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JORNAL OPTIMUS/BLITZ #22: Optimus Discos - Henrique Amaro -
JORNAL OPTIMUS/BLITZ #22: Optimus Discos - Henrique Amaro
Da música electrónica ao hip-hop, passando pelo punk, as novas séries digital e física da Optimus Discos estão aí. Em conversa com Lia Pereira, Henrique Amaro revela os planos da Optimus Discos para 2010.

Além da Área Extra, já disponível em www.optimusdiscos.com , quais os planos da Optimus Discos em 2010?
Na primeira quinzena de Março sai a primeira série digital e física deste ano. Em 2010, vamos fazer 30 lançamentos: 15 na Área Extra, 15 normais. Vamos acabar, também, com a necessidade de lançar seis EPs de cada vez: agora poderão sair quatro de uma vez, um isolado noutra ocasião... Nesta primeira série, serão quatro.

Quais os protagonistas da primeira série digital e física da Optimus Discos em 2010?
Vamos ter os Johnwaynes, que é uma dupla que trabalha há muito tempo na música electrónica, mais numa perspectiva de "clubbing". Um deles é o DJ da Estação da Luz, a discoteca de Aveiro. Já fizeram "máxis" mas este é um disco mais assente em canções, com uma série de vozes internacionais a cantar. Está longe daquilo que conhecíamos deles; aliás, se fosse uma cena "clubbing" não seria este o sítio para mostrá-la. Teremos ainda os Dealema, uma banda [hip-hop] bem conhecida do Porto, e os Fitacola, uma banda punk-rock da nova geração, já com álbum editado. Este EP para a Optimus Discos tem duas curiosidades: um dueto com Badauí, vocalista dos brasileiros CPM22, a banda-sombra dos Charlie Brown Jr, e um dueto com o Kalú, dos Xutos & Pontapés, no "Cai Neve em Nova Iorque", do José Cid. Este EP chama-se Outros Dias e antecede o lançamento do álbum dos Fitacola, que até ao Verão estará cá fora. O quarto EP é o do Frankie Chavez, o mesmo dos projectos França e Beringela Amarela. Neste EP, está muito seguro enquanto "one man band". Gravou com o Nelson Carvalho na Valentim de Carvalho e tem, a meu ver, um óptimo EP de estreia. Todos estes discos saem na primeira quinzena de Março.

Continua a não existir um fio condutor entre estes lançamentos. A liberdade estética é o principal mote da Optimus Discos?
O fio condutor é a minha assinatura. Gosto de experimentar várias coisas e nunca me seduziu a chamada "coerência estética". E esta primeira série é bem desafiante nesse sentido, pois tem os Johnwaynes, que vivem num universo bem distante dos Fitacola, do Frankie Chavez ou dos Dealema. Daqui para a frente vai ser assim, também. Uma das coisas que, este ano, quero desenvolver é, numa das áreas extra, lançar colectâneas digitais. Vamos ter uma colectânea digital só com a cena rock de Barcelos, por exemplo. O pessoal está muito centrado na cena de Coimbra mas o Barreiro Rocks é um festival que existe há 19 anos e tem tido pouca mediatização. São 15 pessoas a fazer aquela cena, é verdade, mas não interessa: em Manchester também começou assim, e apetece-me retratar esse tipo de cena local. As cenas de Barcelos e de Coimbra são rock, mas se aparecer uma cena ambiental em Vila Real de Santo António, porque não? A mim interessa-me mais retratar o presente nas suas várias vertentes do que estar preocupado em saber se certas coisas têm ou não cabimento. Há áreas que não me fascinam muito, por achar que a Optimus Discos é uma plataforma que não as servirá bem: o lado experimental, o jazz, o "clubbing"... há canais que tratam muito bem essas áreas, como a Test Tube e outras "net labels" melhor colocadas no meio. Aqui, a ideia é fixar o momento nas suas várias vertentes.

