A BLITZ já tinha avisado: mais do que um novo Jeff Buckley, Patrick Watson, músico californiano «adoptado» pela fértil cena de Montreal, no Canadá, é um caso sério de talento.
Na passada Quinta-feira, na Aula Magna, em Lisboa, o autor de
Close To Paradise
deixou o público boquiaberto com a interpretação, mais experimental do que rigorosa, de canções como «Luscious Life», «Slip Into Your Skin» ou «The Weight of the World».
Acompanhado por uma banda de três músicos, Patrick Watson dividiu o seu tempo e atenção pela voz, pelo piano e por uma miríade de ideias e brincadeiras que não raras vezes envolveram participação popular.
Desde pôr o público a fazer barulho a meio das canções, até convidar os espectadores, no encore, a escolher entre uma música improvisada no momento e uma versão de Erik Satie, o autor de «Daydreamer» mostrou um surpreendente domínio de palco e uma deliciosa simplicidade na comunicação com a plateia, atónita com a sua voz e talento.
Guardado na memória de todos os que estiveram na Aula Magna ficará, sem dúvida, o momento em que Patrick Watson - 29 anos de idade e um currículo que inclui colaborações com James Brown e Cinematic Orchestra - mudou o palco para o meio do público para, empoleirado numa das divisórias de madeira, oferecer aos presentes uma versão muito especial de «Man Under The Sea».
Depois desta «excursão», a banda voltaria a palco para concluir a música e prosseguir, com brilhantismo, o espectáculo - fazendo jus à temática marítima do álbum, diríamos que a Patrick Watson interessa mais a navegação, sem bússola à vista, do que a chegada a um porto seguro.
Um espectador registou aquele que foi, como dizem os comentadores desportivos, o «momento do jogo».
LP, Domingo, 16 de Março de 2008 às 15:54
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