspeito Danger Mouse mereceu todos os aplausos e teve também o mérito de trazer luz ao passado frenético do duo, especialista em fazer o mais cru e excitante Garage Rock que era possível.
Hoje os Black Keys são o maior e talvez mais improvável fenómeno Rock do momento e o seu disco mais recente, "El Camino" mais não fez que agudizar essa situação. Eu até entendo aqueles que dizem não gostar deste disco, pois marca um corte com a crueza e até com a maior "autenticidade" do passado, mas uma coisa é certa: "El Camino" é sem dúvida a meia hora (mais coisa menos coisa) de música mais eficaz da última década.
Seria muito bom assistir a um "combate" entre os White Stripes e os The Black Keys, mas na impossibilidade de isso acontecer, podemos estabelecer alguns paralelismos entre ambas as bandas e provavelmente concluir que ambos são projectos declaradamente "retrógrados" e se os primeiros são mais devedores do Hard blues dos 70, os segundos vão beber directamente às raízes de onde o Rock foi enxertado. (O Jack parece ser dos dois o mais "purista", uma vez que é conhecida a ligação do Dan Auerbach ao Hip-Hop).
"Blunderbuss", o 1º disco a solo de Jack White peca por não agarrar o ouvinte pelos colarinhos como o fizeram os Black Keys no seu último disco. Acredito também que essa nunca tenha sido a intenção do Jack. Esta colecção de 13 temas funciona como uma compilação dos diferentes e excelentes momentos da sua carreira artística, ora mais calmos, ora mais viscerais, mas com composições originais.
Sei que ouvirei este disco mais vezes, pois gostei dele como aliás gosto de tudo onde o Jack, esse Midas, coloca o seu génio, mas não me agarrou como eu desejava que me tivesse agarrado. Na eventualidade de pretender colocar os Black Keys em ordem, ao Jack não bastaria ressuscitar os White Stripes. Teria de trazer com ele não um "Elephant", mas um "Mamute". ou um bicho maior. É assim a vida...
Mas os críticos, esses, já vão rematando os elogios aos Black Keys, agoirando "o que farão eles a seguir...". Eles cairão sobre os pés de um outro novo nome qualquer, neste tempo em que as coisas efémeras imperam. Quem sabe se os Alabama Shakes não são os senhores que se seguem?
E o Jack White? bem, esse continuará a ser Rei :)
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Ainda não ouvi, mas já sei, sem ouvir, que vou ouvi-lo "sofregamente" também.
Não dediquei aos Black Keys metade de um terço da atenção que já dediquei ao trabalho de Mr. White. Gostei do pouco que já ouvi, mas não fez mossa suficiente ainda, para voltar lá. Do que me conheço, não me parece que isso se vá alterar, mas posso estar errado...
Quando me falam em combates, lembro-me sempre das guerrinhas totós de Blur e Oasis, Wacko e Prince, Rolling Stones vs Beatles, por exemplo, ou então dos da mtv. Bons para entreter, basicamente...
"O Jack parece ser dos dois o mais "purista", uma vez que é conhecida a ligação do Dan Auerbach ao Hip-Hop"
É como o ouço também. Se calhar é por aí que vai continuar a diferença entre o trabalho de um e de outros...
Do meu ponto de vista, o Blunderbuss é só mais uma etapa no percurso de White, é indiferente se é bom ou mau. Pode não trazer públicos novos, mas não vai alienar o espírito da coisa, para quem o quiser ouvir. É o que saiu nesta fase da vida dele, que me parece ser absolutamente ligada à vida dele...
Os Black Keys parecem ser, por enquanto, um acaso feliz. Ou dois. Mas isto é estúpido de escrever, tendo em conta que não os ouvi muito bem ainda.
Muito bom artigo, Sr. porcoespinho!
Mas a expressão REI VAI NU, leva ao clássico nortenho Foda na Moda do Rey http://www.youtube.com/wa...
Quando ouvi os Black Keys pelo primeira vez pensei que estavam ali os substitutos dos White Stripes, porque o Garage Rock, como referes, que eles tocam é muito apelativo e é concerteza uma banda a que vou prestar atenção e que me vai dar muito prazer ouvir, aliás como os Alabama Shakes que muitas publicações de música internacionais começam a falar e que talvez sejam a "next big thing" do rock como nós gostamos. Cumps.
Depois acho que actualmente a tanta coisa que o titulo de "reis" de seja o que for na musica é algo do passado.
Isto sim era artigos que deviam estar na pagina da blitz para uma discussão musical....
Eu admito sem problema que só comecei ouvir Black Keys à alguns meses atrás quando um amigo meu publicou a Tighten Up.. comecei a ouvir e devorei a discografia toda, e como já li num comentário teu, quanto mais se recua mais se gosta!
Acho o ultimo album mesmo muito bom, sempre a abrir por ali abaixo... mesmo a Little Black Submarines que é a minha preferida, começa muito calma mas arrebenta com tudo no fim. Adoro toca-la na minha cordinhas hehe
Haters gonna hate..
BLACK KEYS! Para quem não conhece, certamente fica com vontade de os ouvir depois dessa descrição feita por ti! O último álbum é bom sim, mas o "Rubber Factory" foi o que mais me agradou, não sei se por ter sido o primeiro que ouvi, que me deu logo um impacto muito positivo, se por ser mesmo uma "masterpiece". E claro, vou estar lá em Novembro! :D
Mais uma coisa, passei o dia a ouvir Alabama Shakes e até fiz uma review ao álbum que eventualmente vou publicar aqui. Atenção a esses meninos que prometem!!
como sabes os meus gostos passam mais por outros sons mas tenho acompanhado minimamente a carreira do Jack. para mim estava melhor com os White Stripes e sempre achei que quando se começa a ter vários projecto, paralelos ou não, perde-se muito a identidade. ainda não ouvi o Blunderbuss, mais logo.