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Voltando a geografia musical, existe sempre um ponto de referencia mundial em que estarei sempre de acordo. Falo claro das ilhas britanicas, especialmente Inglaterra. Um país que morfologicamente além de ser um dos principais paises desenvolvidos em materias mais politicas e sociais, Inglaterra sempre ofereceu ao mundo cultural um desenvolvimento de várias vertentes musicais e sociologicas. Um país onde nasceu as maiores e melhores bandas de rock e as primeiras guitarras distorcidas originando o Heavy Metal, um país em que a liberdade de expressão era desenvolvido pela classe artistica tornando os sonhos em realidade, uma classe que sempre lutou pela LIBERDADE e expandiu os seus horizontes como principais influencias mundiais. Exemplos nao sao precisos mencionar pelo facto da musica em Inglaterra estar cronologicamrente assinalada por Antes Beatles - Depois Beatles. Mas as sub categorias do rock ganharam mais que cabeça-tronco e membros e nasceu o punk, criado pela classe operaria e de tantas revoluções politicas, era necessário existir vozes com mensagens de REVOLUÇÃO. O Punk foi um ponto de partida para o nascimento de outros sub generos associados, mas as mensagens negativas deixaram de ter impacto e o punk torna-se amigo e companheiro de bandas mais retro e tornou-se uma atitude simbolica no panorama britanico. Com o nascimento das novas vertentes da musica POP em Manchester os inicios dos anos 80 começa a integrar-se novos espaços e novas virtudes musicais, entre elas a musica de dança. As noites em Inglaterra tornaram-se pioneiras pelos clubes nocturnos e a sua musica. E nos finais dos anos 80 mais uma localidade ficaria marcada pelo inicio de mais um estilo musical. Bristol é palco de uma fusão alternativa entre o Jazz e o Soul com ritmos hip hop e batidas mid-temp dos primeiros uivos da musica electronica.Uma cidade carregada pela megalomania industrial sobrevoada com muito fumo fabril e embelezado com monumentos Goticos. Estava entao apresentado o TRIP-HOP ao mundo, e assim nasce a maior e melhor banjda do genero... Senhoras e Senhores apresento: Massive Attack.
Massive Attack, uma banda criada em 1988 pelo Robert Del Naja (3D), Grant Marshall (Daddy G) e Adrian Wolves (Mushroom). Robert Del Naja um artista ingles conhecido pelos seus "quadros" e "pinturas" urbanas, o que se designa como graffiters. Desenvolveu o seu trabalho derivado a evolução social da sua Inglaterra, enquanto uns uivavam com mensagens de revolta com musica, Robert Del Naja desenvolvia a sua expressao de outra forma. O seu trabalho muito cedo foi reconhecido e começou também a desenvolver as suas capacidades musicais sendo uma peça fundamental para a divulgação das novas culturas urbanas, dentro das pistas de Discotecas, Raves e o Grafitti. E foi no meio desta Revolução musical que aparecem os restantes membros originais dos Massive Attack.Foi entao no ano de 1991 o primeiro lançamento deste trio de Bristol com o album "Blue Lines". Uma verdadeira obra prima da musica contemporanea musical, fonte de inspiração dentro do DUB, Hip-Hop e musica electronica . Obteve um exito gigantesco pelo facto de incluir "Unfinished Sympathy" com a participação de Shara Nelson nas vozes. A partir deste momento a musica electronica já não era a mesma depois desta revolução britânica. Este álbum teve também a participação de Horace Andy
e Neneh Cherry e principalmente a voz do ainda desconhecido Tricky. Foi no entanto o álbum que criou mundialmente um estilo novo de musica electronica, o TRIP-HOP.Com um impacto bastante positivo a volta de "Blue Lines" e o aparecimento de outras bandas dentro do mesmo circulo (ARO ARO Portishead!!!), Massive Attack era a banda que transportava a bandeira de criadores do Trip-Hop. No entanto a banda era acarinhada pelos tablóides, rádios e MTV, os seus videoclips e musicas não paravam de tocar e de dar a conhecer toda esta criatividade singular.
Com todo este êxito a volta da banda, o mais difícil era apostar num segundo álbum que deslumbra-se novamente o publico. Para tal o trio volta atacar os estúdios e então apresentar um álbum mais arrojado e inspirado da carreira dos próprios. Três anos depois o lançamento do "Blue Lines" chega as lojas "Protection" em que de certa forma a imagem do álbum transmitia o seu conteúdo. Musica extrema-corrosiva com arranjos bastantes arrojados e vibrantes com "Karmacoma" "Protection" e "Sly". As contribuições vocais e instrumentais eram também o forte deste Trio escolhendo a equipa ganhadora do primeiro álbum, acrescentando mais nomes como Craig Armstrong e Nicollete. Nao esquecendo da versão que fizeram "Light my Fire" dos históricos Norte-americanos DOORS. Mais uma vez a banda foi motivo de orgulho nos tablóides britânicos. Sons urbanos e arrepiantes que embelezavam as pistas de dança e coloriam cada vez mais as tabelas de vendas e anúncios publicitários. Na realidade Massive Attack facilmente entraram no mainstreen e já eram uma banda de culto não só no seu país como a nível mundial.
