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Super Bock Super Rock: 1º dia, 14 de julho [reportagem e fotos] -
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Super Bock Super Rock: 1º dia, 14 de julho [reportagem e fotos]

30 mil espetadores na primeira noite do SBSR (números da organização). Três dias do festival estão esgotados. Arctic Monkeys dominaram arranque do SBSR no Meco.

Veja aqui a reportagem do primeiro dia do Super Bock Super Rock 2011, com Arctic Monkeys, Lykke Li, Beirut e The Walkmen, entre outros.
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20h09

A equipa BLITZ chegou ao terreno, duas horas depois de sair de Lisboa. Pelo caminho, estabelecemos contacto com um agente da GNR que dizia estar "farto de carros", com um condutor de autocarros da TST que culpava as "autoridades" pelo facto de demorar três horas a fazer uma viagem que podia fazer em pouco tempo (recordando também a experiência que teve no ano passado: "Estive no Rock in Rio Madrid em serviço e isto não era nada assim"), e também com a condutora do automóvel que seguia à nossa frente e insistia em descair para cima da nossa viatura.

A chegada ao recinto foi feita ao som de Sean Riley and the Slowriders , a quem coube a honra de abrir o palco principal (e o festival). O projeto de Afonso Rodrigues foi brindado com uma pequena enchente frente ao palco, que recebeu de braços abertos o novo álbum It's Been a Long Night . Problemas com a guitarra à parte, temas como "Silver" ajudaram a aquecer os ânimos.

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A brincar, a brincar, a banda do eixo Leiria-Coimbra já conta com um belo repertório: "This Woman", do álbum anterior, a nova "Silver" e a delicada "Harry Rivers", que assinala a despedida de Sean Riley, são, à partida, canções noturnas mas, aqui, parecem dilatar-se com o calor, e com o espaço, conquistando a "planície" do Meco com meia dose de melancolia, meia dose de força.

21h27

Quando os Walkmen subiram ao palco - com Hamilton Leithauser, o vocalista e ocasional guitarrista, "guapíssimo" num fato cinza muito claro - ainda o sol acariciava os muitos presentes frente ao Palco Super Bock. Quando os nova-iorquinos se despediram de Portugal, onde já descobriram ter um ninho quente à sua espera, a lua - perfeita, redonda, cheiíssima - sobrevoava já os pinheiros do Meco. Pelo meio ficou um concerto de festival. Expliquemo-nos: a música dos Walkmen, de intensidade e arrebatamento singulares, pede que dela disfrutemos como quem leva com uma onda na cara, a meio de um dia escaldante de praia. Foi assim no Coliseu, no ano passado, não foi assim, compreensivelmente, esta noite.

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Num concerto de festival há de tudo - o fã empedernido que não falta a uma aparição da sua banda favorita; os grupos de amigos (verdadeiros ou daqueles que acabam de se conhecer) que põem a conversa em dia, por vezes num volume que concorre com o que vem do palco; gente (muita) que só está ali a guardar lugar para Arctic Monkeys ou Kooks. E até quem decida ficar de cuecas à nossa frente, trocando os calções diurnos para a calça da noite. Conclusão: apesar da boa reação a "On the Water", que com a sua tranquilidade enganadora abriu o serão, "Woe Is Me" ou "Juveniles" (com o sol destas guitarras a passar mais perto do cenário do Meco), este não terá sido o concerto com mais sintonia entre a banda e o público. Não deixam de ser uma banda estrondosa - basta apanhar "In the New Year" ou a obrigatória "The Rat" ao vivo para percebê-lo - e aquela postura passivo-agressiva de Hamilton Leithauser conquista-nos ao primeiro momento, mas saem beneficiados quando tocam com menos caos em redor.

Sim, há muita, muita gente a circular no recinto do Super Bock Super Rock. Se ainda vem a caminho, traga uma dose extra de paciência, quer para as filas de trânsito quer para o tráfego humano, nem sempre ordeiro, do lado de cá da barricada.

