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The Poppers

Rita Carmo

The Poppers na BLITZ Records: leia a entrevista e fique a saber tudo sobre “Lucifer”, o novo álbum

Regressam em 2017 com um terceiro longa-duração produzido por Legendary Tigerman. Lucifer chega com a chancela da BLITZ Records e Rai – vocalista e guitarrista – explica a Mário Rui Vieira o que mudou na banda.

Rita Carmo

Rita Carmo

Fotojornalista

O caminho até Lucifer, terceiro e novo álbum dos lisboetas Poppers, foi atribulado. Poderia dizer-se que o disco que agora chega às lojas, com o selo da BLITZ Records, nasceu das cinzas de um outro, gravado em Londres em 2013, mas a verdade é que – salvo um ou outro reaproveitamento – as canções que o grupo agora apresenta estão a anos-luz daquelas que acabaram por ser descartadas. «O disco esteve realmente pronto e gravado, mas não me identifiquei com ele», confessa Rai, vocalista e guitarrista do grupo, «as pessoas que ajudaram no crowdfunding vão recebê-lo e, certamente, vão acabar por me dar razão quando o compararem com o novo». Nos três anos de intervalo entre os dois registos, a banda parou para pensar no que iria fazer a seguir, Rai dedicou-se aos Keep Razors Sharp, a sua outra banda, e «só há relativamente pouco tempo, a meio do ano passado, voltámos a pegar nas coisas para acabar aquilo que tínhamos começado». Rapidamente perceberam que o caminho seria diferente, desta vez, «há umas três canções que vêm do outro disco, mas não têm nada a ver. Acabámos por ter uma abordagem completamente diferente». O principal «culpado» pelo caminho agora adotado é um amigo ilustre. «Numa conversa informal, falei com o Paulo Furtado e convidei-o para produzir o álbum. Estava receoso, estimo-o muito, mas ele não pestanejou sequer», explica. O envolvimento de Furtado, que o mundo conhece melhor enquanto Legendary Tigerman, não se resumiu à produção de Lucifer: «um pouco antes de irmos para estúdio, o nosso baixista optou por sair da banda e ele acabou por gravar o baixo, ao vivo, em estúdio. Ele é canhoto e teve a destreza de gravar com um baixo de destro. Achei isso de uma entrega e romantismo maravilhosos».
As mudanças, explica o músico, notam-se principalmente «na abordagem aos instrumentos, na forma como interpretamos as canções». «O Furtado desafiou-nos a deixar respirar as canções para que se perceba tudo de uma forma muito nítida», recorda, «e a verdade é que aqueles cinco ou dez minutos de conversa mudaram completamente o nosso mindset. Estou super satisfeito com o resultado final. Não o faria de forma diferente… Mas é uma banda diferente. Continuamos a ter refrões e a gostar de rock and roll, mas estar ali a serrar, como em canções como “Drynamill”… Já o tínhamos feito». Rai atribui à sua experiência com os Keep Razors Sharp uma nova maturidade enquanto músico que ajuda também a marcar a diferença, «no primeiro álbum [dos Poppers], os singles que saíram tinham três acordes porque eram os que eu sabia fazer. Evoluí e tive oportunidade de aprofundar a guitarra com os Razors. Ajudou muito em questões técnicas com pedais mas também no sentido de explorar outros caminhos». E confessa: «fiquei muito emocionado quando ouvi este disco, masterizado, em casa sozinho. Senti que finalmente estava ali uma coisa de que me orgulhava. Saímos todos da nossa zona de conforto. Quem conhecia a banda anteriormente e ouve agora este disco vai notar essas diferenças».

Os amigos de Lucifer

Além de Paulo Furtado, estão inscritos na ficha técnica de Lucifer os nomes de outros convidados externos à banda, entre os quais Filipe Costa (de Sean Riley & The Slowriders) e Ian Ottaway (colaborador dos Black Rebel Motorcycle Club). «É arriscado trazer pessoas de fora, é verdade», assume Rai, «mas acho que este disco também é um pouco o espelho da relação que tenho com os outros, o respeito que tenho por eles». O músico confessa que a experiência não poderia ter corrido melhor. «Eles podiam não se ter identificado, mas aconteceu tudo de forma muito harmoniosa. O ardil é dares sem estar à espera de retorno… Quando tens um retorno como o que tivemos, em todos os aspetos, não podia ser melhor». A facilidade com que as palavras e a voz de Ottaway encaixaram em «Modern Wasteland» e com que Costa se integrou de imediato («chegou ao estúdio, ouviu a canção duas vezes, apanhou o tom, fez aquilo e estava bom») representam bem um álbum que o vocalista diz ter sido feito «por impulso», «é tudo muito cru, despido. Não quer dizer que o próximo disco dos Poppers não seja super espacial… Simplesmente, hoje este é o álbum certo. Não tem um som muito retro, é muito atual».
A rapidez com que gravaram as canções que tinham em mãos deixou-lhes tempo extra que não podiam desperdiçar. Furtado lançou o desafio: «pensa numa versão que gostasses de fazer». Atiraram-se a «Teenage Kicks», dos Undertones. «Comecei a pensar em tantas coisas que fiquei baralhado», explica Rai, «o Paulo sugeriu a “Teenage Kicks” e eu achei que podíamos fazer aquilo de forma diferente. A nossa versão é completamente fora do original e a beleza daquilo é termos conseguido captá-la ao segundo take, sem eu ter dado grandes voltas na letra». Foi também assim, sem grande esforço que surgiu o nome para o álbum. «A palavra “Lucifer” começou a surgir em muitas coisas na minha vida. Li um livro que fala bastante de Lucifer como personagem, o Bruno, o novo baixista, apareceu nos ensaios com um casaco que dizia Lucifer nas costas, o texto do Ottaway também fala diretamente de Lucifer… Tinha de ser aquilo. Havia outros nomes, mais pomposos, mas o nome impôs-se, independentemente da sua conotação. Foi uma coisa natural».
Apesar de todas as mudanças trazidas por Lucifer e da evolução dos Poppers ao longo dos mais de 15 anos que os unem, Rai acredita que «há uma coisa comum desde o primeiro dia: a vontade real de fazer rock and roll. Temos essa paixão. Passado este tempo todo, aprendemos muito mas continuamos a transpirar da mesma forma a cada concerto que damos, seja para 10 pessoas ou num festival. A nossa entrega é sempre igual. Temos a perfeita noção, e cada vez mais, que em Portugal as coisas não são fáceis, mas termos este disco hoje e continuarmos aqui deve-se ao amor que temos pelo rock and roll».