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Esta é apenas uma das perguntas onde o "Tigerman"abre o livro das suas opiniões pessoais e dispara contra a ideia governamental de tornar o canal jovem da rádio pública num posto emissor exclusivo de música portuguesa.
Há quem defenda uma Antena 3 só com música portuguesa. Como é que vêm esta possibilidade?
Paulo Furtado
- Há uns anos pôs-se a possibilidade das cotas de música portuguesa - já não me lembro qual era a percentagem. Seria 30% obrigatório de música portuguesa? Na altura perguntaram-me o que achava disso e eu respondi que 30% de merda portuguesa ou 30% de merda inglesa ou americana era a mesma coisa. E hoje digo o mesmo. Não faz sentido. O que faz sentido é existirem rádios que façam serviço público, que eduquem uma audiência e que tenham uma direção. E uma programação a pensar num bem maior. Para ser sincero, não consigo ver uma rádio como a Antena 3 a conseguir um público fiel só a passar música portuguesa. Não é isso que vai pôr as pessoas a ouvir música portuguesa.
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Sim, Moonspell são portugueses porque são de Almada, tal como os Wraygunn são portugueses porque são de Coimbra e os Osso Vaidoso são portugueses porque são do Porto (mais ou menos). Do meu ponto de vista, o que os influencia é que lhes dá o cunho pessoal à música que fazem. Depois há quem goste e quem não goste, mas aos meus ouvidos são todos portugueses. Tal como o David Fonseca ou os Madredeus. Não sei como é que o Roberto Leal canta agora, mas quando era miúdo pensava que ele era brasileiro... que também é uma forma de português, claro. A Sara Tavares também me soa a portuguesa porque os traumas que teve de suportar foram essencialmente portugueses... e isso pode fazer diferença...
Concordo que a música seja uma linguagem universal, independentemente da língua que é utilizada. Quando alguns cantores, como a Lisa Gerrard por exemplo, cantam num idioma inventado, ela não deixa de ser australiana por causa disso. Um português não deixa de ser português quando canta em francês ou em alemão...
A língua é só uma forma de comunicar ideias. Na música não define fronteiras e, sem ser na música, cada vez menos também. Já era altura de se abrir os olhos para esta "nova" realidade...
No que respeita a música tradicional, os Wraygunn, por exemplo, têm as raízes na América, mas mesmo assim não os ouço como americanos. Aliás, são bastante melhores do que muito músicos genuinamente americanos... e, apesar disso, parecem-me absolutamente portugueses...
Agora, também acredito, e sei, que a língua portuguesa é das línguas mais ricas e complexas que existem. O facto de haver gente que a sabe usar espectacularmente bem na música é fantástico e devia ser motivo de orgulho para qualquer português do continente ou dos palops.
Não concordo é que seja mais difícil usar português para cantar.