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22h20
Os britânicos The Kooks estão neste momento a terminar uma atuação muito aplaudida no palco principal do Super Bock Super Rock. Antes de assistirmos ao concerto da banda liderada por Luke Pritchard, fomos pela primeira vez ao palco secundário - estreado este ano pelos portugueses The Glockenwise - para espreitar os Tame Impala . O projecto australiano, que editou no ano passado o primeiro álbum Innerspeaker , subiu ao palco já começava a anoitecer, mas ainda teve tempo para apreciar os últimos raios de sol enquanto a lua, cheia, se tornava cada vez mais brilhante. "Isto é muito bonito. O céu, a lua cheia. Fantástico", disse às tantas o vocalista Kevin Parker.

De calções e t-shirt, os Tame Impala foram mostrando as suas composições psicadélicas, cheias de distorções, e atraindo cada vez mais público. A fazer lembrar uns Radiohead em inícios de carreira - mas muito menos diretos ao assunto - a banda alternou entre a guitarra forte de "Solitude is Bliss", as cordas em espiral de "Alter Ego" e "Expectation", um dos singles do disco de estreia. É aqui que nos apercebemos da quantidade de estrangeiros, especialmente espanhóis e ingleses, que nos rodeia.

Frente ao palco principal serão, com certeza, também muitos os ingleses que acorreram à chamada para assistir à atuação dos Kooks . As canções gingonas do quarteto de Brighton deixaram o público em polvorosa (especialmente o feminino), que se juntou ao refrão de temas como "See the World", logo no início, "Ooh La" ou a balada "Seaside" (cantada de fio a pavio por um coro avolumado - "Sabem esta, não é?", atirou, provocante, o vocalista).

A voz esganiçada de Pritchard e a atitude jovial da banda caíram que nem ginjas no início desta noite de verão que ameaça tornar-se bastante quente. Entre os temas mais antigos, a banda foi apresentando canções novas, que sairão no próximo registo de estúdio. "Junk of the Heart", tema que dá título ao terceiro álbum (nas lojas em setembro) foi uma das novas composições que mais sucesso fez, mas foi "The Saboteur", também nova, aquela que deixou o público a abanar a cabeça, como que sentado frente a uma fogueirinha. "She Moves in Her Own Way" e "Naïve" ajudaram a terminar a festa em grande.

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22h30 - Pablo Díaz-Reixa, mais conhecido como El Guincho , traz dois músicos consigo para dar vida, em palco, às músicas de Alegranza! e Pop Negro , os seus dois álbuns. Natural das Canárias, o espanhol não anda longe das expedições mais eletrónicas dos Animal Collective, mas partindo de uma receita similar abusa, e bem, das doses de tropicalismo, psicadelismo e colorido exuberante. Ao comando dos teclados, da caixa de ritmos e da voz - suave, simpática - , El Guincho (nome inspirado num pássaro que vive nas Canárias mas também nos Açores) faz música que aponta mais para as ancas do que para o cérebro, e o seu sorriso mediterrânico (visto que agora vive em Barcelona) atrai muita, e mui dançante, gente ao Palco EDP.

22h50 - A caminho do Palco Super Bock, onde encontraremos os Arctic Monkeys, constatamos que a iluminação no recinto continua longe de brilhante (passe a piadola). Na via sacra para as casas de banho, é possível cruzarmo-nos com conhecidos que tomamos por vultos (seria nisto que Matt Berninger estava a pensar quando escreveu "Mistaken For Strangers"?). Há muito entusiasmo, muito traje caprichado, mas também a sensação de que este recinto não comporta tanta gente. Em comparação com a edição do ano passado, também o pó se mantém e, a pensar nele, muitos festivaleiros trouxeram já máscaras e lenços protetores.

