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Feist - Metals [leia aqui a crítica da BLITZ 64] -

Feist - Metals [leia aqui a crítica da BLITZ 64]

Feist deu o salto com The Reminder . Com este magnífico Metals entra, segura de si, no Olimpo.

Em 2007, The Reminder empurrou Leslie Feist para a luz de uns holofotes que tinham ameaçado acender-se sobre a sua cabeça três anos antes. Nos últimos quatro anos, muita coisa mudou na carreira da canadiana é com este Metals que a ex-Broken Social Scene firma a sua presença na corte da pop de créditos indie. O primeiro avanço do disco, "How Come You Never Go There", pode entusiasmar pouco, mas o álbum, como um todo, afasta-se, e bem, daquilo que poderia ser considerado território confortável. "The Bad in Each Other" abre de forma ambiciosa, com percussão acutilante, rendilhados folk e uma secção de cordas a fazer lembrar grandes momentos do reportório dos Tindersticks. Mais madura, talvez, a voz de Feist continua bonita como sempre. "Graveyard" mantém a toada de aparente simplicidade, com uma atenção ao detalhe tão bem disfarçada que até parece brincadeira de criança. E quando chegamos a "Caught a Long Wind", balada lenta de subtileza enternecedora, estamos já certos de que Metals nos vai deixar rendidos.

"A Commotion" cai como uma bomba, com as suas cordas desbragadas e bateria a trote a chicotearem Feist, que vê a sua voz esmagada por um coro masculino. As emoções palpitam até que "The Circle Married the Line", mesmo evocando Nick Drake, nos deixa, por instantes, algo desolados. "Bittersweet Melodies" marca, de forma sedutora, a entrada na segunda metade do álbum, relembrando-nos por que razão Feist continua a ser um sopro de frescura num universo pop que raras vezes mostra este nível de elevação. Em "Anti-Pioneer", a cantora perde completamente a vergonha de namorar com os blues - Jeff Buckley acena em jeito de aprovação - e em "Undiscovered First" muda novamente o registo, com os metais a assoberbarem-nos. E esmagarem-nos, de seguida. Na reta final, "Cicadas and Gulls" traz o conforto da guitarra acústica e "Comfort Me" e "Get It Wrong, Get It Right", com o seu piano acutilante, mantêm-nos sob encantamento, ao ponto de querermos ouvir Metals novamente. E outra vez. E ainda outra, sem interrupções.

4/5

Texto de Mário Rui Vieira

 
Artistas de A a Z    ¤   Feist
tags: feist
Notícia escrita por MRV Quarta, 12 de Outubro de 2011 às 12:28
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