Não se poderá falar de invasão, mas houve seguramente uma investida bracarense no Porto. Sexta-feira, 6 de Março, foi a vez dos Mão Morta e dos Smix Smox Smux no Teatro Sá da Bandeira; no dia seguinte, os peixe:avião estiveram na Loja Optimus. Foi uma coincidência, como é óbvio, e o que torna esta coincidência interessante é o facto de se poder repetir na mesma cidade ou noutras, com estas bandas de Braga ou com outras.
Mas será necessário falar de Braga para justificar a atenção aos peixe:avião? A resposta é negativa. Aliás, a atenção aos peixe:avião e às outras bandas recentes é que tem contribuído para a atenção à cidade. Melhor ainda, só a diversidade entre estas bandas e as diferenças em relação às suas antecedentes nos levam a falar em nova dinâmica bracarense.
Foi por isso que se teve uma Loja Optimus cheia para ver os peixe:avião. Cheia de gente para ver a banda e não um indício de glória de uma cidade (a maioria não tinha sequer idade para se lembrar da outra época de glória da cidade, já agora).
No entanto, diga-se que os peixe:avião em palco gostam de desviar as atenções. Desviam-nas para o que interessa: para os temas. Joga-se tudo mais na intensidade do que na presença, num fio de coerência com a música que lhes assenta bem. Não foi só por o concerto ter excedido os 40 minutos e dois segundos (ou por terem ido buscar temas que não ficaram neste) que se dirá ter sido diferente de os ouvir em disco. As coordenadas são as mesmas mas a forma como se chega ao destino é bem diversa.
Texto de Sérgio Gomes da Costa
Fotos de Daniel Mendonça
Artistas de A a Z
¤ Peixe:avião
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