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Há pelo menos uma coisa admirável nesta primeira noite de Super Bock Super Rock, no Meco: que uma plateia a perder de vista (não temos ainda os números oficiais, mas podemos dizer, a olho nu, que em 2010 Prince não atraiu tanta gente) se reúna para ver Beirut e o seu interrail balcânico-tex-mex é tão bonito como inacreditável. A lua, já o dissemos, está cheia e é a primeira imagem que surge no ecrã gigante quando, com pontualidade britânica, o norte-americano entra em palco às 22h00. Consigo, o jovem Zack Condon ("Tem quase 25 anos! É um americano boa onda!", apresentava um espetador à amiga) traz banda munida de relíquias que, há alguns anos, não imaginaríamos a fazer tão boa figura no meio de um festival rock: o seu fliscorne e cavaquinho, acordeão, por vezes com efeito percussivo, contrabaixo. E traz também um sorriso de satisfação por estar de regresso a um país onde sabe ser estimado (no ano passado teve uma receção comovente no Sudoeste TMN). A lua, a simpatia, a música doce a rimar com noites de verão: tudo convida ao romantismo mas, uma vez mais e não querendo ser demasiado puristas, é complicado entrar na bolha de Beirut a menos que estejamos nas primeiras filas, onde se concentram os fãs profissionais. O recinto está, acreditem-nos, a abarrotar e é muito complicado não só circular, como assistir aos concertos com atenção. Boa parte dos presentes entretém-se a tirar fotos (para atualizar perfis no Facebook?), a pôr a conversa em dia e, em suma, a ignorar muito do que se passa em palco, prejudicando também a fruição musical dos vizinhos. Falar em conversas cruzadas é pouco: no Meco vingam as conversas gritadas e a dispersão de ruídos e de atenção está mais próxima do ambiente de um Sudoeste do que daquilo que nos lembrávamos do SBSR.

Há sinais em sentido contrário, claro: em palco, Beirut não se deixa intimidar pelo ambiente de enorme recreio social (possivelmente agradece e alimenta-se até da energia do público) e entrega-se de corpo (franzino) e alma (cheia) a músicas celebradas como grandes clássicos: "Santa Fe", "A Sunday Smile", os momentos mais hispânicos em que se ouvem "olés!" (não precisávamos deles para notar o volumoso, e bem audível, contingente espanhol), a nova "East Harlem", "Elephant Gun", "Nantes" - todas elas são o tipo de canção para erguer mãos aos céus e/ou telefonar aos amigos e partilhar ao momento. Ao nosso lado, um garoto que não podia ter mais de 8 anos apreciava, com calma e propriedade: "Esta canção é espectacular!". Bonitos de ver, o seu civismo e emoção. Pena que já não se usem em muitos espetadores (pouco) mais velhos.

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01h40
A sueca Lykke Li acaba de encerrar em grande as atividades no palco secundário. Com uma atuação baseada principalmente no segundo - e belíssimo - Wounded Rhymes , a artista conseguiu deixar a plateia a seus pés (e era em grande número, até ao momento em que os Arctic Monkeys tomaram conta do palco principal). Com um vestido negro curto (o negrume imperou também nas vestimentas da banda que a acompanhou), Li mostrou mais uma vez que não se deixa intimidar em palco e dançou, atacou o bombo e os pratos que tinha só por sua conta, gritou num megafone e deixou-se até cair para o chão no momento mais dramático da atuação, pós "Rich Kids Blues", uma das canções mais poderosas de Wounded Rhymes . Só voltou à vida com "Silent Shout", inesperado momento roubado aos conterrâneos The Knife.

O exotismo de "Jerome", com Li a apresentar-se com um véu negro a cobrir-lhe a cabeça, abriu em grande um concerto que, entre fumo e panos negros esvoaçantes, prosseguiu com "I'm Good, I'm Gone" mais lento e sedutor que a versão de estúdio e o solene "Sadness Is a Blessing". Comunicativa na medida certa, Li dirigiu-se ao público para o incentivar a dançar ou a acompanhá-la nos refrões de temas como os agitados "I Follow Rivers" e "Dance, Dance, Dance". O momento intimista - quase fúnebre - chegou com "I Know Places" e voltou depois com "Love Out of Lust", interrompidos apenas pelas eletrónicas irrequietas de "Little Bit".