Eu só tive conhecimento do aparecimento dos Massive Attack com o álbum "No Protection", um álbum de remisturas Dub em parceria com Mad Professor e os próprios Massive Attack. Foi um grande amigo, o Eurico num daqueles dias que estava eu e os meus amigos muitos distantes da realidade a construir as nossas primeiras musicas com guitarras, tal como já tinha divulgado anteriormente. Num desses ensaios, em um dos momentos de relax este cd rodou uma tarde inteira nas colunas e a partir daquele momento o Dub e principalmente Massive Attack entrou no meu mundo. Na realidade eu sempre fiz cara feia com os sons electronicos, sempre fui fiel ao rock e a minha filosofia estava muito distante de algum dia abraçar estes estilos musicais, mas acreditem ou não, desde esse tempo os meus horizontes ficariam muito mais longínquos e inovadores. Estavamos em meados de 1995 inicios de 1996.
Mas foi em 1998 que me apaixonei por completo pelos Massive Attack. Lembro-me como se fosse hoje, ainda não tinha começado o novo ano lectivo escolar quando aparece o novo álbum com o nome "Mezzanine". Carregado de obscuridade, pintado de negro, com batidas tão suaves como a pele de uma criança. Simplesmente genial e arrepiante. Um álbum que deu a conhecer os Massive Attack como duo, já que Mushroom decide largar o barco, e o Tricky já tinha iniciado o seu projecto pessoal e o Horace Andy era já um membro oficial da banda. Muita coisa poderia eu falar deste álbum que não só apaixonou o mundo POP como foi um dos álbuns que grande parte das bandas de Metal foram beber inspiração (Aro Moonspell!!! Aro Trent Reznor) Recuperou os 4 anos silenciosos dos Massive Attack mostrando que é possível re-transformar e criar muita musica dento do TRIP-HOP. Nomeadamente a lista de convidados para este álbum é enorme, destacando sem duvida o contributo de Elisabeth Fraiser, vocalista Cocteau Twins. O lindíssimo vídeo de "Teardrop" é algo que ultrapassa tudo aquilo que ate ao momento imaginaria. Mas "Mezzanine" não era só "Teardrop", eleva-se por ter musicas arrepiantes como "Inertia Creeps", "Angel" "Black Milk"
"Dissolved Girl"
e "Mezzanine". Este é certamente o álbum que mais ouvi dos Massive Attack, é algo tão profundo que nem palavras conseguem descrever o quanto foi importante para mim.
Lembro-me vivamente de ver (ups, lol) Massive Attack pela primeira vez em Portugal no Festival do Sudoeste por alturas de 1998 ou 1999, mas como é possível adormecer no meio do publico durante o concerto... Nunca mais me perdoei por ter estado lá e não os ter visto, desde esse dia nunca mais faltei a nenhum concerto deles em Portugal. Faça chuva, faça sol estarei sempre a marcar presença nos seus concertos.Pelo meio ficou o registo da caixa de singles editados desde o inicio da banda até ao álbum "Mezzanine" e com muito orgulho tenho um exemplar onde destaco as covers de Manic Street Preachers, Blur e Portishead Com 3 albuns fabulosos e sem resposta directa na discografia dos Massive Attack, e com muitos problemas internos derivado a inspiração dos próprios e outros títulos.
Massive Attack entram num celibato profundo a nível discográfico, já que as aparições ao vivo eram freqüentes a pedido do publico. Regressam a actividade em 2003 com o álbum "100th Windows" sob a sombra de outras bandas que já tinham conquistado um lugar ao sol nas verdeiras charts mundiais. E também pelo facto de Matrix, o filme ter sido uma fonte de inspiração não só cinematográfico como em outras vertentes. Foi um regresso muito aguardado e aplaudido pelo publico. Em termos de inspiração Robert e Danny absorviam as novas tecnologias como cenários visuais. Teoricamente o álbum teria que ser algo original tal como foi os registos anteriores, mas optaram por esquecer grande parte das acções que desenvolviam com os outros registos e abraçaram os estilos alternativos ao Jazz. "100th Windows" é camuflado pela obscuridade de "Mezzanine" e mais uma vez foram recrutar novos colaboradores para colorir as suas musicas. Sinéad O'Connor
participa em "What Your Soul Sings" "Special Cases" e "A Prayer for England". Pela primeira vez senti mensagens politicas a circular nas composições dos Massive Attack. Ainda em fase de contribuições, derivado ao sucesso mediático dos Gorillaz, Damon Albarn dá um ar da sua graça em "Small Time Shot Away". Musicalmente o album é positivo mas financeiramente nao convenceu os tabloides nem o publico. Seria o fim dos Massive Attack?
