Sudoeste TMN: reportagem e fotos do 4º dia, 7 de agosto
The National intensos e Interpol pouco inspirados. Neon Indian foram os vencedores do palco secundário. Estiveram 42 mil pessoas no último dia do Sudoeste TMN.
Chega hoje, 7 de agosto, ao final a edição deste ano do Sudoeste TMN 2011.
The National, Interpol e Zola Jesus são alguns dos artistas em destaque no adeus à Zambujeira do Mar.
Acompanhe a reportagem da BLITZ, em atualização permanente, e consulte o horário dos concertos.
7 de agosto
PALCO TMN
Swedish House Mafia - 02h00
The National - 00h10
Interpol - 22h00
Filipe Pinto - 21h00
Palco Jogos Santa Casa Planeta Sudoeste
Neon Indian - 00h15
Zola Jesus - 23h00
Givers - - 21h15
Pollock - 20h15
Ultimate Reggae Bashment: Supersonic vs Herb-a-Lize t - 02h30
Firestarter Sound - 01h40
Inner Circle - 23h40
Konshens - 21h40
Souls of Fire - 20h10
Sudoeste 2011: as últimas tendências em óculos de sol
Sangria e "poker faces" no campismo
Preparada a rigor - para lavar a louça
Sairão casados do Sudoeste TMN?
Missão chuveiro, no regresso da praia
21h08
- Às horas a que a BLITZ chegou ao recinto, eram já alguns os que se preparavam para abandonar o campismo. Entre malas e almofadas impróprias para consumo, cruzamo-nos com o "homem papel higiénico" e o "homem cabeça de caixa de cartão", pessoas a grelhar pimentos e fila para aquele que será um dos últimos duches do festival. No canal, são poucos os que se aventuram a mergulhos, porque a temperatura da água aparentemente não está muito convidativa.
No recinto, o palco Planeta Sudoeste abriu ao som dos espanhóis
Pollock
, que tentam combater o cansaço estampado na cara dos poucos que assistem à atuação. Com o álbum
Getting Down From the Trees
para apresentar, o quinteto faz bater o pé com o seu pop/rock gingão, enquanto a metros de distância os portugueses
Souls Of Fire
lhes fazem concorrência forte no palco Positive Vibes. O projeto de "Só Não Vê Quem Não Quer" atrai muita gente ao espaço reggae, que, apesar de continuar a ser um festival dentro do festival, este ano não tem registado enchentes tão grandes quanto em anos passados.
No palco principal,
Filipe Pinto
, vencedor de
Ídolos
, acaba de cantar "High and Dry", dos Radiohead.
23h54
- Por incrível que pareça, os norte-americanos
Givers
e
Zola Jesus
parecem ter algo em comum: o amor por Portugal. Enquanto os primeiros dizem "Portugal é o nosso sítio favorito do mapa neste momento. Honestamente", a segunda não foi de modas e exclamou, já na reta final do concerto, "Posso dizer-vos um segredo? Portugal é um dos meus países preferidos no mundo inteiro". Fora isso, poucos pontos em comum terão os dois projetos.
Vindos do Louisiana, os Givers apresentaram o recém-editado disco de estreia,
In Light
, e atraíram alguns curiosos. Adeptos do ukulele (a única menina da banda desdobra-se entre vocalizações, o instrumento de raízes portuguesas e a percussão), os Givers mostram o quanto são fãs dos Vampire Weekend em temas como o saltitão e explosivo "Up Up Up" (que encerrou a atuação) ou "Ceiling of Plankton" e também o seu lado mais intimista em "Ripe".
Zola Jesus entrou em palco discreta - tanto quanto o cabelo louro platinado e o vestido branco esvoaçante permitiram - e rapidamente mostrou que o corpo franzino engana-nos até ao momento em que decide mostrar a força das cordas vocais. A voz está lá e as canções até conseguem ser interessantes, a prestação ao vivo é que deixa a desejar. Tirando "Sea Talk" e "Night", reservados para a parte final do concerto, poucas foram as vezes que conseguimos sair do transe em que a artista norte-americana (de ascendência russa) nos deixou.
Percorreu o palco de um lado ao outro, ajoelhou-se para cantar na frente do palco e raras vezes mostrou uma ligação aos músicos que a acompanham (um baterista e outros três a dar fogo aos ambientes sintetizados das canções) ou ao mundo que a rodeia. Fechada num mundo que nos parece artificialmente esquizóide, Jesus repetiu vezes sem conta movimentos desconfortáveis enquanto cantava "I Can't Stand" e "Stridulum", deixando ainda mais evidente o corte que há entre a intensidade dos temas e capacidade que tem para os defender.
00h00
- Comparada com a multidão de noites anteriores, como as que se juntaram para ver Kanye West, Snoop Dogg e David Guetta, a plateia que se junta frente ao palco principal para ver os
Interpol
não é embaraçosa, mas também não impressiona, nem em número nem em atitude. Quarta noite de Sudoeste é sinónimo de final de festa, e o cansaço nota-se na rapaziada que assiste atenta, mas passivamente, ao concerto dos nova-iorquinos.
