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Fermanl

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Fermanl: Apresentação -
Em 2004 Fermanl publicou o seu primeiro álbum da série Da Nova Aesthetyca - música electrónica processada por computador. O álbum intitulava-se «Favola» e surgiu em Edição de Autor.

Quatro anos depois, surge agora em 2011 «O Escritor de Sons», o segundo álbum da mesma série, também em Edição de Autor.

Mais info em http://fermanl.yolasite.com
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Biografia

FERMANL é o nickname que Fernando Manuel Neves Laranjeira decidiu adoptar. "Fermanl é mais simples, menos confuso". Nasceu em Oliveira de Frades, a 3 de Fevereiro de 1951. Frequentou a Escola e o Colégio locais, o Externato Lafonanse, onde criou a sua primeira banda, Os Aliks. "Os Aliks eram um grupo surrealista. O nome deriva de uma obra de Ficção Científica, onde designava discos voadores ocultos numa base na China... Pretendíamos imitar uma quadra de rock n' roll com instrumentos improvisados - era bastante estranho. Foi nesta altura que compus as minhas primeiras canções, em inglês". O 6º ano do Liceu foi em Viseu; o 7º no Colégio Tomaz Ribeiro, em Tondela. "Viseu era na altura uma cidade do interior muito pacata; mas existiam dois grupos muito bons, Os Tubarões e Os Corsários. Os primeiros chegaram a publicar um disco e surgiu mesmo a hipótese de eu escrever algumas canções para eles; acabou tudo por se gorar por falta de continuidade... Em Tondela formámos um grupo para a 'Festa da Casa', a festa anual do Colégio. Coisas esporádicas."

Em 1971 Fermanl Foi para o Porto - Faculdade de Medicina. "O ambiente do Porto era muito bom, tanto do ponto de vista pedagógico como ao nível das vivências paralelas. Fiz parte do OUP - Orfeão Universitário do Porto (tivemos uma digressão pascal pelas Ilhas que foi inesquecível) e, mais tarde, do TUP - Teatro Universitário do Porto. Foi nesta altura que conheci o Rui Sarmento e o Fernando Rocha; gravei o meu primeiro disco, um EP - Retalhos de Verdade". Em 1973 estava em Lisboa, também em Medicina. "Concorri ao Festival da RTP em parceria com o David Ferreira. Não fomos escolhidos, mas fomos reconhecidos. Escrevi alguns contos para o jornal República - tenho saudades desse tempo. Depois foi o contacto com os cantautores de intervenção. Quando surgiu o 25 de Abril jé estava a rodar pelo País." Fez parte do GAC _ Grupo de Acção Cultural 'Vozes na Luta'. Colaborou com o Fausto na 'Madrugada dos Trapeiros'. Fez parte da Era Nova e do Algazarra. "Cantei um pouco por toda a parte, de norte a sul".

Em 1980 Fermanl teve um AVC e regressou a Oliveira de Frades. "Tive que refazer a minha cabeça, mas recuperei sozinho. Em 1983 já estava a compôr de novo e recomecei a estudar Física. Colaborei com um grupo local, o Cantés e escrevi textos para as canções de um álbum que publicaram. Em 1989 fui à Televisão do Porto, ao Às Dez, com o heterónimo de Rafael Bardo, apresentar alguns temas de um conjunto de canções gravadas nos estúdios do Fernando Rangel, Serenata no Tempo. Foi uma experiência episódica muito interessante. Não teve continuidade. Mas a obra de Rafael Bardo é imensa, em textos, poemas e canções; e aguarda publicação. Em 1994 fui dar aulas de Física em Castro Daire - Ensino Secundário. Entretanto iniciei a minha investigação em Astrofísica e regressei à base".

Em 2004 iniciou o projecto Da Nova Aesthetyca - música eléctrónica. Nesse ano publicou o album Favola; em 2011 surgiu O Escritor de Sons.

Fermanl também é pintor e expôs algumas obras. Em 2009 realizou uma colecção de quadros que podem ser vistos online.

Actualmente Fermanl está mais vivo do que nunca, com imensos projectos em diversas áreas. "Temos que ir para as estrelas e resolver o problema da velocidade da luz; penso que a minha investigação pode contribuir para isso".

As referências ao seu trabalho encontram-se dispersas pela Internet.

 

Discografia
bz.stories/76607
Marta A Canção _ O Heroísmo Desportivo do Marechal da Cornualha

Marta A Canção  e O Heroísmo Desportivo do Marechal da Cornualha foi um single editado pela Sasseti _ Diapasão em 1975. Os dois temas incluídos (cantados) são da autoria de Fermanl e a orquestração é de Pedro Osório. A gravação decorreu nos Estúdios da Valentim de Carvalho, em Paço D'Arcos e nela participaram Guilherme 'Scarpa' Inês ( Cid, Scarpa e Carrapa , bateria), Zé da Ponte (baixo), Carlos Zíngaro (violino) e Pedro Osório (piano). Os coros foram feitos por duas meninas lindíssimas descobertas pelo Pedro Osório (que espero leiam este texto e me contactem para matar saudades).

