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Até há relativamente pouco tempo nunca tinha ouvido grande coisa de Underoath. Para mim era aquele tipo de banda que "dá para ouvir", mas era só mais uma no meio de outras 500 bandas de post-hardcore.
No outro dia encontrei, na imensa colecção de discos de um amigo meu, o Cries Of The Past. Nunca tinha ouvido falar daquele álbum deles e fiquei de imediato curiosa, até mesmo pela capa, que por alguma razão me prendeu a atenção. Pedi-o emprestado a esse meu amigo e, quando mais tarde o ouvi, fiquei tão surpreendida pela diferença entre aquele registo e os mais recentes dos Underoath, que me custou a acreditar que era a mesma banda...
É o 2º álbum dos Underoath e data de 2000, e não é nada daquilo que estamos habituados a ouvir deles. Mistura metalcore, death metal e até um pouco de black metal; tem algumas passagens acústicas e é ponteado por gritos agudos que conferem uma atmosfera sombria às músicas e conseguiram arrepiar-me. (Só em tom de curiosidade, estes gritos assustadoramente parecidos com os de uma rapariga, pertencem na verdade a Aaron Gillespie, à data baterista da banda.) As músicas mais longas - andam por volta dos 7 ou 8 minutos, havendo uma que chega aos 11 minutos - não se tornam repetitivas (pelo menos na minha opinião). As letras são profundas e contam pequenas histórias, nunca deixando de lado, como já é típico nas letras dos Underoath, as referências a Deus. Mas convicções religiosas à parte, apaixonei-me completamente por este álbum; era a última coisa que esperava ouvir desta banda. E assim, com apenas cinco músicas, passei a dar muito mais valor aos Underoath...
E vocês? Qual foi o último álbum que ouviram que vos deixou completamente pregados à parede, que vos deixou assombrados, ou que, pelo menos, vos fez encarar um artista/banda de uma nova forma?
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Respondendo á tua pergunta, quanto a um disco que me deixou pregado á parede e assombrado e que inevitavelmente me fez encarar, neste caso, uma artista de uma nova forma, devo referir o «Before the Poison» da Marianne Faithfull.
Para além da música, sou um amante do imaginário Vintage, da arte, da cultura e do mesmo modo, da candura e da beleza feminina da altura, que hoje em dia tanto procuramos imitar mas não conseguimos. Neste contexto, a Marianne Faithfull e a sua estonteante beleza foi sempre para mim motivo de suspiros e de admiração.
Desse modo, um dia decidi prestar-lhe a sua devida homenagem neste fórum, ressalvando a sua conturbada história e o vicio que quase lhe custou a vida, mas ao mesmo tempo permitiu que ela surgisse finalmente como uma artista respeitada pela critica, com aquele perturbante disco chamado «Broken English». Mas eu era mais adepto da sua voz doce, em detrimento da voz grave e ferida que o vicio e a doença lhe conferiu.
Entre os Feedbacks que felizmente tive, um dos Users sugeriu-me um disco de 2005. chamado «Before the Poison», que eu nunca tinha ouvido, composto em parceria com figuras como o Nick Cave, a PJ Harvey e o Damon Albarn. Eu agradeci a sugestão, mas após ouvir efectivamente o disco, este agarrou-me como poucos o conseguiram fazer na minha já consideravel carreira como ouvinte.
Acho que a partir desse momento, passei a reconhecer mais a Marianne cantora madura de voz sábia e sofrida e menos a jovem deusa, antro de suspiros e pensamentos lascivos. Ainda continuo a ouvir esse disco com sofreguidão e recomendo-o a toda a gente.
Entretanto, a Marianne tem um belo novo disco, chamado «Horses and High Heels» e infeilzmente, a sua tour não passará por cá.
Bem, espero ter contribuido :) tens razão, ás vezes até uma simples música pode mudar todos os nossos preconceitos votados a um artista. O que não parece ter sido o nosso caso:) Cumps.