De corte fino e sensual, as canções dos quatro discos vão-se sucededendo com eficácia e rigor; não há improviso nem nada que distinga estas versões de "Say Hello To The Angels", "Slow Hands", "Evil" ou "Barricade" daquelas que ouvimos nos álbuns. Paul Banks, o vocalista que agora usa, como ouvimos ao nosso lado, "cabelo à Raúl Meireles", não se esforça por comunicar com o público e a atitude que a banda deixa transparecer é mesmo de algum enfado. Os Interpol nunca foram a banda mais efusiva ou espontânea ao vivo, mas esta noite pareceram pouco motivados, talvez por sentirem estar a tocar fora do seu habitat, ou talvez porque as mudanças recentes no alinhamento do grupo (trocaram duas vezes de baixista) tenham aberto alguma brecha na coesão do conjunto. Lamentamos, porque até do último disco, pouco amado no conjunto da obra, gostamos bastante - "Lights", o primeiro single, voltou a portar-se bem - mas estes 60 minutos "a despachar" da trupe americana, rematados por "Not Even Jail", não constarão no nosso álbum de melhores recordações do Sudoeste TMN.
01h15
- A primeira imagem que retemos do concerto dos texanos
Neon Indian
é a do vocalista Alan Palomo a moldar o som do seu theremin e rapidamente percebemos que o momento vai ser especial. Com ar de quem ainda não saiu da adolescência e de quem não parte um prato, o quarteto colorido fez a festa com muito pouco público mas muito amor para dar.
"Sei que é o último dia de festival e que já meteram muita droga e beberam muito álcool, por isso obrigado por estarem connosco", disse o enérgico vocalista antes de apresentar um tema do novo álbum,
Era Extraña
, com edição prevista para o próximo mês. Os ritmos envolventes de "6669 (I Don't Know If You Know)", com a voz de Palomo embrulhada em reverb, e os ambientes sintetizados de "Deadbeat Summer" puseram a audiência a dançar.
02h00
- Das 10 vezes que já vimos os
National
ao vivo, três foram no Sudoeste. Não deixa de ser curioso, uma vez que o festival alentejano, na sua ligação à praia e às férias mais estivais, não é o cenário que mais depressa associamos à música dos homens de "Friend of Mine". Contudo, de todas as vezes que o seu "tour bus" parou na Zambujeira, os National conseguiram marcar, de formas distintas: em 2007, à boleia da popularidade de
Boxer
, deram um concerto tão à flor da pele que até hoje se desculpam por ele; em 2009, já a queimar os últimos cartuchos de
Boxer
, ttestaram algumas canções de
High Violet
, como "Bloodbuzz Ohio" e "Vanderlyle Crybaby Geeks", e hoje à noite lutaram contra a multidão que aguardava os Swedish House Mafia, conseguindo entusiasmar um ou outro cavalheiro de boné nos momentos mais energéticos, como "Abel" ou "Mistaken For Strangers".
Se, por um lado, Matt Berninger e os irmãos Dessner não se cansaram de agradecer a Portugal "por serem sempre tão maravilhosos connosco" (e até a senhora do hotel onde ficaram hospedados teve direito a dedicatória), por outro sentiu-se algum desconforto da banda em relação a uma plateia onde os fãs com as letras na ponta da língua ombreavam com festivaleiros que dizia, textualmente e para nosso conhecimento, "eu estou-me a cagar para isto!".
"Nós adorávamos tocar todas as músicas que vocês nos pedem, mas a memória do Matt não é assim grande coisa", brincou Aaron Dessner, comprovando o que o vocalista nos disse em entrevista - a ler numa das próximas edições da BLITZ - sobre os entravess a mexer no alinhamento dos concertos. Esta noite, ainda assim, houve algumas surpresas, como a bonita "Son", resgatada ao primeiro disco, e "Available", que Matt Berninger descreveu com "uma das canções mais amargas e maléficas" do grupo, logo, difícil de se cantar quando se está bem-disposto.
A custo, e depois da sempre evocativa "Fake Empire", o concerto chegou ao encore. "Este foi o aplauso para encore mais fraco que alguma vez tivemos", desabafaram os National, antes de, generosamente, nos aconchegarem os lençóis com a incontornável (e ginasticada) "Mr. November"; "Terrible Love", tema sufocante do último disco, capaz de ombrear com os maiores hinos da banda, e o batimento cardíaco em repouso de "About Today". Curiosamente, foi com este momento de acalmia que um fã de Swedish House Mafia, pacientemente à espera da sua banda, ao nosso lado, pareceu ficar mais intrigado. Iremos assistir a uma conversão?
Minutos antes, Matt Berninger sentara-se na beira do palco para começar a cantar "Terrible Love", de expressão facial impassível e com os balões violeta e branco onde alguém escrevera "High Violet" e "It takes an ocean not to break" na mão. A certa altura, larga-os rumo ao céu sem estrelas da Herdade da Casa Branca, e o efeito, simples mas cativante, compensa a teimosia de quem aguentou ficar até ao fim e ver a sua banda predileta em ambiente hostil. Valeu.
02h43
- Aos
Swedish House Mafia
coube as honras de encerramento da edição deste ano do Sudoeste TMN. Em palco, dois terços do trio sueco (Axwell não veio) fazem tremer o chão da Casa Branca com batidas fortes entrecortadas com temas remisturados de Coldplay (o mais recente single "Every Teardrop Is A Waterfall"), R.E.M. ("Losing My Religion") ou Red Hot Chili Peppers ("Otherside", recuperado a
Californication
). Apesar de estar visivelmente menos gente esta noite no recinto, os que estão reagem em peso ao repto da dupla, para que o fim seja memorável.
Textos de Lia Pereira e Mário Rui Vieira
Fotos de Rita Carmo/Espanta Espíritos