A Revolução de Abril estava no auge. Fermanl trocara a Faculdade de Medicina do Porto pela de Lisboa e dedicava-se agora a compor e interpretar canções satíricas de crítica social. Porquê satíricas?

"A sátira é uma arma terrível - o riso é uma arma. É um género actualmente pouco cultivado no nosso país, mas que tem tradições profundas na nossa literatura - desde as Cantigas de Escárnio e Maldizer populares no tempo de D. Dinis até aos mais recentes Bocage e Nicolau Tolentino. Nos nossos dias, o género foi abordado pelo José Afonso (Rio Largo De Profundis e o Primo Convexo, por exemplo), Sérgio Godinho (O Charlatão, Arranja-me Um Emprego) e José Mário Branco (Casa Comigo Marta, Meu Santo Antoninho  e outras).

Lisboa é uma cidade incrível, dá-se a volta ao mundo e dá-se a volta à vida, vê-se de tudo e não se vive nada - ou quase nada... E é pena. Mas as gentes alfacinhas são muito diferentes das do norte, é tudo mais distante, mais circunspecto, mais exíguo. O que o Porto tem de exuberância tem Lisboa de recato. No norte quando se encontra um amigo é uma algazarra; em Lisboa só há euforia quando o monstro (o futebol e as manifs) sai à rua. Eu tive a sorte de conhecer o José Jorge Letria (Tango dos Pequenos Burgueses) e o Carlos Alberto Moniz (sátiras populares açorianas); ficámos grandes amigos desde o primeiro encontro e passávamos horas a conversar e a rir desalmadamente das azias deste povo tão difícil de desencravar. Foi o Zé Jorge que me convidou para a Sociedade de Autores, uma coisa que hoje em dia quase não tem importância nenhuma mas que nesse tempo era uma honra muito grande - e ficar-lhe-ei para sempre grato por isso.

Ouvi o 'Casa Comigo Marta' quando ainda estava no Porto e aquela história ficou-me cá dentro - quando eu era miúdo a minha mãe e as minhas tias utilizavam frequentemente a expressão "Morra Marta, Morra Farta!" numa ênfase muito Brites de Almeida que significava mais ou menos "perdido por cem, perdido por mil" - mas as duas histórias não se alinhavam. Decidi fazer uma experiência sobre o tema e compus 'Marta A Pastora' com o texto que seria a versão final. O Zé Cid adorou aquela coisa e cantei-a com os Green Windows numa festa em Campo de Besteiros... as voltas que isto dá!...

Eu passava a vida a fazer maquetes de canções e concept-álbuns (que ficavam sistematicamente no tinteiro ou nas cassettes) no estúdio de um outro grande amigo meu, o Luis Martins Saraiva, o CEIS (Centro Experimental de Imagem e Som, improvisado nas caves no Teatro da Comuna, onde fazíamos desde música até animações em desenho sobre película - Mac Laren era o génio a atingir - som óptico e fita perfurada com letra-set e papel adesivo colorido - um desvario de criatividade...). Mas não conseguia uma Editora e o GAC (Grupo de Acção Cultural - Vozes na Luta) - do qual também fiz parte - considerava o meu trabalho como um sub-produto mais ou menos descartável. Uma noite estava na cama a pensar na Marta e em que volta lhe havia de dar para que a carga negativa da sátira resultasse num absurdo não recuperável quando de súbito tive uma epifania e compreendi onde estava a raiz do problema: no título. Marta a Pastora não resultava, a palavra Pastora é demasiado forte, demasiado estranha ao contexto urbano do tema. Não é a Marta-mulher que passa por todo o vilipêndio narrado mas sim a Marta-canção. Uma canção, quer queiramos quer não, acaba por ser um objecto de consumo que flui através dos contextos menos imagináveis e das semânticas mais abstruzas; só a referência ao autor impede que acabe tão alienada como o dinheiro, por exemplo. Portanto, não seria Marta a Pastora mas sim Marta A Canção que conta a sua própria história, desde que a agulha do gira-discos pousa no vynil, farta porque completa, farta 'até mais não' - como diz o Blitz - porque repetida até à saciedade.  Ou até fartar - porque se fartura é abundância, o acréscimo é infinito. E vocativo: Farta! - sejas tu a saciá-la! "Fica perfeito" pensei.

No dia seguinte fui ter com o Luis Martins e disparei-lhe: "Luis, já sei o que é que eles querem! Vamos fazer uma maquete para Editar mesmo!" E fizemos, com voz e violas dobradas, Marta A Canção e O Heroísmo - uma outra história, uma desconstrução oriunda de um cruzamento entre O Rei Lear de Shakespear e o processo revolucionário então em curso que visava por um bocado de água fria no fervor militarista em que o Verão Quente se transformara, ameaçando uma escalada social-fascista que perverteria tudo aquilo por que tínhamos lutado. E a maquete ficou pronta.

