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Capitão Capitão, uma edição BLITZ Records: ouça o álbum “32” e leia a entrevista

Teve várias bandas no liceu, mas seguiu caminho sozinho quando percebeu que, aparentemente, não era “bom em relações”. Após dois EPs, edita agora “32”, álbum de estreia que retrata o culminar de uma fase da sua vida. É uma edição BLITZ Records que pode ouvir aqui, na íntegra

Rita Carmo

Rita Carmo

Fotojornalista

«A música acaba por ser uma coisa vital para mim», assume J.P. Mendes, o homem que se esconde por trás do pseudónimo Capitão Capitão, nos momentos finais da conversa com a BLITZ. Arquiteto de profissão, diz manter «esta carreira paralela» porque sente necessidade do equilíbrio: «foram coisas que começaram com graus e dimensões diferentes na minha vida, mas não consigo dispensar a música porque sinto necessidade dela. No fundo, acaba por ser uma biografia direta da minha vida». «Vítima» assumida dos anos 90, explica que foi enquanto frequentava o liceu que a música se tornou imperativa para si, «não sabia tocar guitarra mas comecei a querer tocar as músicas dos Nirvana, etc. Comprava revistas, ia à Bimotor, à Valentim de Carvalho… Passava horas nessas lojas», recorda antes de acrescentar que Jar of Flies, EP editado pelos Alice in Chains em 1994, foi o disco que marcou a mudança. «Lembro-me de ouvir aquilo e de ficar completamente arrepiado. Foi o meu primeiro encontro direto com a música e depois comecei a tocar um bocadinho mais». Seguiram-se a passagem por algumas bandas e as primeiras gravações, em inglês, processo interrompido pela ida para Barcelona. «Quando fui para lá, comecei a tentar escrever em português e ainda fiz umas coisas», explica, «depois voltei e tentei retomar a banda, mas parece que não sou bom em relações. As bandas não resultaram».

O embrião de Capitão Capitão surgiu quando se mudou para o Porto, onde viveu dois anos e onde começaram a surgir «uma série de canções» que gravava no telemóvel. «Foi quando voltei para Lisboa que achei que tinha chegado a altura». Um encontro com Pedro Valente, que entretanto fundou a Azáfama, agência que o representa até hoje, precipitou o nascimento de um projeto que, após dois EPs (Capitão Capitão de 2011 e (II) de 2013), agora se estreia nos álbuns com 32, registo com a chancela da BLITZ Records. «Um dia, à porta de um concerto do Super Bock em Stock [hoje Vodafone Mexefest], na Avenida da Liberdade, encontrei um amigo que estava com o Pedro», relembra, «conhecemo-nos aí e ele disse-me que estava a acabar de fazer um curso e tinha de fazer a produção de um artista. Perguntou-me se não tinha qualquer coisa… Eu estava sempre a adiar, havia aquela vergonha de mostrar as canções, e disse-lhe que gostava de lhe arranjar uma coisa mais cool, à Japandroids, com um gajo a tocar bateria e outro a tocar guitarra. Como não arranjei nada, lá lhe mostrei quatro temas. Ele respondeu, dizendo que gostava que eu pensasse muito a sério em gravar aquilo com ele. Aí começou Capitão Capitão». Porquê o pseudónimo? Porque não queria utilizar o seu nome próprio. «Continuo confortável com este pseudónimo, tradução imediata de “O Captain! My Captain!” do Clube dos Poetas Mortos que, no fundo, é uma frase de um poema do Walt Whitman. Achei piada à repetição e acho graça ao nome, mesmo em altura de capitães mais musculados».

32, metade de «Sessenta e Quatro»

O facto de o primeiro longa-duração de Capitão Capitão se intitular 32 e de o single que o apresenta ser «Sessenta e Quatro», «curiosamente, a última canção a ser escrita», não é obra do acaso. «A história desses dois números relaciona-se diretamente com a capa do disco», começa por contar J.P. Mendes, «quando voltei do Porto, um amigo meu, o Bernardo Simões Correia, tinha acabado de fazer uma exposição de que gostei imenso. Tinha uma fotografia do meu pai, tipo passe, que adorava, na qual ele tinha mais ou menos o meu ar, com o cabelo grande e a barba, e sempre quis fazer algo com ela. Resolvi pedir ao Bernardo para combinar essa fotografia com uma minha. Ele tirou-me uma exatamente com a mesma pose e depois entregou-me um trabalho no qual fundiu as nossas caras. Isto foi há não sei quantos anos mas, na conclusão do disco, quando pensei na capa, tudo fez sentido». O álbum é dedicado ao pai. «Morreu com 64 anos e a canção foi escrita depois da morte dele», explica, «curiosamente, eu tinha 32 anos, metade, quando ele morreu. Sabia que não queria fugir dessa ideia. O quadro estava guardado, não é uma imagem propriamente alegre… Toda a gente diz que é triste, pesado, mas tem a ver com o título do disco e, portanto, fez sentido para mim».

Diz que a família lhe pede para fazer «coisas mais alegres», assumindo que escreve canções melancólicas. «É o que me sai. Se calhar, vou chegar a uma fase em que as coisas sairão de outra maneira», acrescenta, «sinto que faço música melancólica mas intensa, o que até pode parecer um bocado convencido da minha parte… Mas há uma luz ao fundo do túnel». Garante que o álbum não tem propriamente uma temática unificadora. «Tem a ver com o culminar de uma fase da minha vida durante a qual se sucederam uma data de episódios. Muitas histórias são ficcionadas, também, mas não há uma relação entre elas. Falam de várias coisas». Confessa, no entanto, que escreveu algumas canções, como «A Faca» ou «Sombras», sobre «relações impossíveis», «é o cliché de muitos músicos, o amor. Mas sim, são sobre relações que não funcionaram e a ideia de perceber a fase que vem a seguir». Em termos musicais, diz que os teclados «ganharam maior importância» neste disco, referindo ideias que lhe chegaram através de Disintegration, dos Cure, «disco que adoro», ou Violator, «álbum de viragem dos Depeche Mode ao qual só cheguei seriamente agora». «É assim que entram os sintetizadores e teclados no meu disco», acrescenta, «não sei tocar piano, mas as melodias e as composições são minhas». 32 conta com coprodução de João Gil (You Can’t Win, Charlie Brown, Vitorino Voador), «acompanhei a fase final do último disco dele enquanto Vitorino Voador e pensei que era a pessoa ideal para produzir e gravar o disco comigo», e com mistura e masterização conduzidas por Luís Nunes (Benjamim), «a abordagem que fez ao disco é ligeiramente diferente da estética que “Sessenta e Quatro” tem na versão do vídeo».

32 está disponível nas principais plataformas digitais: Spotify, MEO Music, Google Play, Deezer, Tidal, Nokia Mix Radio e a loja digital iTunes.

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