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Quando chegamos, por volta das 19:30 h, a fila já contornava o estádio. No worries, fomos até à entrada e perguntamos ao people que estava na segunda posição se podíamos lá ficar com eles. Claro que sim, disseram-nos. O pessoal de Lx era fixe.
Enquanto lá estávamos a tagarelar, vimos os seguranças a acompanharem um casal até à berma do passeio. Uma espécie de Sid & Nancy '89. Parece que o rapaz tinha uma ponta e mola e, além disso, estava a tentar entrar sem bilhete... entretanto, lá ficaram a beber umas cervejas. Nós pensamos "Rock'n'Roll!". Um pouco depois, devem ter entrado no meio da confusão.
Não fazia ideia quem eram os Shelleyan Orphan. Acho que ninguém fazia. Talvez só os mais aficionados dos Cure, mas, mesmo assim, as notícias não corriam tão depressa como hoje. Depois fui ouvir o disco, que não fez mossa. Não me lembro de grande coisa do concerto, a não ser da violinista (acho) a levar com umas cuecas ou algo do género na cara. Punks being punks, yeah and all that shit... algum tempo depois percebi que tinham sido escolhidos por Smith para participarem na The Prayer Tour. O resto está na wikipedia.
Nunca tinha visto nada como a abertura, com a mítica plainsong. Mesmo. Até aí, nunca tinha visto nada assim. O palco estava característica e absolutamente coberto de fumo, e tinha luzes a piscar à toa, aqui e ali. Pensei "wooaaa"... Nessa altura, já tinha assegurado a minha posição em frente ao microfone, na segunda fila, sendo que na primeira estava uma amiga. Nada mau, para quem tinha chegado relativamente tarde. No entanto, a meio do concerto já estava em frente ao palco do lado direito e lembro-me de acabar o concerto do lado esquerdo do palco. Tenho a vaga ideia de que o Robert Smith me via passar de um lado para o outro, de vez em quando... lá pelo meio, ele lá atirava com algumas anedotas e/ou introduções para as canções. Uma foi algo do género "I went to the doctor and told him that my brother thinks he's an orange. The doctor asked me 'Where is he?' I said: he's in my pocket!"... yep... quando chegou a just like heaven, houve um colega que se passou e desata aos berros "OUB'LÁ, NUM BALE, NUM BALE!!!" histeria total. Noutra altura do concerto, houve uma miúda gótica que me pediu para subir para os ombros, para poder tirar melhores fotografias. E lá andei eu a servir de grua durante quase uma canção inteira. hot hot hot!!!
Lembro-me de ter pensado em levar uma garrafa de vinho de porto lágrima para oferecer ao Fat Bob, por causa da grande panca que tive com The B!ood, do The Head On The Door. Uma relação qualquer com o verso "I am paralysed by the blood of christ"... Mas depois, bebeu-se. Sei que ele compreenderia e desculpava.
Ter ouvido cold, three imaginary boys, kyoto song, a night like this, a novíssima Prayers For Rain... mas acima de tudo, a Charlotte Sometimes naquela altura foi mesmo muito bom. Em comparação com outras datas da mesma digressão, em Lisboa tivemos direito às estreantes homesick e untitled. Esta digressão promovia o Disintegration, que tinha chegado às lojas um mês antes.
Para comparar as diferenças com os alinhamentos dos últimos vinte e tal anos:
prayers for rain / pictures of you / closedown / kyoto song / a night like this / just like heaven / last dance / fascination street / cold / charlotte sometimes / the walk / a forest / in between days / the same deep water as you / prayers for rain / disintegration / lullaby / close to me / let's go to bed / why can't i be you?+the love cats / hot hot hot !!! / three imaginary boys / boys don't cry / homesick / untitled / Faith
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15€ para ver The Cure? Muito bom =) Ainda para mais tour de promoção ao Disintegration, que é o meu álbum favorito deles. Ai quem me dera :)
Como disse o Buendia às vezes fico mesmo triste por não ter nascido uns aninhos antes. Deve ter sido mesm mágico. E esse alinhamento, fantástico *.*
lol fiquei curiosa. Porque é que para o teu colega "num balia" a Just like keaven?
A menina gótica ao menos fez o favor de te mandar algumas fotos?
Mas pronto, contentei-me em comprar o disco no dia em que saiu. E já em CD!!
E o alinhamento... maravilhoso; ainda não tinham começado a compor más músicas.
Foi precisamente, a partir daqui que deixei de comprar os discos dos Cure (os "recentes" como lhes chamo - pós Desintegration)
Dá vontade de ouvir mais os the Cure...
Abraço
Na altura,eu ouvia outro tipo de sonoridades e também tenho algumas experiências semelhantes à que aqui retrataste.Só não as reproduzo aqui,como já o fiz noutros locais,porque contêm referências pessoais e a pessoas concretas.Efectivamente,para a nossa geração(devemos ser mais ou menos da mesma idade),estes concertos revestiam-se de uma componente quase mistica,dificilmente comparável e explicável nos dias de hoje,em que os concertos são mais que muitos e para todos os gostos.
Nesta altura assistia-se a um concerto por ano,ás vezes de dois em dois anos até!
Embora eu também recorde com saudosismo e alguma nostálgia, em doses QB,esses tempos,ainda bem que as coisas mudaram e hoje a música está mais "liberalizada" e ao alcance de(quase) todos.
Pena é que,por vezes,os consumidores de música não sejam respeitados por quem promove os concertos,como aconteceu ainda ontem relativamente aos Mastodon.
Excelente recordação.
Abraço!