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Capitão Fausto

Rita Carmo

Lancelot. E Tu? na BLITZ Records: leia a entrevista e fique a saber tudo sobre a pré-história dos Capitão Fausto

Há cerca de dez anos, os cinco rapazes da banda que este mês se estreia no palco do Coliseu de Lisboa faziam as primeiras experiências na música. Ainda adolescentes, habitavam um mundo absurdo e inusitado que respondia pelo nome de Lancelot. E Tu?. Luís Guerra quis saber mais e a BLITZ Records mostra tudo.

A 22 de dezembro, os Capitão Fausto encerram um ano intenso no palco do Coliseu dos Recreios. Depois de um 2016 em que o grupo de Lisboa lançou o terceiro álbum, Têm os Dias Contados, e o tocou de norte a sul do país, o próximo passo é gerido com cautela («não sabemos se vamos ter a sala esgotada») e confiança («queremos dar um bom concerto»). Numa tarde de meados de novembro, o baixista Domingos Coimbra e o baterista Salvador Seabra não refreiam o entusiasmo («é uma sala inacreditável»), mas não encaram a chegada à sala de espetáculos mais emblemática da capital como um passo, gracejam, «rumo aos concertos de estádio». «Estamos mais preocupados em dar um bom espetáculo do que assumir que é um novo marco», refere o baixista. O orgulho, contudo, está lá. «Eu lembro-me de estar com o Tomás [Wallenstein, vocalista e guitarrista] no festival de Paredes de Coura há vários anos e comentarmos “era lindo um dia tocarmos aqui”. Lembro-me de estarmos todos no Super Bock Super Rock, um ano antes de lá tocarmos, e dizermos “era lindo tocarmos aqui”. E de vermos vários concertos no Coliseu e pensarmos, entre nós, “era incrível também tocarmos aqui um dia”. É o nosso Royal Albert Hall», acrescenta, imediatamente antes de Salvador revelar que os Capitão Fausto não irão tocar no palco do Coliseu, mas sim, «no centro [da plateia], como já fizeram os Dead Combo».

Verdes anos

O percurso dos cinco membros dos Capitão Fausto não começou com Gazela, em 2011. Salvador, Domingos, Tomás, Manuel Palha (guitarrista) e Francisco Ferreira (teclista) conhecem-se desde a adolescência e é nessa fase crucial que surge Lancelot. E Tu?, o projeto que os Capitão Fausto e a BLITZ Records retiram agora da obscuridade e que mais não é do que um retrato dos despreocupados e intuitivos primeiros passos do grupo de amigos de liceu que formaria, pouco tempo depois, uma das bandas portuguesas mais acarinhadas dos últimos anos. «Tínhamos 15 ou 16 anos. Estávamos no Liceu Maria Amália, e andávamos sempre todos juntos. O Tomás era um bocadinho mais velho do que os outros, estava no 12º ano. Lancelot. E Tu? surgiu na altura em que conhecemos o Tomás e serviu de desculpa para não irmos às aulas. Como a casa do Francisco era perto do liceu, no Jardim das Amoreiras, a seguir às aulas íamos jogar Playstation para casa dele e foi aí que tudo começou. Lancelot. E Tu? foi a primeira coisa que fizemos com o Tomás e estas músicas foram produzidas ao longo de dois anos», começam por explicar, desfiando memórias. «Fazíamos aquilo no quarto do Francisco usando o [software] Garage Band. Não percebíamos muito. Apesar de nos termos divertido com isto, é bastante cru. Não havia também qualquer tipo de consideração futura para estas músicas. Fazíamo-las para nos rirmos uns dos outros».

Lancelot. E Tu?, o álbum que agora é editado pela BLITZ Records, é o somatório das investidas dessa altura, um registo que poderíamos definir como experimental, mas que a banda prefere arrumar na gaveta da ingenuidade. Captain Beefheart num concerto ainda mais embriagado dos Ena Pá 2000? Desvarios à Syd Barrett? Spoken word, tecno, heavy metal e suites ambientais na centrifugadora? «Não tínhamos a consciência de nada, é tudo muito intuitivo», explica Domingos, não sem admitir que, apesar disso, ainda se recorda de alguns acordes, mesmo que, originalmente, boa parte deles tenha sido improvisada. «Comédia» e «absurdo» são duas expressões a que o músico recorre frequentemente para descrever o projeto».

«As vozes são nossas e de alguns amigos. O Domingos é o vocalista principal, o Tomás também aparece», avança Salvador. A dada altura, «em vez de fazermos músicas para as bandas que tínhamos, apetecia-nos fazer Lancelot. Às vezes, quatro de nós ficavam a jogar Playstation, um ficava a gravar, depois esse ia-se embora, punha tudo no mute e a seguir ia outro e gravava coisas por cima sem saber o que estava lá», esclarece Domingos. «O grande fio condutor deste álbum são personagens como Rui, Hugo e Pedro. “Sérgio e Ricardo”, por exemplo, é uma história de amor escrita pelo Manel. A “Sonata…” era uma ideia do Francisco Ferreira de fazer uma música como se estivesse a acabar de dar um concerto em Saturno. O “Desnudo” é um ponto alto, foi escrito pelo nosso amigo Gonçalo Perestrelo e lido pelo Manel. O single é “A Minha Avó É de Prata”», brinca Domingos, que o interpreta.

As experiências iniciáticas terminaram quando os cinco formaram uma «banda de covers com o Tomás, para ir tocar ao casamento de um tio dele». Capitão Fausto começava aí. O traço mais livre não transita para a nova banda, mas Lancelot. E Tu? foi um passo importante e uma «maneira inconsciente de nos darmos bem com o Tomás», que a certa altura, sendo mais velho que os compinchas, seguiu para a faculdade. «Como ele era o único com carro, ia buscar-nos ao Maria Amália para irmos fazer isto», acrescenta o dono do baixo. «Temos as melhores memórias desses tempos», concluem. Lancelot nunca mais será esquecido. 

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