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Composto por dez canções perfeitamente autónomas e completas, que poderiam ter dado perfeitamente dez singles perfeitos, Anima Animus é um álbum de excelência.
"Anima e Animus
, na psicologia analítica de Carl Gustav Jung, são aspectos inconscientes de um indivíduo, opostos à persona, ou aspecto consciente da personalidade.
O inconsciente do homem encontra expressão como uma personalidade interior feminina: a
Anima
;
No inconsciente da mulher, esse aspecto é expresso como uma personalidade interna masculina: o
Animus
."
Et voilá. Quanto ao título, está tudo dito. Nada a mais, nada a menos.
Musicalmente, o Anima Animus é selvaticamente agressivo e de temperaturas extremas, podendo chegar a queimar de uma frigidez glacial, por exemplo em Disconnected, ou devido aos calores mais tórridos, por exemplo em Prettiest Thing, passando pelo conflito animal com as forças incontroláveis da natureza em Turn It On.
A música dos Creatures sempre se adaptou camaleonicamente aos ambientes em que foi criada: Feast no Hawai, boomerang em Espanha ou Hái! no Japão.
Apesar de ter sido gravado em Toulouse, França, Anima Animus cresce especialmente bem adaptado a ambientes de casa de banho de discoteca nova iorquina.
Desde 2nd floor, que arranca com a ameaça de presença e com vontade de sempre mais, até à frágil e asfixiante canção de embalar final, Don't Go To Sleep Without Me, que chegou a ser incluída na bso do Blair Witch Project, Anima Animus foi um grito de desafio para a indústria discográfica gagá e decadente, no final do século XX. A dedicatória está no tema Take Mine.
Presente, está também o gigantesco Exterminating Angel, que começou por rebentar numa sessão espontânea de puro exorcismo pós-banshees de Siouxsie Sioux, sendo o título referência ao filme de Buñuel, que é uma parábola sobre a agressividade inata do ser humano, em que o inferno são as outras pessoas presentes num jantar, o qual os convidados não podem abandonar. O título de Buñuel inspira-se na bíblia, no livro do apocalipse.
Say é uma das poucas canções de Siouxsie Sioux com dedicatória oficial. Foi dedicada à memória de Billy McKenzie, vocalista dos Associates, que se suicidou alguns anos antes.
I Was Me é feita também a partir de um exercício de auto-reconhecimento de imagens passadas.
Another Planet, numa remistura com Juno Reactor, serve também à banda sonora do filme Lost in Space, que tem passado ininterruptamente num dos canais por cabo. Liga espacialmente bem ao tema do genérico pelos Apollo Four Forty.
Para a digressão de promoção deste álbum, Budgie usou em palco também um tambor taiko japonês, para além das percussões habituais. E Siouxsie passou aos batuques também. Foram uns espectáculos e tanto... apesar de haver quem achasse que o som dos concertos era demasiado alto...
Do Anima Animus resultou depois o Hybrids... mas esse, é outra história.
"The light at the end of the tunnel is only
the headlight of the oncoming train"
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