Limp Bizkit ao vivo no Pavilhão Atlântico, Lisboa [texto + fotogaleria]
Bastiões do nu-metal, os norte-americanos Limp Bizkit voltaram a Lisboa e 1999 regressou com eles.
Houve uma altura em que, em Portugal e no resto do mundo, os Limp Bizkit enchiam recintos do tamanho do Pavilhão Atlântico durante duas noites seguidas e encabeçavam festivais para milhares de fãs totalmente rendidos ao híbrido rap/metal, o malfadado nu-metal, cuspido com raiva por Fred Durst e companhia.
Entretanto, muita água passou debaixo da ponte e onze anos depois do seu apogeu em termos de popularidade, como Durst referiu antes de cantar "9 Teen 90 Nine", a banda está de volta às digressões e, presumivelmente, ainda este ano aos álbuns.
Poucos são os sobreviventes do boom do final da década de 90 e, desde que perderam o excêntrico Wes Borland ali por alturas de 2001, os Bizkit não conseguiram ser uma das excepções à regra e começaram a cair a pique em termos de popularidade. Durst estreou-se como realizador de cinema, Borland andou a tocar e a gravar com os From First To Last e os Limp Bizkit, à exceção do ocasional concerto, estavam adormecidos.
Soavam os últimos acordes da atuação dos galeses The Blackout, num misto de metalcore e screamo com dois vocalistas, e o cenário no Atlântico não era animador. Palco chegado à frente e, mesmo assim, muito espaço para circular na plateia, balcão ocupado aqui e ali. A coisa lá se foi compondo e, poucos minutos depois das 21h00, "Pure Imagination" (da banda-sonora de
Willy Wonka and The Chocolate Factory
) soa através do PA.
Sobem ao palco, simples, com fundo negro e apenas quatro torres de luz e os instrumentos como decoração, Fred Durst, de meias, camisa e boné brancos, com toda a calma do mundo. Wes Borland, o contraste, um guitarrista sub-aproveitado, com o tronco pintado de negro e o cabelo preto como um corvo. Sam Rivers, com o seu baixo com braço iluminado. DJ Lethal, com a bandeira nacional na frente da sua "working station". Atrás da bateria, o versátil John Otto.
Soa o inédito "Why Try", a incluir em
Gold Cobra
, cheio de groove e com a ocasional frase num ritmo mais nasalado a invocar os Cypress Hill. Percebe-se, desde logo, que o som está muito acima do que é habitual nesta sala - potente e bem definido, sem ecos desnecessários. Seguem-se "Show Me What You Got", "My Generation", "Livin' It Up" e, de repente, estamos metidos numa máquina do tempo. Era difícil prever que fosse assim, mas durante cerca de 90 minutos foi outra vez 1999 dentro do Pavilhão Atlântico.
Lá dentro os calções baggy pareciam estar outra vez na moda, convivendo pacificamente com o mais tradicional combo fato/gravata, a prova de que o público já não é adolescente, e até com alguns pais que levaram os filhos ao concerto. Há quem esteja ali para abanar as ancas ao som de "Faith", de George Michael, outros para "perder a cabeça" ao som de "Nookie" e, dando ao público exatamente aquilo que ele queria ouvir (talvez à exceção da versão de "Yellow", dos Coldplay), o quinteto soube como usar a seu favor o sentimento nostálgico que pairava no ar.
Só isso justifica o "circle pit" gigantesco que se abriu a meio da plateia em "Break Stuff" e a reação totalmente eletrizante em canções como "My Generation" ou "Rollin'". Não há aqui nada - mesmo nada - de novo, mas Durst também avisou logo que "nós estamos aqui a vamos ser sempre os Limp Bizkit". E encarados como um assumido "nostalgia act", os Limp Bizkit cumprem muito bem o seu papel - disso não restem dúvidas.
Texto:
José Miguel Rodrigues
Fotos de:
Rita Carmo/Espanta Espíritos