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Anarchicks explicam EP “We Claim The Right”, editado pela BLITZ Records: leia aqui a entrevista

O novo EP das Anarchicks na BLITZ Records inclui um tema com a canadiana Peaches e está disponível nas principais plataformas e pode ouvi-lo aqui na íntegra. Leia aqui a sua entrevista à revista BLITZ

Está já disponível o EP We Claim the Right, com edição BLITZ Records, nas principais plataformas digitais: Spotify, MEO Music, Google Play, Deezer, Tidal, Nokia Mix Radio e a loja digital iTunes.

O EP é composto por "We Claim The Right", "Witch One", "Slide to Unlock", "Sloppy Seconds" (com Peaches) e "My Way".

"Sloppy Seconds" é o encontro entre as Anarchicks e Peaches. A colaboração entre as lisboetas e a canadiana começou a tomar forma quando todas se conheceram em 2013, durante a edição desse ano do Arraial Pride, tendo daí nascido uma relação de amizade. "Ela [Peaches] convidou-nos para tocar no Festival Automne, curado por ela, na Normandia. Fomos mantendo o contacto até que lhe dissémos que era brutal que ela participasse numa canção nossa, o que ela aceitou", explica a baixista Helena Andrade.

Ouça aqui o EP We Claim The Right no Spotify:

Aqui pode ouvir We Clain The Right no MEO Music:

Ouça o EP We Claim The Right, das Anarchicks, via Deezer [reprodução integral das faixas para utilizadores registados; 30 segundos para não registados]:

Aceda aqui a We Claim The Right, das Anarchicks, no Google Play, através de download e streaming.

Ouça aqui We Claim The Right, das Anarchicks, via Tidal.

As Anarchicks começaram por ser apenas duas - Helena e a ex-vocalista, Priscila Devesa -, passaram a trio com a entrada da baterista Catarina Henriques e, finalmente, tornaram-se numa "relação a quatro" quando a estas se juntou a guitarrista Ana Moreira, tendo entretanto encontrado nova voz pela garganta de Marta Lefay.

Mas não são estes os nomes que compõem verdadeiramente a banda; as Anarchicks são, hoje em dia e para além de Lefay, Katari (Catarina), Lola (Ana) e Synthetique (Helena), nomes de guerra escolhidos não para fazer a revolução mas para vincar uma espécie de dupla personalidade. Fora dos palcos, são veterinárias, copywriters, psicólogas, bioquímicas. Em cima deles são o que quiserem ser.

A um primeiro EP ( Look What You Made Me Do, 2012) seguiu-se o álbum Really?! (2013), que as levou a tocar em festivais como o Vodafone Mexefest e o Super Bock Super Rock, este último no palco principal. Agora, estreiam-se na BLITZ Records com o EP We Claim The Right.

Quem tiver interesse em editar pela BLITZ Records deve enviar as faixas escolhidas para o endereço de e-mail blitzrecords@blitz.impresa.pt. Estas edições são consideradas EP ("extended play") pelo que necessitamos que enviem não mais de seis temas, sendo necessários que todos eles se mantenham inéditos. Também devem ser enviadas imagens e vídeos, ou links para esses conteúdos, assim como um texto em que é apresentado o projeto.

A escolha dos artistas, bandas e temas a editar será da exclusiva responsabilidade da redação da BLITZ e da Sony Music Entertainment, nossa parceira nesta aventura. Para o efeito, os eleitos assinarão contrato com a BLITZ Records.

O nosso calendário prevê a edição de um novo artista todos os meses, com óbvias repercussões editoriais no número da revista e também no BLITZ online, facebook e em todas as outras plataformas onde a BLITZ está ou estará representada.

Desde a primeira hora que a BLITZ plasmou no seu estatuto editorial a necessidade de "fazer a divulgação das mais atraentes aventuras da música contemporânea". Mantemo-nos fiéis a essa missão, conhecendo a responsabilidade que nos cabe no que respeita à música em Portugal. Agora, vamos alargar esse esforço à edição de música em plataformas digitais. Contem connosco!

Leia aqui a entrevista com as Anarchicks:

Apesar de toda a sua história de luta contra a discriminação, a desigualdade e o poder instalado, o punk sempre foi um meio onde o machismo garantia um lugar reservado tanto em cima do palco como à sua frente. Mesmo mulheres como Siouxsie Sioux, Chrissie Hynde ou Lydia Lunch, todas elas nascidas no e do punk, eram vistas por muitos como símbolos sexuais em primeiro lugar e como artistas em segundo. O sexismo só começou a ser fortemente abalado nos anos 90, com o surgimento do movimento riot grrrl, casa para bandas como Bikini Kill ou Sleater-Kinney, que se atiraram à rispidez e à economia dos três acordes, bem como à ideologia do-it-yourself, e os aliaram a uma dose gigante de consciência feminista de modo a combater o sexismo que grassava nesses tempos. É aí que se inspiram as Anarchicks, quarteto que tem a particularidade de ser composto por quatro mulheres.

