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Falar de 30 anos de música em Portugal é falar dos melhores artistas, é não esquecer que existe Rui Veloso, Xutos & Pontapés, UHF, Mão Morta e GNR. Não posso ser hipócrita ao ponto de falar de 30 anos de música em Portugal, já que grande parte destes artistas apanhei-os nos picos da sua criatividade. Muitas outras bandas ficaram pelo caminho, muitos foram aqueles que deitaram as toalhas ao chão e deixaram de acreditar em fazer música em português. É claro que grande parte dos êxitos encontra-se em várias colectâneas que alguém insiste que temos de tomar conhecimento deste grande passado. Muitas destas bandas esquecidas, hoje em dia reagrupam-se e aparecem de novo, e dão novas roupagens a êxitos que outrora pertenciam a outras gerações. Faz bem respirar estes ventos de mudança, estar presente e viver aquilo que os nossos pais se identificavam quando nós éramos ainda projectos de pessoas.
Falando mais em mim e no meu percurso, eu fui apanhando algumas destas referencias com os vinis em casa, principalmente o Rui Veloso "Ao Vivo" (1987), os Xutos & Pontapés "Ao Vivo" (1988) e os GNR "In Vivo" (1990). E desta forma o meu conhecimento nos tempos da minha inocência construía-se com êxitos que passaram gerações e gerações e que nos dias de hoje ainda fazem sentido.
Como o grande Rui Veloso á muito fez os seus 30 anos de carreira, e os Xutos & Pontapés terem a minha idade, este ano 2011, os GNR celebram os seus 30 anos de existência.
O meu despertar pelos GNR começou logo com o "Rock in Rio Douro" (1992) com as músicas "Sangue Oculto", "Pronuncia do Norte", "Ana Lee" e "Sub-16". Se eu quando ouvia "Valsa dos Detectives", "Dunas", "Efectivamente" e "Vídeo Maria" não percebia as mensagens que Rui Reininho cantarolava, pois, em cada estrofe era uma mensagem diferente de todas as outras estrofes, o "Rock In Rio Douro" fez-me gostar ainda mais das escritas de Reininho, faziam-me sonhar, faziam-me gostar mais de entender os nossos imortais como Fernando Pessoa, Bocage entre outros. Essas personagens que foram boémios nos seus tempos e que também escreviam por códigos para que só alguns entendessem as suas mensagens. Rui Reininho agarrou um pouco destas influências e transcrevia os seus sonhos em papel de um Portugal actual. Fica bem na biografia desta banda, o único grupo de rock que enche o estádio de Alvalade em 1993, quando se ouvia os velhos do restelo que cantar em português estava fora de moda.
Mas nem tudo nos GNR é perfeito, houve tempos que os deixei de lado nas minhas preferências. "Sob Escuta" fez-me torcer o nariz e dizer que não era um bom disco. Começa aparecer os primeiros "afilhados" e seguidores das escritas de Reininho. Só em 1998 é que voltei a ouvir de novo GNR com o álbum "Mosquito", foi na altura que o próprio Rui Reininho, Jorge Romão e Toli descobrem novas formas de seduzir em cantar em português. Foi um álbum que devorei até mais não, afinal os velhinhos sabem bem-fazer música. "Tirana" e "Saliva" encantam... E assim fui seguindo o percurso lento da carreira dos GNR, "Popless" (2000) e "Do Lado dos Cisnes" (2002) foram dois álbuns aquase feitos em simultâneo onde mostram o lado do "mastiga e deita fora" mas abraçam um lado mais elegante e excêntrico de fazer boa música. Para trás ficam o vídeo de "Popless", "Asas Electricas" que fazem parte do primeiro telefilme da Sic "Amo-te Teresa", "Sexta-Feira", "Oculos Escuros" e "Tu não existes" ficaram na história. Ainda para acrescentar a biografia dos GNR, os 25 anos de carreira foram marcados pelo tributo a nova geração do Hip Hop que homenagearam os GNR no albúm "Revisitados" e a colectânea "ContinuAcção". Para ser sincero, estes álbuns passaram ao lado no meu percurso, tal e qual como o regresso deles em 2010 "Retropolitanea"
Este ano, 2011, editam um álbum de músicas já conhecidas mas com novas roupagens e novas formas de interpretar os temas que para eles, Rui Reininho, Toli e Jorge Romão são músicas menos conhecidas do reportório. E com um original "Voo Domésticos". Que venham mais 30 anos...
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