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Vagos Open Air 2012 -
Vagos Open Air 2012
Lagoa de Calvão, Vagos, 3 e 4/08/12
E lá consegui sobreviver a mais uma gloriosa edição do Vagos Open Air: Um fim-de-semana de som pesado, cerveja, praia e muito boa camaradagem. Não se pode pedir mais e volto a sublinhar que a relação qualidade/preço que se mantem intacta desde a 1ª edição (esta foi a 4ª) e a aposta em infraestruturas mais modestas tornam-no num evento sustentável e com boas perspectivas de futuro. E o cartaz? Bem, atendendo aos nomes que já teve no menu, é o melhor que a malta da pesada cá do Burgo pode desejar. E a edição deste ano foi particularmente generosa:

Sexta (03/08):

Bom tempo, a boa onda do costume e menos gente (o cartaz do ano passado tinha nomes bem mais gordos como os Opeth e Anathema no 1º dia). Tenda montada e estomago forrado, era tempo de ver concertos e a 1ª banda que vi foram os Suíços Eleuveitie. Confesso que o Folk Metal não é género que me agrade em particular, apesar da boa fama que goza actualmente. Mas gostei da entrega e do pouco abuso que fazem do "folclore". Pareceu-me sentir um certo toque Celta e a alternância com sons mais pesados pareceu-me muito bem. Boa recepção por um generoso número de fãs e nota positiva para o par de senhoras da banda, que ajudaram a tornar o show muito mais simpático.

Era chegada a hora da 1ª banda que eu queria mesmo ver e foi ainda sob a luz do dia que os Noruegueses Enslaved subiram ao palco sob uma grande ovação. Não será necessário dizer muito para além de constatar que se trata de uma das melhores propostas da cena pesada e um caso flagrante de brilhante evolução. Saídos da dura e obscura cena Black Metal da Noruega, foram gradualmente introduzindo uma vertente progressiva que se adensou especialmente nos seus brilhantes 4 últimos álbuns e as hostilidades começaram com a mais do que épica "Ethica Odini" (do soberbo último álbum "Axioma Ethica Odini") e durante um pouco mais de uma hora, apresentaram um alinhamento generoso que passou um pouco por toda a carreira da banda, com uma dose equilibrada de agressividade, progressão e atmosfera. Nota curiosa: A cover da "Immigrant Song" dos Led Zeppelin. Grande Show \m/

Seguiu-se o "Supergrupo" Norueguês Arcturus e tendo em conta o cariz mais "peculiar" do seu som eu receava que viessem a revelar-se um "flop" no cartaz da noite. Bem, não sei se desilusão será o termo certo, mas estes senhores foram uma proposta bem "diferente" e mais do que a sua sonoridade mais estranha e "espacial", o pormenor mais desconcertante residiu na performance do vocalista, o célebre ICS Vortex, mais conhecido pelo seu papel como baixista/Vocalista nos Dimmu Borgir. Segundo relatos de fãs fervorosos da banda, o problema não residiu no alinhamento, que parece ter sido justo, mas sim na incapacidade de conectar com o público. Apesar da enorme amplitude vocal, por entre toda a teatralidade e estranheza da sua performance, o senhor Vortex não animou a generalidade dos presentes e ficou a impressão de que os Arcturus serão banda para ver em locais mais "específicos".

Sem espinhas e salamaleques. Foi deste modo que entraram em palco os Headliners da 1ª noite do festival. Sim, um caso de revivalismo, uma banda mítica e influente como poucas dentro do som pesado, sobretudo para a prolífera cena do Melodeath Sueco. No entanto, a sua entrega e frescura em palco tornam esses pormenores irrelevantes. Os regressados Suecos At the Gates (que de momento fazem apenas concertos esporádicos) conseguiram a verdadeira ovação colectiva da noite e para isso bastou-lhes tocar os seus temas rápidos e técnicos com especial reação quando passavam pelo mítico "Slaughter of the Soul", a pérola da sua discografia. Grande presença do frontman Thomas Lindberg e excelente coesão do naipe de instrumentistas. Momento mais épico da 1ª noite do festival: "Blinded By Fear". Foi tudo pelo ar!! A seguir, after hours com os Mathgrinders Suecos Nasum, que assisti um pouco na diagonal, pois a minha pobre carcaça já não podia mais. Descansar era preciso.