Mas, lá está, isto não é ou não deveria ser particularidade alguma digna de registo. Por oposição a serem uma «banda feminina», as Anarchicks insistem que façamos todos a correção devida à sintaxe e nos passemos a referir a elas como «a banda», simplesmente «a banda». E, convenhamos, a primeira expressão é redutora; há na sua música uma forte influência riot grrrl, naturalmente, mas Helena Andrade, baixista do grupo, é perentória: «sou suspeita, mas gosto muito da música que faço. E se fosse feita por gajos ia gostar na mesma!». Assinale-se a coerência: não é «rock no feminino», é só «rock». E nós gostamos.

Em Portugal é possível encontrar hoje em dia vários exemplos de bandas compostas unicamente por mulheres, ainda que o «estigmazinho», como lhe chama Helena, esteja não raras vezes presente no meio e em quem o rodeia. «É do género: "ah, [as Anarchicks] não tocam nada de jeito, mas passam, porque são giras, são boas, têm mamas... Todos os seres humanos têm mamas! Há sempre essa bengala e é estúpido [que assim se verifique]», desabafa.

UMA QUESTÃO DE GÉNERO

Tal problema só se resolverá, naturalmente, quando cada vez mais mulheres se chegarem à frente e decidirem combater o estado de coisas. E as Anarchicks decidiram fazê-lo no final do verão de 2011. Começaram por ser apenas duas Helena e a ex-vocalista, Priscila Devesa, passaram a trio com a entrada da baterista Catarina Henriques e, finalmente, tornaram-se numa «relação a quatro» quando a estas se juntou a guitarrista Ana Moreira, tendo entretanto encontrado nova voz pela garganta de Marta Lefay.

Mas não são estes os nomes que compõem verdadeiramente a banda; as Anarchicks são, hoje em dia e para além de Lefay, Katari (Catarina), Lola (Ana) e Synthetique (Helena), nomes de guerra escolhidos não para fazer a revolução mas para vincar uma espécie de dupla personalidade. Fora dos palcos, são veterinárias, copywriters, psicólogas, bioquímicas. Em cima deles são o que quiserem ser.

A um primeiro EP (Look What You Made Me Do, 2012) seguiu-se o álbum Really?! (2013), lançado pela editora independente Chifre e que as levou a tocar em festivais como o Vodafone Mexefest e o Super Bock Super Rock, este último no palco principal do evento. A crescer desde o primeiro dia, e apesar de já contarem no currículo com alguma experiência de estrada, as Anarchicks assumem estar ainda a aprender. «Não podemos nunca perder a humildade. É uma sorte estar em grandes palcos, poder partilhar a nossa música com gente que se identifica [com a mesma]», revela Helena, acrescentando que «já tivemos miúdas de onze, doze anos a virem ter connosco no final de um concerto e a dizerem que queriam começar a tocar bateria porque viram a Catarina a fazê-lo. É uma honra sentirmos que somos uma inspiração».

Uma inspiração que começou, voltamos ao início desta história, nas riot grrrls, e que se estenderá às riot grrrls de gerações futuras; mas não é só nesse campo particular do punk rock que as Anarchicks foram buscar as suas influências. Peaches, uma das mães do electroclash, também contribuiu de forma importante para a identidade musical do grupo e está, inclusive, presente no EP que a banda edita pela BLITZ Records, numa canção intitulada «Sloppy Seconds».

A colaboração entre as lisboetas e a canadiana começou a tomar forma quando todas se conheceram em 2013, durante a edição desse ano do Arraial Pride, em Lisboa, tendo daí nascido uma relação de amizade. «Ela [Peaches] convidou-nos para tocar no Festival Automne, curado por ela, na Normandia. Fomos mantendo o contacto até que lhe dissemos que era brutal que ela participasse numa canção nossa, algo que ela aceitou», explica Helena.

Para além do tema com Peaches, fazem parte de We Claim The Right quatro outras canções. O título do EP é retirado da canção com o mesmo nome, que se tornou também, há alguns meses, num movimento próprio. «A Social Animals [agência de media sociais] propôs-nos fazer um vídeo com a [apresentadora] Carolina Torres no sentido de divulgar tanto a canção como a mensagem, que gira em torno da questão das mulheres reclamarem pelos seus direitos, quer na música, quer na vida», conta-nos a baixista da banda. «Pedimos às pessoas que tirassem uma foto com a hashtag e que nos dissessem aquilo que achavam que estava mal na sociedade. Foi bastante falado, e houve muita adesão e interesse por parte do público».

Não podemos, portanto, retirar a ação direta às Anarchicks aliás, a sua música consiste precisamente nesse confronto imediato, numa ideia de impacto. «Não queremos causar indiferença. As pessoas podem não gostar de nós, desde que lhes causemos algum tipo de sensação», esclarece Helena. De facto, um dos motes associados há algum tempo às Anarchicks é o de que a banda de Lisboa é o gatilho de uma arma concreta que é a música. Uma arma apontada à indiferença, ao sexismo, e a todos os que estiverem «recetivos a levarem um tiro». Amem ou odeiem, as Anarchicks aí estão. E vieram para ficar por muito tempo porque, afinal de contas, esta é «a banda» repisamos. «Há uma química muito forte. Já toquei com outras pessoas e não senti o que sinto com estas. Sentimos que estamos a viver o nosso sonho», conclui Helena. E, se assim é, que nunca acordem.