No site da Optimus Discos fala-se em 450 mil canções descarregadas em 2009. Além deste resumo quantitativo, qual o balanço desta experiência até agora?
Os números são a única coisa científica! Aquele lado infalível da matemática serve para isso mesmo. Depois, há o lado invisível que todos procurámos, um lado empírico que não se consegue quantificar. Será que estes discos fazem parte da vida das pessoas? Isso é que eu gostava que acontecesse. Mas também não é num ano que se consegue isso, e às vezes há uma canção isolada de uma artista distante que fez tudo sozinho e que consegue mais do que as 18 edições do ano passado (risos). A única coisa que posso garantir neste momento, pelo lado "científico", é que houve 450 mil canções descarregadas. Uma das novidades para este ano é que vamos abolir o registo [no site da Optimus Discos], para que sejam ainda mais as pessoas a participar.

É possível comentar os discos no próprio site da Optimus Discos. Isso não ajuda a perceber o que é que as pessoas fazem com essas 450 mil canções descarregadas?
Um disco não ganha maior destaque por ter mais comentários. Também há aquelas páginas do myspace que têm 400 mil amigos, mas não sabemos que banda é essa, o que fez ou como é ao vivo. Uma coisa que me agradou foi ter uma determinada expectativa para cada artista e depois ver os números e as contas saírem, por vezes, trocadas. O tipo que estaria no final da tua lista está em primeiro e o que estaria em primeiro lugar nem está assim tão bem colocado. Esse julgamento público dos downloads é uma lição para toda a gente: os próprios artistas, quando lhes falo dos números bons ou menos bons, ficam surpreendidos. Um exemplo: o recordista de downloads é o Bezegol. O EP do Bezegol, Rude Boy, é da segunda série, lançada em Julho de 2009. Lembro-me de uma crítica em que lhe chamavam "o janado": pois "o janado" do Porto é o número um dos downloads, e sei que é, regularmente, dos tipos que têm mais comentários! Isto solidifica aquela ideia de que não há público, mas sim públicos. Aquela fidelização e o lado participativo, activo, muitas vezes ligado ao heavy metal, [estende-se hoje] a outras áreas, como é o caso do hip-hop. E o hip-hop do Bezegol não é o hip-hop dos Dealema ou dos Mind da Gap. É um híbrido, mais mestiço. E desde que colaborou com o Tó Trips abriu ainda mais uma porta.

Algumas das bandas mais procuradas na Optimus Discos, a partir do Google, são os Governo, do escritor valter hugo mãe, e os Linda Martini. São outros campeões de popularidade?
Os Governo de facto beneficiam muito do valter hugo mãe, e os Linda Martini... não direi que é a última banda de culto, mas é a banda de culto do momento. E é uma banda que está a gravar um disco e não sabe por que editora vai editá-lo. Numa altura em que anda tudo à procura da última Coca-Cola no deserto, se calhar uma delas chama-se Linda Martini e, nesse aspecto, há pouca atenção. Cantam em português e é uma coisa transversal: agrada a quem gosta daquelas coisas mais negras e próximas do metal. O filho de um amigo meu tem 15 anos e pediu-me para ir ao estúdio [ver as gravações do EP ao vivo dos Linda Martini, Intervalo, editado pela Optimus Discos]. Gosta dos Placebo e dos Slipknot mas depois idolatra os Linda Martini. É esse lado invisível que, por mais voltas que a indústria dê, continua a ser algo inexplicável: porque é que as pessoas gostam disto e não daquilo, porque é que os media dão muita atenção a uma coisa que não perfura e depois é uma cena que vem dos confins do underground que faz tudo? É esse lado inesperado que me cativa.

