Blitz Records

Uma parceria com o jornal EXPRESSO

siga-nos

Perfil

Blitz Records

BLITZ RECORDS: Leia aqui a entrevista com Prodígio, o primeiro lançamento da nova editora digital

Tem 27 anos, faz parte do coletivo Força Suprema e é o primeiro lançamento da BLITZ Records, a nova editora digital. Aqui se conta como Osvaldo Moniz se transformou em Prodígio. Aproveite para ouvir o EP Propaganda.

Há um verso num tema de Nujabes, produtor japonês falecido em 2010, que diz assim: "se desrespeitares o hip-hop, cuspo-te na cara". Prodígio, de seu nome verdadeiro Osvaldo Moniz, não aparenta ser tão agressivo assim para com aqueles que não apreciem o género, mas o sentimento inerente a esse verso - e que é, acima de tudo, o de um amor enorme ao hip-hop - está claramente consigo. O que se percebe facilmente através das suas palavras: o rap, diz-nos, mudou a sua vida. Ponto final. Não há que explicar mais nada. Tal como aconteceu com muitos outros rappers por esse mundo fora, que tiveram no hip-hop a porta de saída de um gueto ostracizado e menosprezado pela sociedade, Prodígio aproveitou o embalo do ritmo, do amor e das palavras para construir um futuro melhor, para si e para a sua família. Nascido em Angola, em 1988, o músico foi obrigado a emigrar para Portugal com tenra idade devido a vários problemas de saúde - "uma espécie de doença tropical, que não tinha cura", conforme nos conta -, ficando na companhia da irmã e de um irmão mais velho, de seu nome Luís. Foi este último quem lhe passou o "bichinho" do hip-hop, numa altura em que este ainda dava os primeiros passos em Portugal: aos dez anos, a dieta musical de Prodígio era já composta por nomes como Gabriel o Pensador e Boss AC, sendo que daí até se começar a dedicar aos seus próprios freestyles foi um pequeno salto.

O palco para esses primeiros espetáculos era o seu quarto, os portões da escola, a estação dos comboios na companhia dos seus amigos. E a Força Suprema, coletivo hip-hop do qual faz parte, entrou na vida do pequeno Prodígio também por volta dessa altura. "Ouvir a Força Suprema foi um alívio, foi como se eu me tivesse encontrado", garante. O grupo deu-lhe a oportunidade de se embrenhar numa realidade que até então se encontrava bastante distante da sua; com escassos onze anos, Osvaldo entregou uma cassete com rimas suas a NGA, um dos rostos da Força Suprema, que lhe disse, então, uma frase que o marcou para sempre: "nunca mais vais fazer nada na vida que não seja música". E de Osvaldo, então conhecido por "Devil", nasceu o Prodígio. A premonição de NGA revelou-se verdadeira. Prodígio está no hip-hop desde que se encontrou, deste que a primeira rima lhe atravessou o cérebro como uma flecha, quase sempre ajudado pela (e ajudando a) Força Suprema, que se tornou, nessa altura, na família não biológica do rapper. O género, que não tem em Portugal a mesma tradição ou expressão nos Estados Unidos que o viram nascer, pode revelar-se uma barreira difícil de transpor para alguém que quer fazer da música a sua vida, mas Prodígio não se mostra amedrontado: "é difícil, mas a "pica" vem daí", explica. "Sinto-me orgulhoso de viver num país onde consigo fazer o que faço, mesmo que não haja tantas oportunidades [para o hip-hop]". Verdade é que a cena hip-hop parece ter, nos últimos anos crescido exponencialmente, e Prodígio tem assistido in loco a esse crescimento praticamente desde os primeiros dias. "É notável: hoje temos referências como o Valete, o Sam the Kid, o Regula, que têm o respeito da comunidade em geral, e não só no rap", confia. E foi esse crescimento do hip-hop português, tanto em termos de visibilidade como de audiência, que tirou "o puto Osvaldo", e o seu talento, do bairro da Serra das Minas, em Sintra. Com P maiúsculo Estudou Media e Edição de Imagem em Londres, onde viveu durante quase uma década. "Obrigado pela família", segundo nos confessa; a irmã decidiu a dada altura regressar ao país natal e o rapper viu-se de malas feitas para Inglaterra, onde já se encontrava o seu irmão. A cidade, e os ares diferentes, mais frios, pouco habituais para alguém que nasceu sob o calor de Angola, contribuíram para o seu amadurecimento. Foi lá, aliás, que nasceu o seu filho, tendo Prodígio adquirido, durante esse período, a nacionalidade britânica. O coração, esse, não saiu de Portugal. Continuou a fazer música com a Força Suprema, tendo para isso o precioso auxílio da Internet. E o curso? Serviu, essencialmente, para agradar à família - o único que apoiou a sua carreira musical e os seus desejos desde o início foi o seu pai, "a melhor pessoa que eu conheço", segundo Prodígio, e que lhe deu a liberdade de construir o seu próprio currículo. Um currículo onde se contam várias mixtapes, um longa-duração e Propaganda, EP de cinco faixas agora editado pela BLITZ Records, mas onde também encontramos os nomes de Ágata, Richie Campbell ou Regula. Colaborações que não só enriqueceram a sua carreira, mas que também lhe ensinaram várias coisas acerca do mundo musical. "Os "maiores" são muito mais humildes e trabalhadores que os newcomers", conta-nos. "Com eles, começas logo a perceber como é que o trabalho tem que ser feito, não há nada de "rodriguinhos"".

Propaganda, o novo EP de Prodígio, demorou apenas um dia a ser feito. E o título não é inocente; este novo trabalho, confessa-nos, tem como objetivo fazer com que o público em geral se interesse pela sua música e ganhe vontade de ir percorrer aquilo que entretanto ficou para trás, quer o disco (Prodígios, editado também este ano), quer as mixtapes. A própria capa do EP a isso faz alusão, o rosto do músico rodeado de pequenos recortes de jornais onde se vislumbram os trabalhos anteriores. É o sumo de Prodígio, para facilitar todas as apresentações. Mas mesmo que o músico queira mostrar ao mundo aquilo que foi o seu passado e aquilo que constitui o seu momento presente, é no futuro que se encontram as maiores ambições de Prodígio: para além da vontade que tem de apostar no mercado brasileiro, juntamente com a Força Suprema, irá lançar com estes um álbum já em 2016 e já está marcada uma digressão por países lusófonos como Moçambique ou Guiné-Bissau. E, se dependesse dele, também estaria já marcada uma colaboração com a cantora brasileira Maria Gadú. "Sou muito fã da Maria Gadú. E já me disseram que ela vinha cá... Pode ser que dê para fazer alguma coisa", conta-nos entre risos. Quem sabe? Texto: Paulo André Cecílio Fotos: Rita Carmo/Espanta Espíritos Originalmente publicado na BLITZ de dezembro, já nas bancas.

Ouça aqui o EP Propaganda no Spotify: Aqui pode ouvir Propaganda no MEO Music: Ouça o EP Propaganda, de Prodígio, via Deezer [reprodução integral das faixas para utilizadores registados; 30 segundos para não registados]: Aceda aqui a Propaganda, primeira edição BLITZ Records, no Google Play, através de download e streaming Aqui está Propaganda, primeira edição BLITZ Records, para download na loja iTunes