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Francisco Caseiro

Novo álbum dos Trêsporcento, “Território Desconhecido” tem edição BLITZ Records. Ouça-o e leia a entrevista

“Território Desconhecido” é o título do terceiro álbum da banda de Lisboa. Pode ouvi-lo aqui, nas principais plataformas de streaming. Leia também a entrevista

O quinteto lisboeta já leva consigo contas generosas: apresenta agora na BLITZ Records “Território Desconhecido”, o terceiro álbum de uma carreira que se estende quase por uma década.

"Território Desconhecido", dos Trêsporcento

"Território Desconhecido", dos Trêsporcento

Ouça-o aqui:

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Cada um dos registos anteriores tem um lugar muito claro no mapa da aventura Trêsporcento, admite Tiago Esteves, vocalista/guitarrista e letrista da banda: «o EP [de 2009] foi gravado para ser apenas uma maquete. Nessa altura não trabalhávamos com nenhuma agência e foi tudo feito em modo “do it yourself”. Deu-nos, para nossa surpresa, o primeiro single a chegar às rádios, “Macaco”, e também uma música com que acabámos os concertos durante muito tempo, “Espero”». «Os dois discos seguintes [Hora Extraordinária, de 2011, e Quadro, de 2012]», prossegue, «são uma espécie de díptico: foram gravados com muito pouco tempo de intervalo e marcaram a nossa relação com o Diego Salema Reis, que nos ajudou e ensinou a gravar em ‘ensemble’. São discos que nasceram na sala de ensaios e tentam reproduzir essa energia».

A energia de que fala Tiago teve sempre um papel importante no palco. «Os nossos concertos sempre foram muito mais do que uma reprodução mais ou menos fiel dos discos, e daí surgiu Lotação 136, um disco ao vivo gravado no Teatro Aberto que marca o fim de um ciclo criativo que tinha começado com o EP». Lançado em 2014, este disco ao vivo acaba por mediar dois trabalhos de originais separados por meia década. Muito tempo? Lourenço Cordeiro, guitarrista, evoca mudança de rotinas e o abraçar de novos métodos para explicar a espera por este Território Desconhecido. «A expressão “mudança de rotinas” é particularmente feliz e ajuda a explicar o que se passou com os Trêsporcento», confirma o músico. «Nós sabíamos que as coisas teriam de mudar se queríamos manter os Trêsporcento vivos. Tivemos de aprender um novo método de colaboração que não passasse pela rotina quase militar da sala de ensaios. Os dois singles que editámos durante este período, “Homem Novo” e “Aguentem-se os Fracos”, representam a nossa primeira abordagem a esse novo método. E assumiram-se como tubo de ensaio para o Território Desconhecido. Sem eles este disco não existiria».

Como é óbvio quando se procura entrar por terreno novo, desconhecido, convém ter sempre referências, para que ninguém se perca. «Sempre acreditámos que a nossa estética sonora estava ancorada nalguns discos que nos marcaram muito porque foram editados na altura em que a banda se estava a consolidar: Silent Alarm, dos Bloc Party, Boxer, dos The National, e In Rainbows, dos Radiohead», especifica Tiago Esteves. «Por sua vez, o som do novo álbum, que remete para os anos 80, vem muito dos arranjos compostos para este disco, muitos deles pela mão do Flak. Mas vem também das nossas memórias: somos quase todos crianças dos anos 80. Contudo, nunca nos sentámos para decidir que este disco tinha de soar aos anos 80 ou a outra coisa qualquer. A única ambição era a de fazer um disco que não estivesse preocupado em soar àquilo que já tínhamos feito».

Há, de facto, novidades no som dos Trêsporcento, incluindo uma abordagem mais «cantautor» à interpretação vocal, como sucede em «Um Grande Passo», sugerimos. «É um álbum menos rock do que os outros, daí a forma de cantar refletir isso», concorda o vocalista. «Sempre olhámos para as músicas com a preocupação de responder àquilo que elas pediam e a interpretação que foi feita neste disco pelas vozes cumpre isso na perfeição». Claro que ter um veterano como Flak (Rádio Macau, Micro Audio Waves) aos comandos da produção ajuda a enfrentar qualquer território. «A grande diferença foi o tempo que trabalhámos o álbum em estúdio. Tivemos cerca de seis meses com o Flak em estúdio a destruir e reconstruir músicas. Essa abordagem foi bastante marcante para uma banda que estava habituada a gravar álbuns numa semana», explica Tiago. «Grande parte dos arranjos de teclas, por exemplo, foi composta pelo Flak. O som das guitarras passou sempre pelos pedais que o Flak tem no estúdio, que não eram necessariamente os nossos. E só não usamos as guitarras dele porque ele é canhoto», graceja.

  • Luís Guerra

    Autores

    Estudou Comunicação – e outros delírios – na Nova, mas foi na internet que participou, em 1998, no primeiro trabalho de grupo (chamava-se Rádio Pirata). Desde logo encontrou também a música que o levaria à redação do jornal BLITZ um ano depois. No início do século XXI deu um ar da sua graça (humor, sim) na SIC Radical com Markl, Alvim e os Gato Fedorento à mistura, regressando ao mister de escriba para ver o BLITZ virar revista – é seu editor desde 2008. No Expresso também dá música.