questiono-me muitas vezes acerca das razões por detrás da actual crise que atravessa toda a conjuntura portuguesa, não só no sector económico e financeiro, mas também no sector da cultura e das artes, assim como no sector da educação e da saúde. tudo na natureza está interligado - tudo, sem excepção -, e do meu ponto de vista a gestão política feita em Portugal no últimos anos, é bastante económico-centrista. é inevitável pensar que o sector da economia depende também do sector da cultura, mas também do sucesso geral de cada sector da sociedade, e que não é com gastos excessivos ou cortes abruptos, que se resolve esse problema. ciente de que em Portugal, o sector da cultura, em particular o sector da música com o qual tenho particular afinidade na qualidade de consumidor, sofre de uma crise efectiva. esta crise não depende só do público, não depende só dos músicos, não depende só dos media. depende de cada um de nós. e enquanto não for tomada uma iniciativa massiva no sentido de tentar educar o público não a partir do facilitismo daquilo que é acessível e vendável, mas sim do contribuir para que dentro de cada género musical específico, haja, efectivamente uma tendência marcada para um consumo pautado perante normativas estéticas, vamos continuar a ter um público mal informado. tudo tem uma função, e uma intencionalidade (que não faz sentido se não houver acção e não se avaliarem as consequências desta de forma constante). no caso da música podemos pensar nesta como uma manifestação de carácter sociológico, cultural, intelectual, estético, espiritual até, praticamente em tudo o que atravessa o ser Humano, na sua actividade quotidiana. isto deve-se ao facto de a experiência estética em si ser uma clara manifestação não só da Natureza Humana, mas também da Natureza em si, e da Natureza do Universo, com tudo o que esta implica (a nível de transcendência). ou seja a música tem como função permitir-nos pensar e sentir de forma diferente. e na qualidade de um ouvinte exigente consigo próprio, não necessariamente melhor do que qualquer outro ouvinte, tomei por livre e espontânea vontade, a decisão de começar a escrever sobre música para o fórum blitz. e isto deve-se ao facto de acreditar no facto de que o público português necessita, incontornavelmente de novos referencias estéticos, e que isto deve vir não só da indústria especializada, mas da indústria de massas. não é por acaso, que frequentemente vemos revistas de música generalizas noutros países, escrita sobre música de vanguarda. se há intenção de se mudar a forma de pensar e agir de um povo, acredito que a música tenha um poder grande nisso. e é com a intenção de partilhar a pouca música que conheço que vou começar a escrever com alguma periodicidade para o fórum blitz.
Miguel Reis
Paris, 30 de Junho de 2012
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Convenhamos que uma frase como esta «educar o público não a partir do facilitismo daquilo que é acessível e vendável, mas sim do contribuir para que dentro de cada género musical específico, haja, efectivamente uma tendência marcada para um consumo pautado perante normativas estéticas, vamos continuar a ter um público mal informado» pede mesmo para ser interpretada como uma deixa algo pedante e pretensiosa. Em última análise, fazer isto seria exactamente o mesmo que os que supostamente vendem o «facilitismo», mas vendendo o supostamente mais interessante ou o que o valha. Amigo, esta ideia sugere que o público será como um rebanho de carneiros que podem ser moldados e guiados por um iluminado qualquer. Até pode ser verdade, mas não é uma ideia bonita.
A música não é vista e absorvida do mesmo modo por toda a gente. Para uns, é uma mera companhia ocasional, um divertimento. E para outros, uma «ciência», uma fonte de prazer e de saber, pelo que a informação existe e quem estiver interessado saberá encotra-la. Seja fã de Madonna, de Radiohead ou do John Cage. Não importa, pois se existe coisa rica na música, é a infinitude de géneros diferentes que existem à nossa disposição.
Sugiro-te que continues a apresentar as tuas sugestões, pois aposto que encontrarás sempre alguém que as receba de bom grado. Cumprimentos.
tipo criticar aquilo que os outros ouvem é muito facil, mas fazer uma critica construtiva, como aconselhar bons albuns dentro dos varios generos é que é mais complicado...
Seria bem mais construtivo se ou em vez de escreveres esse texto que praticamente só diz coisas obvias e de pouco interesse, escrevesses sobre a musica que gostas, aquilo que significa para ti, os teus albuns favoritos...
Eu acho que a procura da música tem de vir de nós próprios e sobretudo da educação que nos é dada, tanto pelos pais como pela escola ou pelo que tu quiseres..
Entristece-me saber que no mundo actual há muita gente já com duas décadas de existencia não conhecer bandas como Iron Maiden, Pink Floyd ou Led Zeppelin.
Graças a Deus, os meus pais puseram-me a estudar música com 4 anos, ainda nem ler sabia, e aos 7 anos ouvi Pink Floyd pela primeira vez.. Por exemplo. O mesmo não se passa com a minha irmã que com 15 anos praticamente feitos sonha em ir ver Justin Bieber...
Em parte, a culpa dessa falta de sentido estético que falas ( mal ou bem, pois eu posso apreciar a Mona Lisa e alguém ao meu lado dizer que é só uma velha a posar para um quadro ), é em parte nossa..
Os tempos mudaram e infelizmente ( ou não, porque ainda prefiro que as coisas que oiço tenha uma certa forma de pensar e de agir ) as coisas que gosto, e que pressuponho tu gostes também, não souberam evoluiir com os tempos, daí que a música que passava na rádio há 20 ou 30 anos sejam intrinsecamente diferentes..
Isso não tem a ver com o facto de a música ter evoluido... Tem a ver sim com o facto de o que era normal nas décadas de 70 e 80 serem diferentes dos nossos dias e que serão certamente diferentes daqui por mais 20 anos.. Achas que nos nossos tempos podia haver uns novos Pink Floyd que compuseram uma primeira parte da sua carreira cheios de LSD?? A sociedade mudou, tal como a sua maneira de olhar para a cultura..
Para além disso, os estilos que falas sempre foram menos mainstream que a pop. Mesmo nos anos 80 penso que seria impensável Pink Floyd ou Led Zeppelin passar mais vezes que Michael Jackson por exemplo..
Mais.. Um país que não tem dinheiro para pagar a Função Pública achas que pode estar preocupado com a arte, seja de que forma for?
Outra coisa que referiste?? Politica Economista-Centrista?? Se houve algum tipo de politica, senão agora, não foi essa com certeza... Bem pelo contrário..
A música é gostos... Tu gostas, eu não. Se não houver um estimulo por quem te é próximo ou por ti mesmo não há hipotese...
Abraço..
Aqui, o cd desde 15 ou 10 anos atrás, mesmo com IVA's, continua ao mesmo preço.
A música transporta e cria diversos ambientes dependentemente de quem a ouve.
Há revistas/sites de tudo o que é música, não só de vanguarda e nunca a música por si só é capaz de mudar quer que seja em qualquer sociedade.
No ínicio começaste com a política, a economia neste país é tendenciosa, e nunca poderemos dar o mesmo valor à música como à dada à educação ou à industria por exemplo.
Paris, 30 de Junho de 2012
lol. nice touch, pure genius.
Tb és médico?
A propósito... ou a despropósito, n serás o alfaiate a estrear casaco novo mas com velho discurso?
quanto muito o seu némesis, o LN. qual dos dois tará mais cansado da vida viva.
É que em termos de conteúdo não vale muito!
De resto bem vindo ao fórum, isto está morto e parecendo que não, são artigos destes que muitas das vezes para além de gerarem controvérsias nos comentários também nos dão a conhecer a opinião de diversas pessoas.