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Eels no Coliseu dos Recreios, Lisboa [fotogaleria + texto + alinhamento] -
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Eels no Coliseu dos Recreios, Lisboa [fotogaleria + texto + alinhamento]

Coliseu com meia casa aplaudiu primeiro concerto português dos Eels em nove anos. Servidas foram 24 canções em menos de hora e meia, sempre com o blues e o rock sulista por perto.

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Foi ao som de "When You Wish Upon A Star" que Mark Everett, de barba hirsuta, óculos escuros e lenço à pirata, subiu ontem ao palco do Coliseu de Lisboa, dando começo a um concerto cujo arranque foi adiado uma hora, devido ao jogo entre Benfica e Sporting. Para os fãs, mais hora menos hora não terá feito especial diferença; afinal, há nove anos (!), mais precisamente desde um saudoso concerto no Paradise Garage, na digressão de 2001, que Mr. E não visitava Portugal. Mais do que aguçar a saudade, porém, a ausência terá contribuído para criar algum afastamento entre banda e público, a avaliar pela modesta afluência ao espetáculo de domingo à noite (o Coliseu estaria a metade da sua lotação). Os que compareceram à chamada, todavia, embarcaram numa viagem eminentemente rock and roll da qual Mr. E foi motorista mas nunca protagonista único.

Nas primeiras três paragens desta jornada percorrida em tempo recorde (24 canções em 80 minutos, contámos nós), sozinho em palco ou acompanhado por um guitarrista, o homem de Daisies of the Galaxy mostrou à plateia alfacinha como a sua voz envelheceu, nos últimos 15 anos - não que este novo travo, rouco e cavo, assente mal à sua "persona" artística e às sucessivas vinhetas emotivas, de uma honestidade por vezes confundida com miserabilismo, que vai entoando. Assim foi em "Grace Kelly Blues" (de 2000), "Little Bird" e "End Times" (" The world is ending and what do I care? "), trio de abertura com a guitarra elétrica de Everett a calcorrear os mesmos atalhos para o coração desbravados pelas acústicas de outros cantautores.

Ao quarto tema - "Prizefighter", de Hombre Lobo (2009) - chega a banda de Mr. E: quatro cavalheiros envergando camisa e gravata e, à semelhança do seu líder, de óculos de sol e cabeça coberta (no seu caso, por chapéus). Foi uma maneira direta de dizer adeus ao sussurro do início de noite e olá ao registo "família blues-rock", oficializado pelo tal raçudo "Prizefighter", seguido por "She Said Yeah", versão sulista para o original dos Rolling Stones, ou "Gone Man" - escorreito, ligeirinho, vagamente sujo, tudo no bom sentido.

Sem pausas ou conversa - apenas na reta final Mr. E se dirigiu ao público, agradecendo-lhe a companhia e apresentando com pompa e piada os seus músicos - os Eels que se apresentaram em Lisboa, no ano da graça de 2010, estiveram bem longe do registo "caixinha de música neurótica" que os celebrizou na década de 90. Na gingona versão de "Summer In The City" (dos The Lovin' Spoonful), buscaram com sucesso a pândega rock n' roll; em "Tremendous Dynamite" ou "Paradise Blues", com as três guitarras em duelos eletrizantes, fizeram-nos pensar nos ZZ Top (e não apenas por causa das barbas); em "My Beloved Monster", da estreia Beautiful Freak , empolgaram e surpreenderam pelos riffs 100% funky que colocaram ao serviço das ancas dos presentes.

No meio desta festa de "beira de estrada" na América profunda - só faltava uma jukebox ao canto do palco - faltaram, nos momentos mais pacatos como "In My Dreams" ou "In My Younger Days", algumas palavras de Everett que cimentassem o intimismo e retribuíssem o carinho com que os espetadores receberam o regresso do americano a Portugal. Naquela que foi a última noite da presente digressão, Mr. E e companheiros preferiram queimar os derradeiros cartuchos recorrendo ao ruído ("I Like Birds" surgiu envolta em decibéis capazes de matar do coração bandos e bandos de pássaros audazes) e à veia mais animalesca e insinuante de músicas como "Fresh Blood", "Dog Faced Boy" ou "Souljacker Pt 1", cujo riff picadinho e gritos libertadores de "oh yeaaah!" serviram de catalisador à loucura no Coliseu, não obstante as luzes temporariamente acesas terem limitado um pouco os movimentos mais excêntricos.

No final, os pedidos de canções como "Beautiful Freak" não foram atendidos, mas houve uma inusitada e trôpega versão de "Summertime", de George Gershwin, bem como uma semi-promessa informal de regresso: "Havemos de repetir isto um dia destes", disse o Senhor Eels ao sair de palco, no final de um concerto mais centrado no poder terapêutico do rock and roll mais físico e expansivo do que nas ladainhas acústicas a que o homem que em tempos escreveu "Novocaine For The Soul (também) nos habituou.

EELS NO COLISEU DE LISBOA - 19 DE SETEMBRO DE 2010 - ALINHAMENTO
Grace Kelly Blues
Little Bird
End Times
Prizefighter
She Said Yeah (Rolling Stones)
Gone Man
Summer In The City (The Lovin' Spoonful)
Tremendous Dynamite
In My Dreams
In My Younger Days
Paradise Blues
Jungle Telegraph
My Beloved Monster
Spectacular Girl
Fresh Blood
Dog Faced Boy
That Look You Give That Guy
Souljacker, Pt 1
Talking 'Bout Knuckles
Beautiful Day
I Like Birds
Summertime (George Gershwin)
Looking Up
Encore
I Like The Way This Is Going
Oh So Lovely

Texto de: Lia Pereira
Fotos de: Rita Carmo/Espanta Espíritos
Artistas de A a Z    ¤   Eels
Notícia escrita por Blitz Segunda, 20 de Setembro de 2010 às 0:33
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