Blitz Records

Uma parceria com o jornal EXPRESSO

siga-nos

Perfil

Blitz Records

Rita Carmo

Ouça aqui “Road Antics”, dos stoner-rockers Her Name Was Fire, uma edição BLITZ Records. E leia a entrevista

Duo stoner-rock de Lisboa lança álbum de estreia com o selo BLITZ. E pode ouvi-lo aqui, nas principais plataformas de streaming.

Já tinham tocado juntos noutras bandas, mas João Campos e Tiago Lopes decidiram seguir caminho só os dois em 2015. Os Her Name Was Fire estreiam-se agora nos álbuns com Road Antics, que traz o carimbo BLITZ Records.

O registo de estreia deste duo está disponível nos principais serviços de streaming. Ouça aqui:

Spotify

Deezer

Ouça no Tidal

João Campos e Tiago Lopes conheceram-se há aproximadamente sete anos, quando o primeiro partiu em busca de um substituto para o baterista dissidente dos Rejects United, banda na qual tocaram juntos pela primeira vez. Seguiram-se outros projetos, de parte a parte, e, em 2015 nasceram os Her Name Was Fire. «Apeteceu-me fazer uma coisa diferente», começa por dizer João Campos, vocalista e guitarrista do duo, «já tinha tido bandas com quatro, cinco, seis elementos e quis fazer uma coisa completamente diferente. Falei com o Tiago nesse sentido e começámos a ensaiar, a ver se saía alguma coisa. A química foi imediata. Logo no primeiro ensaio saíram umas cinco ou seis ideias, de rajada». Uma dessas ideias acabaria por evoluir para «Gone in a Haze», o single que antecipa a edição de Road Antics, o primeiro longa-duração da dupla, que chega às lojas com o selo da BLITZ Records. Também «as três músicas que gravámos no EP [editado há um ano] foram feitas no primeiro ensaio. Temos funcionado muito assim. Tentamos trabalhar as ideias que instintivamente nos soam bem, que nos fazem sentido», explica Tiago Lopes, que além de baterista ajuda o colega nas vozes.

Tanto um como outro estão bem cientes dos prós e contras de fazer música a dois: «ter mais um elemento, um número ímpar, para desempatar é muito mais fácil. Mas a nível de logística, para combinar coisas, ensaios até, tocar ao vivo, coisas tão simples como transportar material, é muito mais fácil com duas pessoas», defende o vocalista. As decisões, por vezes, podem demorar mais tempo a ser tomadas, por necessidade de consensos, «às vezes, parece uma discussão entre cinco pessoas em vez de duas», mas o baterista garante que acabaram por conseguir «encontrar um entroncamento sem fim» que tem funcionado. «Apesar de sermos uma banda muito recente, desde o início que nos apercebemos que a nossa força está em sermos só dois», acrescenta, «mas, mesmo sendo só dois, funcionamos como se fossemos apenas um. É isso que tentamos transparecer em palco. Acaba por ser uma questão de matemática. Ao vivo, soamos como uma banda de cinco pessoas, na realidade somos dois, mas tentamos pensar e agir como um. É essa a nossa força».

A música não é, «infelizmente», dizem, a atividade principal de nenhum dos dois, «se pudéssemos, fazíamos só isto», desabafa o baterista, «mas o facto de sermos obrigados a ter uma vida profissional além da música, que nos ajude a pagar as contas, não significa que não estejamos nisto como um segundo trabalho a tempo inteiro, muitas vezes». O colega acrescenta: «temos muito prazer em fazer música e um sistema de ensaios muito regular, por vezes com muito sacrifício pessoal. Levamos isto a sério, independentemente de ser uma coisa secundária em termos práticos». O facto de terem competências na área audiovisual ajuda-os, também, naquilo que fazem enquanto Her Name Was Fire. «Tentamos canalizar todo o nosso conhecimento, seja de música, design, vídeo», diz Tiago, «somos uma banda muito “do it youself”, desde os vídeos ao trabalho gráfico, é tudo feito por nós», acrescenta João.

Uma femme fatale pelo caminho
A história por trás do nome que escolheram para se apresentar ao mundo pode ainda estar por contar, mas a protagonista tem traços bem definidos. «É aquela mulher que destrói relações, vidas e corações», explica o vocalista, «acho que qualquer um de nós já teve uma pessoa dessas na vida. E chama-se Maria [risos]… Não, estou a brincar». A intenção foi pegar no conceito de femme fatale que está na base dos Her Name Was Fire e desenvolvê-lo «para uma história ficcionada de como a banda surgiu». «É isso que estamos a tentar explorar nos vídeos», revela o baterista, «já saiu o primeiro e o segundo sairá depois de o álbum ser editado. Depois, logo veremos se continuamos a explorar essa saga ou não. Tenho quase a certeza de que o que vai acontecer é que vamos encerrar a questão da história com o segundo vídeo e fazer depois vídeos que não terão absolutamente nada a ver com ela. Se calhar, um dia mais tarde, voltamos a pegar nela e continuá-la». Esta narrativa, explicam, pouco tem a ver com a história do álbum. Road Antics, afiançam, não é um álbum conceptual, «mas há uma linha condutora em termos de vibe… É a estrada, a perdição, essa tal femme fatale. Há sempre ali um não sei quê de deserto, de poeira. Antics acaba por ser grotesco… Situações estranhas que podem acontecer na estrada».

As influências vêm de todo o lado, garantem, «qualquer estímulo que nos desperte o interesse acaba por nos influenciar de alguma maneira», mas entre filmes («Nightcrawler», tema originalmente incluído no EP e que surge também no álbum, foi inspirado por Nightcrawler – Repórter na Noite, com Jake Gyllenhaal) , livros e muita arte há artistas que marcam o caminho da dupla de forma mais premente. «Quando comecei este projeto estava muito focado em Reignwolf, que é um gajo praticamente desconhecido, Death From Above 1979, White Stripes também, Queens of The Stone Age, mas isso nem se fala, e entretanto as coisas foram começando a abrir-se para outros caminhos», revela João Campos, «agora até andamos numa onda muito psicadélica, cenas de rock um bocado mais vintage». Além de, nos últimos meses, terem andado «completamente viciados» no mais recente álbum de Iggy Pop, «que nem sequer tem nada a ver», explicam ainda que uma canção tem David Bowie bem presente. «Foi composta no dia antes de ele morrer. Estávamos a pensar numa versão para tocar num espetáculo e começámos a falar dele. “E se fosse a ‘Heroes’?”», conta o baterista, «entretanto, acabámos por não fazer, mas surgiu uma ideia de um riff e pegámos nele. Experimentámos e nasceu a música. Decidimos, por graça, chamar-lhe “Starman”. No dia seguinte, ele morreu e mudámos para “So Long, Starman”. Não foi uma premeditado e nem acho que o David Bowie seja uma grande influência musical, mas a nível estético é uma referência para nós».