Sábado (04/08)

Uma manhã bem preguiçosa na praia, com sol e um mergulho bem gelado serviram para "curar" os males de uma noite (mal) dormida num chão particularmente duro. Se a primeira noite foi um êxito, as expectativas para esta não poderiam estar mais elevadas. A moldura humana era hoje imensamente maior e como era de esperar, dividia-se entre muitos maduros presentes e claro, uma multidão de jovens headbangers. Os nomes grandes do cartaz faziam adivinhar um saudável encontro de gerações.

Por acaso aproximei-me cedo do palco, movido mais pela curiosidade do que por outra coisa qualquer. Em palco estavam os Taiwaneses (sim, de Taiwan) Chthonic e não liguei patavina ao seu som. O que me interessava (e a todos os fotógrafos profissionais presentes) era a belíssima e exótica baixista. Vencedora incontestável do prémio Miss Vagos Open Air 2012!

Vi os Holandeses Textures da bancada (já os havia visto antes e não apreciei muito) mas deu para perceber que tiveram uma recepção calorosa e que o seu som algo semelhante aos poliritmos dos Messhugah tem encontrado eco nas camadas mais jovens de headbangers. Após forrar um pouco o estomago e preparar-me para a guerra sónica que se avizinhava, tratei de conseguir um lugar o mais à frente possível e assim ficar surpreendido com o nome que se seguiu. Os Suiços Coroner, um nome mítico do Trash mais técnico da década de 80.

Eu conhecia-os apenas de nome, mas deu para ver que a falange dos Maduros tomou conta do espaço junto às grades. Fiquei impressionado. Os senhores devem pouco à expressividade em palco, mas são profissionais e virtuosos em abundância, em especial modo o guitarrista, um verdadeiro gênio das seis cordas. É muito bom fazer descobertas assim, no momento e sem rede e em breve aprofundarei os meus conhecimentos acerca desta banda de veteranos.

Aquelas paredes Marshall chegadas à frente e a decoração do fundo do palco não deixavam dúvidas. A tensão sentida no público também não. Foi uma espera interminável e não entendi o porquê de tantos preparativos (o som nem se revelou especialmente diferente e até ocorreram problemas técnicos nas duas guitarras). O certo é que ainda demorou até que as luzes se apagassem e soasse a intro e a primeira malha, "Come and Get It", do novo álbum. Um pouco depois, entrando no palco a correr, o endiabrado Bobby "Blitz" Ellsworth. Os míticos trashers Overkill estavam finalmente entre nós!!

Palavras para quê? Deram aquilo que se esperava deles. Ou melhor, atendendo aos anos de estrada que os senhores Ellsworth e Verni levam às costas, acho que até deram bem mais do que se esperava. Soaram malhas do novo "Electric Age", como o já citado "Come and Get it", "Save Yourself" ou "Electric Rattlesnake", passaram pelo anterior e potentíssimo "Iron Bound", mas a malta pedia clássicos e estes não faltaram. "Elimination", "Wrecking Crue", "Rotten to the Core", "Deny the Cross", "In Union We Stand" (grande coro colectivo), "Hello From The Gutter"... uff! um montão delas! Nota especial para a mítica "Fuck You!".

Grande hora e meia de Trash Old School bem-disposto e avesso a virtuosismos e nota dez para o mestre-de-cerimónias, que perguntou á malta se "já tinham levado porrada de um velhote" e "Vagos, vocês fizeram-me sentir como se tivesse novamente...50 anos!". Misteriosas foram as suas constantes saídas do palco, para regressar em corrida (contei pelo menos uma dezena de vezes) e os problemas técnicos que assolaram os dois guitarristas em determinados pontos do concerto, que nem por isso foi afectado. Grande aposta da edição deste ano e foi muito bom receber uma dose do velhinho som Old School, embora tenha ficado mais que evidente que apesar da potência e da vitalidade da entrega, este tipo de Trash não podia estar mais desfasado no tempo. Mas o público gostou e a banda também. O resto não importa.

Era então chegado o momento que eu aguardava com mais ansiedade. Os Arch Enemy eram um "cromo" que me faltava e o facto de eles terem-nos visitado previamente na área da Capital foi adiando este momento, até que para minha alegria foram confirmados no cartaz deste ano. Mudança de públicos. O pessoal mais maduro, devidamente saciado pelos Overkill, cedeu o lugar ao pessoal mais jovem e pelo número de presentes, pode-se atestar o saudável estatuto que os Arch Enemy desfrutam no panorama pesado actual.