No ano seguinte, 2004 Massive Attack entram em uma nova aventura sonica, origilmente colaboram com as suas composições para um filme. " Danny the Dog" que estreia nos cinemas em 2005 onde participa figuras como Jet Li, Morgan Freeman. Praticamente é um album que tem pouco para acrescentar, mas nao deixa de ser um bom album, as composições voltam as fases iniciais dos Massive Attack mas musicas com formatos mais reduzidos e mais arrojados. Destaca-se a colaboração de Dot Allison em "Aftersun".Com as suas tours muito alongadas ainda com "100th Windows" na calha e como principal atracção visual, em 2006 sai a primeira collctania de sucessos de Massive Attack, com todos os singles gigantescos a fazeram parte do alinhamento, e com "Live with Me" o único tema original desta compilação com a presença de Terry Callier.
Por fim, nos tempos mais modernos, estamos no ano 2010 e os Massive Attack entraram com o pé direito e como prenda aos fãs lançam um single "Splitting The Atom
" como cartao de visita ao longa duração "Heligoland". A presença de Horace Andy continua a ter uma papel importante e fundamental para as composições de Robert e Danny. Mas este álbum é mais eclético que o anterior,. Falo na forma como Massive ataack regressam em 2003 e tentaram furar um espaço para se encaixar no meio de tantas novidades. Este ultimo álbum foi com o pensamento de conseguir entrar mais rapidamente nos hábitos dos seus fãs. A extensa lista de colaborações explicam isso mesmo, voltam a recrutar Damon Albarn para "Saturday Come Slow" e aparecem nomes como Hope Sandoval "Paradise Circles" e "Flat of the Blade" com Guy Garvey.
Ainda é um álbum fresquinho que ainda hoje tou para descobrir muito mais que as primeiras impressões, mas o melhor é uma visita ao nosso país para colorir um ano que ainda vai a meio.
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Basicamente, a minha opinião anda muito próxima da tua. "Blue Lines" é um verdadeiro marco naquilo que representou: a aproximação entre a música electrónica e o hip-hop, bebendo também da gamela dub e soul. Um bando de miúdos desconhecidos trazem mais amigos desconhecidos (Tricky kld!), agarram-se ao mítico Horace Andy e à soul-woman Shara Nelson e fazem história! Mítico!!
Daí para a frente, a carreira deles continuou muito interessante e activa. "Protection" foi um passo na estabilidade enquanto em "Mezzanine" fizeram uma das mais interessantes abordagens da música electrónica, adicionando-lhe guitarras densas e escuras, criando um ambiente simultaneamente caótico e atractivo!
Os anos que se seguiram é que foram de maior turbulência. "100th Window" foi na minha opinião um disco muito pouco conseguido, demasiado virado para o umbigo de 3D, com azar na convidada escolhida (Sinead O'Connor é uma óptima cantora, mas não trouxe a vivacidade e toque soul que as músicas dos Massive necessitam) e esquecendo o seu passado ligado ao soul e ao hip-hop. A banda-sonora de "Danny the Dog" foi igualmente pouco relevante.
Este ano, "Heligoland" recuperou os Massive Attack. Já não são tão surpreendentes como o foram há 20 anos atrás. Mas a recruta de Martina Topley-Bird foi claramente uma mais-valia!! A energia de "Psycho" e "Babel" é algo que Tricky deve invejar todos os dias desde que o álbum saiu. E é um álbum que continua a ter um Horace Andy em forma. E isso vale ouro!!
Foi mais tarde, com o «Mezzanine» que os Massive Attack entraram definitivamente no meu «topo de elite». A «Teradrop» é sublime, mas todo o álbum é de certo modo negro e perturbante e devo dizer-te que o Horace Andy é uma super grande valia para estes senhores. Pois, coube aos Massive Attack inaugurarem os concertos no Pavilhão Atlântico e na digressão deste grande disco! Eles já actuaram imensas vezes por cá, inclusive no Porto, mas ainda não os vi...adormecer em concertos? Amigo, não sei se conheces um grupo que já não existe, chamado Smoke City. Hoje adoro-os (fizeram 2 álbuns, e a música «Underwater Love» é deveras conhecida), mas adormeci no concerto em P de Coura. No mesmo festival, mas num ano diferente, optei por deitarme na relva, perdendo literalmente os concertos dos Mogway e dos Lamb (no início do culto). Hoje, quando me lembro disso, sinto-me um cretino! adorei o «100th Window» uma vez que aprecio muito a voz da Sinead o Connor, essa maluca! além dos cd «Normais» apenas tenho uma extravagância, que é um vinil duplo ao vivo dos Massive Attack numa sala grande de Londres, mas que neste exacto momento, não sei dizer qual. Não é a Brixton Academy, talvez seja no Royal Albert Hall. sei dizer que foi MUITO CARO e comprado por encomenda. Agora, tenho de ouvir com atenção o «Heligoland»! Abraço Spoon e espero pela segunda parte desta saga dedicada ás meninas! estou como tu, não conheço o meu par, a missdaisy:)
bom artigo,deviam por era cenas assim na primeira pag da blitz qd nao tiverem notícias :)
Essa de adormeceres é imperdoável, aiai! Eu nunca os vi ao vivo, com muita pena minha e agora que eles vêm ao Sudoeste também não vou conseguir ir :(
Gostei muito do artigo! Cheers.