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Rita Carmo

Galgo, nova edição BLITZ Records: “Galgo é um estilo. O estilo surpresa”

Conhecem-se desde que eram (ainda) mais jovens e lançam agora o primeiro álbum, pela BLITZ Records. Pensar Faz Emagrecer encontra os Galgo “mais secos e rijos”

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Rita Carmo

Rita Carmo

Fotojornalista

Siga o link para ouvir Pensar Faz Emagrecer, o álbum de estreia dos Galgo.

A juventude dos Galgo salta à vista quando, numa tarde tórrida de agosto, conversamos com os seus quatro elementos: Miguel Figueiredo, que acaba de completar o curso de Economia; Alexandre Moniz, a terminar o de Marketing e Publicidade; João Figueiras, recém-licenciado em Animação e Joana Batista, «quase a acabar» Audiovisuais e Multimédia. Todos da região da Grande Lisboa, os quatro conheceram-se no liceu (a amizade de Alexandre e João já vinha desde o quinto ano) e cedo começaram a trocar entre si discos favoritos e os estilos musicais que seguiam com mais atenção.

«Quando vínhamos do Indie Music Fest», contam, referindo-se ao festival que se realiza em Paredes, «viemos a ouvir uma playlist dos anos 2000, com Britney Spears, OutKast ou Black Eyed Peas. Na altura já gostávamos de música», partilham, com a naturalidade de quem há 15 anos tinha 5 ou 6 anos. Também a «habituação aos instrumentos» foi precoce, conta a baterista Joana Batista, desenvolvendo: «em termos de gostos, íamos dando a conhecer uns aos outros aquilo de que cada um gostava. Isso acabou por nos aproximar».

Inicialmente, a bússola dos Galgo apontava para o rock ancorado no formato canção: Arctic Monkeys, Black Keys ou The Strokes foram nomes importantes nos verdíssimos anos da banda que no ano passado se estreou nos discos com um conjunto de quatro canções, reunidas no EP5. Nesta primeira amostra, já mostravam influências distintas, com temas como «Dromomania» trazendo mais facilmente à memória a corrente fluida e meio tribal de grupos como os PAUS. No primeiro álbum, curiosamente gravado nos estúdios HAUS, com Makoto Yagyu e Fábio Jevelim, dos PAUS, na produção, os Galgo sentem o seu som «mais seco, mais rijo». «É uma mistura mais abrangente do que somos», considera Joana Batista, ressalvando porém: «Mas é um segundo passo, também não é a coisa mais matura do mundo». Os companheiros concordam: ainda não podemos olhar para as canções de Pensar Faz Emagrecer e dizer «Isto é Galgo!». Mas talvez esse cenário nunca se venha a concretizar: «O nosso som não tem um estilo muito definido», garantem o guitarrista Alexandre Moniz e o baixista João Figueiras. «Galgo passa por não haver aquela label. Isso faz com que o que fazemos se torne uma surpresa. Nunca sabemos bem o que vai acontecer. É um estilo. O estilo surpresa!».

SEM DISCO, NUMA ILHA

Ainda que desdenhem rótulos, os Galgo são frequentes vezes comparados aos nacionais PAUS ou aos norte-americanos Battles, bandas do seu agrado, surgindo associados aos estilos math rock, dance rock ou afrobeat. Quando ainda não tinha qualquer disco gravado, o quarteto levou esta mescla de influências a um dos festivais mais cobiçados da Europa: o Sziget, na Hungria. A oportunidade surgiu em 2015, quando ganharam um concurso da APORFEST Associação Portuguesa de Festivais de Música, que aos vencedores oferecia uma viagem até à Hungria e um espaço na imensa programação do Sziget. «A viagem foi muito importante para nós: pelo Sziget, mas também pelo outro concerto que demos», recordam. «Foi no A38, um bar que funciona num barco, com três pisos, e que é bastante conhecido em Budapeste. E foi incrível a reação de pessoas que não nos conheciam de lado nenhum e que adoraram o concerto. Ainda não tínhamos EP nem nada! Até fizemos um bis, o nosso primeiro e único», brincam. Quanto ao Sziget, está «plantado» numa ilha «no meio do Danúbio e é enorme. Tem 20 palcos e o recinto é gigante. Há palcos que são um festival português inteiro», descrevem Miguel e João, acrescentando que «o festival todo, de uma ponta à outra, fazia-se em 40 minutos, e o nosso palco era numa das pontas».

Este verão, já com EP lançado e «grávidos» de um álbum que agora sai pela BLITZ Records, os Galgo aceleraram até Paredes de Coura, onde tocaram na programação de rua do festival minhoto, ou ao já referido Indie Music Fest, e em ambos foram recebidos de forma excitada. «Ou pelas hormonas do verão, ou por ser verão e estarem a acampar, o pessoal em Paredes de Coura estava louco», entusiasmam-se. «Foi um grande concerto, com muito mosh, pessoal a subir ao palco.». No Indie Music Fest, cruzaram-se com os PAUS, de quem, mercê das sessões no HAUS, acabaram por tornar-se amigos. «Nas gravações, nas misturas e nas remasterizações, o ambiente foi sempre relaxado e amigável», elogiam, sublinhando também o profissionalismo da equipa do estúdio. «Conseguiram manter os timings. Até fizemos mais do que pensámos que íamos fazer».

Na hora de criar, o improviso é a palavra de ordem para os Galgo e a simplicidade, ou simples ausência de pensamento excessivo, também fala alto, explica Joana Batista, referindo-se ao facto de todas as canções de Pensar Faz Emagrecer terem títulos de uma palavra só. «É a nossa vertente simplista na questão das letras e das palavras. Às vezes vemos uma situação, um objeto, que nos faz lembrar um nome qualquer e a canção fica com aquele nome». Foi esta abordagem a ditar, também, o batismo da banda, inspirado simultaneamente pelo cão de um amigo e por um boneco de peluche? «Galgo é um nome pequeno. Às vezes a nossa simplicidade passa por não pensarmos muito nas coisas.

Entre os quatro, a comunicação parece ser fácil e intuitiva, à semelhança, de resto, do que viram acontecer com os Battles, no concerto no NOS Primavera. «Para lá do estilo, encontrei algumas parecenças connosco. [Sinto que estão a dizer]: vamos olhar uns para os outros e ficar aqui fechados para perceber quando é que vamos entrar nisto, ou onde é que vai acontecer aquilo. Vimos também algumas falhas, e foi muito adulta a forma como lidaram com elas», considera Joana Batista, uma mulher num meio ainda muito masculino. «Às vezes, quando chegamos, as outras bandas ou os técnicos de palco perguntam quem é que é o baterista. E a Joana põe o dedinho no ar», conta Alexandre Moniz. «Mas tudo na boa!».

Siga o link para ouvir Pensar Faz Emagrecer, o álbum de estreia dos Galgo.