Para o fim, ficaram reservados "Until We Bleed", que Li gravou com Kleerup, e os mais dançáveis "Youth Knows No Pain" (com um interlúdio que revisitou "Power", de Kanye West) e "Get Some", num momento "Lykke Li gone wild". Não sabemos quanto aos dias que se seguem, mas Li foi a mulher que dominou esta primeira investida do Super Bock Super Rock de 2011.

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00h35
Dez minutos antes do anunciado, os Arctic Monkeys tomam o palco de assalto e sabemos disso porque a zona de imprensa onde ainda estamos trepida toda, com a violência da bateria-trovão de Matt Helders. Os quatro frescos ingleses, cabeças de cartaz desta primeira noite de festival, servem-se de "Library Pictures", do disco novo, para abrir hostilidades (o lugar-comum justifica-se, tal é a violência do arranque). Aproveitando a corrente elétrica debitada logo assim à primeira, lançam-se em "Brianstorm", o peso pesado do segundo álbum, e "This House Is a Circus", seu vizinho. Só depois desta roda dentada inicial paramos para ver bem Alex Turner, de blusão de cabedal à estrela rock, e ele para nos ver a nós: parecemos todos muito bonitos vistos do palco, jura. Cobertos de pó dos pés ao cabelo, duvidamos, mas o povo exulta. Já tínhamos entendido que a plateia, esta noite, não estava em modo contemplativo, razão pela qual o concerto dos Arctic Monkeys - 20 canções enxutas, apresentadas de forma escorreita e sem direito a grande palavreado - foi o mais bem sucedido da jornada. A energia que os espetadores - 30 mil, segundo a organização - tinham em parte acumulado até então, durante os concertos de Walkmen ou Beirut, pôde por fim ser libertada. Os momentos de maior loucura chegaram com as músicas dos dois primeiros discos - é impossível negar que "I Bet You Look Good on the Dancefloor", "Fluorescent Adolescent" ou especialmente "When The Sun Goes Down" já são clássicos do indie rock dos últimos 10 anos. Se avaliarmos o êxtase popular com base nas nuvens de pó causadas pela dança/mosh, daríamos a todas estas canções a classificação de cinco nuvens de pó em cinco. Contudo, também as mais velozes das músicas do novo disco, como "Brick by Brick", cantada pelo baterista Matt Helders, ou "Don't Sit Down Cause I've Moved Your Chair" foram rapidamente reconhecidas e celebradas de forma efusiva por uma multidão numerosa e palpitante.

Os Arctic Monkeys, sabemo-lo bem, não são uma banda de muitos truques. Pouco falam com o público, não apresentam um jogo de luzes faustoso ou um cenário de alta tecnologia, e são, apesar de um carisma que emana mais da música para os autores do que vice-versa, rapazes discretos. Mas também têm, aos 25 anos e com quatro álbuns no bucho, um cancioneiro personalizado e generoso do qual podem retirar canções tão recomendáveis como "Suck It and See" e "Hellcat Spangled Shalalala", doces e luminosas, ou "Crying Lighting" e "All The Pretty Visitors", mais sombrias e sinuosas. E ainda se dão ao luxo de acabar com "505", porventura uma das melhores músicas e letras em que Alex Turner já colocou a sua voz e a sua assinatura, perante uma plateia em êxtase. Privilégios de uma banda à qual todas as peles parecem ficar bem.

2h27 - O público encaminha-se para a saída. Não vai ser fácil ou rápido abandonar o recinto e chegar a casa, em noite de enchente. A Música no Coração adianta que estiveram 30 mil pessoas nesta primeira noite e que todos os dias do festival, que acaba no próximo sábado, estão esgotados.

As dificuldades no acesso à internet na zona de imprensa estão a atrasar a colocação de fotos on-line.

Texto: Lia Pereira e Mário Rui Vieira
Fotos: Rita Carmo/Espanta Espíritos

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Notícia escrita por MRV Domingo, 17 de Julho de 2011 às 18:00
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