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O teledisco de que se fala: será que M.I.A. foi longe demais?
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"Born Free" já foi removido do Youtube. Estaremos perante o vídeo mais marcante desde "Telephone", de Lady Gaga? |
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O novo teledisco de M.I.A. saiu apenas na passada Segunda-Feira (26 de Abril) mas, pelas reacções que se fizeram sentir, temos a sensação de que a polémica já se instalou há meses.
A remoção de "Born Free" do Youtube foi o tiro de partida, o empurrão que a história precisava. Porque em torno da história do vídeo se criou uma outra história.
M.I.A. aprontou-se a reagir à interdição na sua página do Twitter
. Primeiro, "gritou" um "BOOOOOO" de protesto, seguindo-se uma acusação: "A Universal não o quer mostrar no Youtube!", retractando-se, no final, desta última afirmação, "OK, a culpa não é da Universal". A declaração dos responsáveis do site de vídeos não surpreende, pelo que se limitou a cumprir as regras de bom funcionamento. "as regras do Youtube proíbem conteúdos pornográficos ou que expressam violência gratuita. (...) Se os conteúdos violam os termos, somos obrigados a removê-los". Mas também sabemos que, nos dias que correm, é fácil para um internauta que esteja interessado no vídeo
contornar este obstáculo
.
Vivemos no tempo em que o teledisco se reafirmou - depois da "transformação" da MTV, que optou por ceder espaço de telediscos a reality-shows - como elemento substancial na promoção da imagem dos artistas, graças a intérpretes como Lady Gaga, Beyoncé e Rihanna. Artistas que optaram por expôr a sua sexualidade e feminilidade, à imagem de Madonna vinte anos atrás. M.I.A. caminhou por um reforço imagético, embora de forma aparentemente contraditória - já que neste teledisco não aparece no ecrã. O objecto da cantora será o manifesto político, o protesto interposto pelo choque. O seu grande objectivo será suscitar fortes reacções, sejam elas positivas ou nefastas. Mas voltemos então a "Born Free".
O vídeo, realizado por Romain Gavras (também realizador do polémico "Stress", dos Justice), leva-nos através de uma missão militar, que procura expurgar os "ruivos" de uma sociedade não identificada
. Esta imagética remete para o tema da discriminação, do preconceito racial (aqui invertido por M.I.A., que coloca o homem branco, ocidental, no papel da vítima) - a título de curiosidade, Gavras prepara um filme de nome "Redheads", que aborda os mesmos temas do teledisco de "Born Free".
Saul Austerlitz, autor e estudioso desta matéria, centra a análise nos propósitos da artista mais que nos meios para lá chegar. Em entrevista à CNN, Austerlitz entende que "M.I.A. é uma provocadora, e alguém que procura apelar à revolta das pessoas de todas as formas que pode". Não é difícil de adivinhar que a cantora surtiu, com este vídeo, o efeito desejado. Tal como Michael Jackson, quando lançou 'Thriller' há quase 30 anos - abriu um precedente na forma como o teledisco passou a ser abordado como parte integrante da produção artística. James Montgomery (jornalista), num artigo do site da MTV norte-americana, delimita com clareza os dois lados da questão: "Sim, (o vídeo) é brutal e por vezes exageradamente dramático, mas é também uma forma de protesto político, um pedaço de arte absolutamente subversivo criado por um artista numa grande editora, a Interscope".
"Born Free" é também um sinal dos tempos: um teledisco que procura sobreviver na era da internet. Marcando convictamente uma imagem, influencia a dos artistas que lhe estão associados. Num mundo em que se criam leis que
prevêm a detenção imediata de cidadãos de pleno direito por suspeitas de imigração ilegal
, a violência ensaiada e encenada - como a observamos em "Born Free" - torna-se progressivamente mais relativa.
Artistas de A a Z
¤ M.I.A.
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Notícia escrita por
PZP
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