O Palco Optimus Discos regressa, este ano, ao Optimus Alive!10. É uma vertente importante da Optimus Discos?
O palco foi muito bom, pois foi uma extensão das edições e topei que, naqueles dias, atingiu as pessoas que passavam ali e nem sabiam o que era a Optimus Discos, mas que entretanto foram à procura. A partir dali, atingimos picos de procura on-line muito elevados. O site tem um período pré e pós-Optimus Alive. Um palco é sempre catalizador de interesses numa operação destas e é muito importante a ideia de estas bandas estarem reunidas num palco para as pessoas as verem, ainda por cima a meio caminho [entre os principais palcos do evento]. É verdade que me interessa mostrar uma obra, mas interessa-me mostrar a obra de um artista que "queira trabalhar", por assim dizer. Não me interessa o artista que fica satisfeito quando edita um disco; eu e a Optimus Discos queremos ajudar, ser cúmplices e ser reactores de algo que vai acontecer. Há muita gente que, no ano passado, ficou a pensar "à moda antiga": que tinha arranjado a velha ideia da editora, e depois houve pouco trabalho a nível de agenciamento e das próprias bandas. Isso tem de ser contrariado. É um pouco aquela ideia do aluno inteligente mas que não estuda, e daquele que não tem tanta capacidade mas transpira um bocadinho. Na música isso acontece muito, com bandas que medem todos os passos que dão e vão à procura do problema, em vez da solução. O palco foi muito bom para perceber isso. Uma banda que toque ao vivo, que tenha disponibilidade, que tenha um espectáculo... isso reflecte-se logo na relação que consegue com o público.

Área Extra 3 - A Todo o Vapor

No seu segundo ano de vida, a Optimus Discos vai continuar a mostrar música nova, variada e essencial. A terceira Área Extra já mexe.

Em 2009, foram 24 os lançamentos da Optimus Discos. Entre EPs editados gratuitamente em www.optimusdiscos.com e a preço de amigo nas lojas FNAC, e outros EPs disponíveis apenas on-line, artistas como Margarida Pinto, Vicious Five, Linda Martini, DJ Ride, Tiguana Bibles e Madame Godard encontraram na Optimus Discos uma forma de levarem as boas novas (leia-se, as novas gravações) aos fãs, e também aos leigos na sua obra. 450 mil canções descarregadas depois, a Optimus Discos volta à carga, em 2010. Para já, estão garantidos 30 lançamentos, mais uma vez distribuídos entre discos a editar como download grátis e em simultâneo em CD, a menos de €5,00 nas lojas FNAC, e a chamada Área Extra, cujos EPs existem apenas enquanto MP3, em www.optimusdiscos.com . Conheça os protagonistas da primeira Área Extra do ano.

STEREOSSAURO
Farphisas On Fire

Depois do sucesso crítico de Beat Journey, o EP de DJ Ride para a Optimus Discos, em 2009, é a vez de Stereossauro, músico das Caldas da Rainha que com Ride forma a dupla Beat Bombers, dizer de sua justiça. Farphisas On Fire é o nome que Stereossauro dá a uma viagem pelas músicas que o fascinam e "obrigam" a uma procura incessante de pérolas improváveis "em feiras de rua, caves e sótãos por aí". Hip-hop mas não só, num disco com colaborações de DJ Ride e Macacos do Chinês.

BYPASS
Airports

Discretos veteranos do rock nacional (iniciaram a carreira em meados dos anos 90), os Bypass têm um novo álbum gravado. Henrique Amaro ouviu-o e, impressionado com a qualidade das novas músicas, sugeriu que os lisboetas o "resumissem" em Airports, o EP para a Optimus Discos que serve de prelúdio ao longa-duração. Por aqui continuam as guitarras eléctricas rumo à estratosfera, mas também riffs que deixariam Josh Homme, dos Queens of the Stone Age, a bater o pé.

YOU CAN'T WIN, CHARLIE BROWN
You Can't Win, Charlie Brown

Depois de emprestarem suavidade à compilação Novos Talentos FNAC 2009, e de este ano participarem no Festival Termómetro, os lisboetas You Can't Win, Charlie Brown gravam para a Optimus Discos aquele que é o seu primeiro EP. O que esperar? Canções de uma folk mais espectral do que corpórea e um jogo de guitarras acústicas a fazer lembrar os norte-americanos Grizzly Bear ou Department of Eagles. Noiserv, promessa da música independente nacional, é colaborador habitual.

Vídeo inserido por MRV Sexta, 26 de Fevereiro de 2010 às 18:23 (1 comentários )
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