Foram colocados adereços e mudados os equipamentos em menos tempo do que foi necessário para os Overkill (felizmente) e foi impressionante o Bruááá geral quando soou a intro "Khaos Overture", que antecedeu o 1º petardo do Show: "Yesterday is Dead and Gone". Espectáculo! Não consigo transmitir a emoção de ver a Angela Gossow entrar em palco. Ela é uma líder nata e neste momento, é-me inconcebível imaginar que já houve tempos em que esta banda existiu sem ela (um facto).

O som esteve excelente e à altura para que todos os brilhantes pormenores daquele maravilhoso naipe de instrumentistas fossem perceptíveis. Muito boa onda (fiquei em frente do Mike Amott e este estava visivelmente animado) e mais uma vez, nota 20 para a poderosíssima frontwoman Angela, que dominou o público a seu bel-prazer. É curioso notar que há mais pessoas a terem mais facilidade em dizer que ela "mete medo" do que constatarem que ela é efectivamente uma mulher sexy, mas foi hilariante notar que ela, por não entender patavina da língua, não soube reagir a um enorme coro "és tão boa" ahah!

O alinhamento foi grandioso e sem espinhas. Temas novos, como os espectaculares "Under Black Flags We March" (com a Angela a passear-se pelo palco com uma grande bandeira com o símbolo Anarca) e "No Gods, No Masters" (adoro esta) e não faltaram malhas do calibre de "Ravenous", "My Apocalipse", "Dead Eyes See No Future", "The Day You Die" ou a particularmente bem recebida "We Will Rise". Grande ambiente, com momentos de puro virtuosismo (apontamentos instrumentais dos guitarristas de tirar-se o chapéu) e a Angela pediu uma atenção especial para o baterista Daniel Erlandsson, que nessa noite estava a tocar com uma mão partida (mais tarde apurei que "Broken Hand" era mais especificamente uma fractura num dedo) e que por isso devíamos parar de gritar "Angela" e puxar pelo Daniel, o que fizemos com gosto.

Mas que grande final de festival e, para além de todos os adereços e apesar do pormenor de trazerem as suas próprias projecções e assim invalidarem as filmagens de palco, que seriam úteis para quem se encontrava mais longe da acção, os Arch Enemy fizeram tudo aquilo que se espera de uma banda da 1ª divisão. Grandes!!

O saldo dificilmente podia ter sido mais positivo e carimbei no meu passaporte o quarto visto consecutivo no Vagos Open Air e este é um evento que apenas conto perder num dos seguintes casos: ou devido a uma coisa muito má, ou devido a uma coisa muito boa. Não quero mesmo falhar, mas a acontecer, que seja pela coisa muito boa ;)
Artigo escrito por porcoespinho Domingo, 5 de Agosto de 2012 às 23:51 (16 comentários )
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Re: Vagos Open Air 2012
por: jecoreis | siga este autor | enviar mensagem privada Segunda, 6 de Agosto de 2012 às 13:32, 2 pontos
Meu caro vou colar aqui a minha "review" que deixei no Metalunderground:
"Grande Vagos!
Finalmente me estreei! Depois da desilusão com os Nevermore (que ainda espero vê-los num próximo Vagos), os Overkill eram o nome que me iriam fazer estrear no Vagos finalmente e assim aconteceu! E ainda bem! Assisti a um dos melhores concertos de sempre na minha vida! Músicos competentísimos, Bobby Blitz enérgico com a voz no ponto certo! Clássicos e mais clássicos e a certeza que ao vivo o Ironbound e o Electric Age são ainda mais brutais!
Som magnífico! Fiquei bastante surpreendido! Muito melhor que alguns Roque nos Rios!

Os Arch enemy fizerem um espectáculo muito competente, mas senti que já não tinha energia para mais headbanging depois de Overkill, já fui mais fã deles que agora propriamente, sentia-me cansado do som deles, mas foi sem dúvida um bom concerto!

Os Coroner surpreenderam-me, não estava à espera de gostar tanto! Não gosto dos seus albuns, ao vivo parecem ganhar outra vida!

