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Festival Marés Vivas (MV TMN): reportagem do 2º dia, 15 de julho [texto + fotogalerias] -
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Festival Marés Vivas (MV TMN): reportagem do 2º dia, 15 de julho [texto + fotogalerias]

20 mil viram Expensive Soul, Skunk Anansie e Moby na segunda etapa do festival de Gaia. Leia a reportagem e veja as fotos.

Sabe-se que o Marés Vivas entrou realmente no roteiro dos festivais quando se encontra gente com sotaque muito lá do Sul no meio do Porto a contar ao telemóvel como foi a noite anterior. É só um indício, mas mostra que já há quem faça a viagem.



Quanto à segunda etapa, teve 20 mil espetadores e foi começada pelos Expensive Soul com a sua fábrica de veludo. A força laboral é grande, composta por 13 elementos em palco, todos com folha de serviços impecável. À frente estão Demo e New Max, interpretando papéis distintos: o primeiro é o agitador, New Max é o homem da pose imperturbável. O resto dos elementos compõe a Jaguar Band.

Os Expensive Soul nunca tiveram problema em encher um palco, desde o início, e num concerto como este, no palco maior de um festival de Verão, isso ficou provado. Com três álbuns no currículo, têm agora temas suficientes para um concerto com as modulações necessárias, bastando-lhes dosear os ritmos para que o público os vá seguindo. E realmente isso foi acontecendo. Demo fez de tudo para obter reacções, às vezes com tiradas tão certeiras como "pessoal, esta é para o Facebook, toda a gente com os braços no ar!".



Com o novo álbum em rodagem, é natural que muitos dos temas tenham vindo daí, entre os quais "O Amor É Mágico", "Tem Calma Contigo" e "Deixei de Ser Bandido". Dos outros álbuns vieram as canções de resposta mais imediata, como "Faz Esse", "Hoo Girl", "Eu Não Sei" e "Brilho". Lá para o fim, New Max lançou uma tirada que dizia muito, qualquer coisa como "Nós somos os Expensive Soul e a Jaguar Band e fazemos música nacional". E fazem-no bem.

A seguir vieram os Skunk Anansie, liderados por Skin. É inevitavelmente nela que se concentram as atenções, quanto mais não seja pela aparência espacial com que entrou em palco. Ao princípio ainda teve um corpete com relâmpagos cristalizados, mas depois reduziu o aparato a um fato justo e reluzente. O resto foi feito com magnetismo pessoal, às vezes partilhado com o público através de crowd surfings (três, pelo menos). O resto da banda faz por parecer que não está lá, mas a precisão matemática com que debita os temas mostra que não está a dormir.



O concerto começou impetuoso, com "Yes It's Fucking Political", seguindo-se "Charlie Big Potato" e "Because of You". Pouco depois, "Secretly" gerou o burburinho que se esperava, com iguais réplicas em temas como "Weak", "Twisted (Everyday Hurts)" e "Hedonism". Para o fim, Skin guardou um tema que dedicou a todos os povos que combatem as suas governações, no que incluiu o Egito e a Líbia, mas também a Irlanda. O tema em questão foi "I've Had Enough".

Sobre Moby, a quem coube terminar a noite, é preciso começar por saber uma coisa: ele nunca agradece uma só vez. Diz pelo menos três "thank you" ou "obrigado", mas a contagem pode chegar aos dez. Também tira fotografias ao público e só termina quando acha que a multidão saiu beneficiada. Além do mais, é um homem trabalhador, repartindo-se em tarefas na guitarra, percussão e teclados. E canta.



Da primeira vez que veio cá, Moby ainda era um rapaz a brincar com o tecno e a tentar que as suas batidas chegassem ao Guiness Book. Conseguiu duas coisas: entrar realmente no Guiness e esvaziar injustamente o então chamado Rockódromo das Antas, constando ainda que a polícia cortou a energia por excesso de ruído - foi em 1998, num Imperial ao Vivo por onde passaram também Nick Cave e os Pulp. Hoje, as coisas são bem mais dóceis, até porque pelo meio houve álbuns como Play e 18 .

Este concerto fez uma ligação entre as várias fases da carreira de Moby, que são bastante variadas. Isso implica alguns momentos de house fm discutível no meio de fases brilhantes. Como não poderia deixar de ser, esses bons momentos surgem quase sempre com os temas de Play , com picos de actividade no público em "Porcelain", "Honey", "Bodyrock" e "Natural Blues". Mas houve temas de outros álbuns a resultar, como o antigo "Go" e "We Are All Made of Stars", este apresentado como o primeiro tema de música disco sobre mecânica quântica. Pelo meio ainda foi feita uma brincadeira bossa nova com "Lie Down in Darkness".

No encore, teve-se direito a uma versão de "Whole Lotta Love", no início mais bluesy e final em apoteose à Led Zeppelin. O concerto acaba com aquilo a que Moby chamou de hino rave: "Feeling So Real". Amanhã há mais.

Texto: Sérgio Gomes da Costa
Fotos: Cristina Pinto Pinto
Notícia escrita por LG Sábado, 16 de Julho de 2011 às 9:59
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