Na altura era o Pedro Osório que dirigia o Departamento de Música Portuguesa da Sassetti_Diapasão. Telefonei-lhe, marcámos um encontro. Ele ouviu a maquete e decidiu avançar com o projecto. E o disco saiu, com uma capa surrealista do Guilherme Quaresma que ilustrava fielmente as contradições de toda a obra e acabou por ter também formato de álbum com os textos incluídos. Foi uma jornada entusiasmante, os músicos eram todos muito bons a agarraram tudo em poucos minutos. Lembro-me de o Zíngaro me perguntar "O que é que eu vou fazer"? e de eu lhe ter respondido "Conheces o álbum do Dylan 'Desire'? (ele conhecia) Achas que és capaz de fazer um improviso no género do Scarlet Rivera?" Ele foi de uma dignidade exemplar "Bom, acontece que eu não sou o Scarllet Rivera... mas penso que entendo o que queres dizer." E fez, um trabalho magnífico em ambos os temas onde numa única tomada de som consegue criar o envolvimento de vários sintetizadores - só ouvido.

No final o Pedro estava sorridente mas circunspecto - "isto é uma avacalhação..." dizia ele, naturalmente nervoso... Mas eu respondi-lhe "Então, Pedro! Muito riso, muito siso, não é?" Porque, se virmos bem, o problema não está em rirmos mas sim em termos (ou não) um contraponto de seriedade para o nosso riso. E não houve celebração porque o orçamento não dava para mais.

Quando revejo na memória os magníficos diapasões das Torres Gémeas do World Trade Center, tenho vontade de chorar.

 Fermanl

 

bz.stories/76599
Retalhos de Verdade - A capa do EP Retalhos de Verdade
Retalhos de Verdade

Retalhos de Verdade é o título genérico do primeiro disco de Fernando Manuel Neves Laranjeira (Fermanl). Trata-se de um EP que foi gravado para a etiqueta Roda - Vadeca _ Porto em 1972 e inclui quatro temas: Chico Triste _ Porta Entreaberta _ Caminhavam Como Homens _ Feira Franca . Os temas são cantados e a orquestração foi feita pelo Maestro Resende Dias. Os coros foram executados por um grupo de gospel e blues - os Genus Vitae. A captação de som é de Fernando Rangel. As músicas e os poemas são da autoria do intérprete e a capa, desdobrável (uma raridade para um EP), incluía os textos.

Em 1972 Fermanl estudava na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. A capital nortenha era já nesse tempo uma cidade aberta, jovial e cosmopolita. Todas as experiências do movimento hyppie circulavam pelo mundo académico e a Nova Músiva Portuguesa ensaiava os primairos passos. Na Rádio Renascença Porto e nos Jardins do Palácio de Cristal escutava-se Blood Sweat and Tears, Led Zeppelin e Chicago Transit Authority, Bob Dylan, Janis Ian e Melanie Safka forneciam o contraponto interventivo e nas discotecas ouvia-se Jane Birkin - Je T'Aime - Moi Non Plus. BB estava no auge e o écran do Batalha  vibrava com Barbarela e Diabolik - ao mesmo tempo que Helga quebrava os tabus com o seu parto filmado e atirava desmaiados para o átrio do São João. O Teatro Sá da Bandeira encenava Harold Pinter com Jacinto Ramos (O Porteiro) e apresentava os Up With People em digressão mundial. No TUP pontificavam Steinbeck, Arthur Miller e Ionesco. Nas ruas circulava A Memória do Elefante, possivelmente a melhor revista da contra-cultura de todos os tempos - Fermanl nunca mais esqueceu Univac e a sua pergunta sacramental: "É possível inverter a Entropia?"

Foi nessa altura que Fernando Rocha e Rui Sarmento (nesse tempo locutor da RR-Porto e colega de Medicina de Fermanl) decidiram lançar um concurso para a divulgação de novos Autores através do programa Auditório. Fermanl, que pertencia ao Orfeão Universitário do Porto, concorreu com todos os amigos a apoiar - e o disco surgiu.

Retalhos de Verdade  foi um estrondoso sucesso, muito embora Fermanl, que naturalmente encetara a viagem no interior do black-hole do estrelato, de nada se tivesse apercebido e tudo lhe parecesse escasso e mitigado.

"Foram tempos excelentes esses que vivi no Porto. Viajei na TimeStar, amei a Melatryx. Que mais poderia desejar?

Fermanl

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Género musical: Da Nova Aesthetyca

Site: http://fermanl.yolasite.com

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Segunda, 19 de Setembro de 2011 às 14:05
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