Iniciei a maratona de concertos com os Textures e foi mesmo algo para esquecer, quando foram anunciados para o Vagos, andei a tentar ouvi-los e não achei interessante o suficiente, além de não gostar propriamente de gutural, salvo algums excepções. No entanto acho que o ponto fraco do concerto foi mesmo a voz limpa que achei quase sempre desenquadrada do resto da música!

Espero regressar para o ano! Adorei o recinto, bom ambiente, muita cervejinha e aquele maldito hidromel que realmente escorrega cumó caralho
\m/"

Só não concordo contigo numa coisa, não acho que o som dos Overkill esteja desfasado no tempo, acho que eles deram o concerto da noite e mostraram a muitas bandas de som moderno, como se entretém um público sedento por boa música pesada. A boa música é intemporal, os últimos albuns dos Overkill, para mim elevam-nos à categoria de melhores bandas de metal da actualidade. Quanto aos Arch Enemy, o concerto foi um pouco mais morno, os Overkill derreteram o público ehehe, acho que lhes calhou uma tarefa ingrata, fechar depois dos Overkill! Os apectos à la guitar hero, acho que foram um bocado exagerados o que não ajudou o público algo cansado. Foi um bom concerto sem dúvida, mas os Overkill foram os Reis e senhores da noite, foi essa a percepção com que fiquei estando a cerca de 15 metros do palco.
por: porcoespinho | siga este autor | enviar mensagem privada Terça, 7 de Agosto de 2012 às 1:40, 2 pontos
Olá Jeco! então andaste por lá também? fixe! Pá, eu gostei do show dos Overkill e correspondeu àquilo que eu esperava. Serralharia pesada e sem espinhas e o Bobby Blitz é mesmo um grande performer, mas mentiria se dissesse que os Overkill estavam entre as minhas «prioridades», que eram os Enslaved e os Arch Enemy. Como já mencionei por aqui uma vez, penso que até foi numa critica tua ao último disco deles, quando tinha os meus 18 anos passei uma fase de verdadeiro trasher, mas foi outro tempo e acabei por dedicarme a outros sons.
Mas malhas como «elimination» ou «Hello from the Gutter» mexeram comigo!
O Vagos é um grande festival e esta edição correspondeu ao que já é habitual desde a 1º edição: Um sucesso! Abraço!
Re: Vagos Open Air 2012
por: jade_pt | siga este autor | enviar mensagem privada Segunda, 6 de Agosto de 2012 às 14:05, 1 ponto
Excelente review !!! Eu infelizmente não pude ir mas graças à tua descrição já consigo imaginar um pouco daquilo que perdi ( e dói, ai se dói pensar no que perdi neste dois dias ...).

Ainda bem que há bastante pessoal aqui do fórum que gosta de metal ... se não formos nós a divulgar eventos e partilhar experiências, a Blitz também não o vai fazer.

Obrigada.
Re: Vagos Open Air 2012
por: zerofuckingchance | siga este autor | enviar mensagem privada Segunda, 6 de Agosto de 2012 às 20:54, 1 ponto
Não vou estar com muitas merdas. Enslaved deu o concerto do fest para mim. Calhou começarem a tocar de dia e escureceu precisamente na altura que tocavam Runn, o que dá sempre uma aura diferente à coisa. É como se a música puxasse a escuridão.

At The Gates achei que tocaram sempre a mesma música, mas não estou por dentro do trabalho deles.

Eluvietei até foi engraçado, mas não me fizeram fã.

Para o segundo dia, os reis foram os Coroner. Sem merdas, chegaram, tocaram e pelo meio deram um concerto do caralho com apenas 3 elementos (vá e um 4 que estava lá a dar ambiente nos teclados).

Overkill achei thrash do mais genérico possivel, principalmente após a porrada de coroner. Podem ser pioneiros, mas não os achei relevantes. Mas foi engraçado contar as vezes que o vocals saia de palco só para voltar a correr quando a musica começava a rasgar.

arch enemy confirmou o que eu achava: o som é fixe, mas demasiado americanizado para o meu gosto. O johan liiva pode ter uma voz de merda comparado com a angela e o som ser mais fraco com ele, o que é certo é que tinham 10x mais identidade. um bom concerto mesmo assim.

ah e a gaja do festival toca baixo nos tailandeses. E eu nem sou tolinho por asiáticas, mas aquilo era um pedaço bem apetecível.
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