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Que acham de "Black Gives Way To Blue"?
Estava um pouco reticente... porque nada é igual sem o Layne.
Mas estou agradavelmente surpreendida. Riffs ipnotizantes, o belíssima back voice do Jerry Cantrell e a voz do William Duvall que em muito se assemelha à do Layne, facto que já tinha comprovado no concerto em 2006, mas estava à espera de o ouvir em estúdio.
Estava com receio que fosse uma mancha no nome "Alice in Chains", mas muito pelo contrário: este albúm soa à fase "Dirt" da banda e sinceramente mal posso esperar que voltem a Portugal.
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A primeira coisa que se nota, é que o vocalista principal é mesmo o Cantrell (excepto na Last Of My Kind e acho que numa parte da Acid Bubble). De resto é Cantrell all the way e o Duvall está lá para tocar guitarra e harmonizar.
Acho que é uma decisão sensata porque o Duvall, apesar de conseguir cantar as músicas do Layne, não tem o mesmo poder e a voz é um pouco diferente. A Last por exemplo, é mais rockeira que o resto das músicas dos Alice. Tem outra atitude, mais aberta. Todo o album tem.
O problema é que soa um bocado a Jerry Cantrell a solo. Não que isso seja mau, mas a Take Her Out ou a Lesson Learned, mesmo a Check My Brain, podiam estar num cd a solo do Jerry.
Voltando ao ambiente. O album soa menos angustiante do que os outros. Mais esperançoso. Se isto é bom ou mau não sei, mas senti falta daquele peso emocional, daquela raiva, daquela tristeza, mas também falta lá a voz disso tudo... e essas características lembram me logo Jerry a solo. Os riffs estavam lá, as melodias também, só que não tinha a angustia e raiva de Alice.
Outro problema é que apesar de bons riffs nalgumas musicas, há ali qualquer coisa a falhar. Pegue se no single A Looking In View. O riff é à sludge do tripod, mas é tão aborrecido, repetido até à exaustão, que cansa e parece que a musica arrasta e arrasta e arrasta. Se pensarmos que tinhamos no mesmo tripod musicas com mais um minuto ainda, casos de Frogs, ou Sludge Factory, que mesmo assim não cansavam percebemos que houve aqui qualquer coisa a falhar. Os riffs nessas musicas são simples, mas são bem sacados e não cansam, não são monotonos. Salva se aqui o refrão em que o Cantrell canta "a looking in view too long on the outside" com o Duvall. De resto, versos... boring.
All Secrets Known, a mesma coisa. O riff é excelente para dar aquele balanço ao inicio do disco, mas a repetição ao longo da musica cansa e aborrece, fazendo a musica parecer mais longa do que na realidade é.
Já check My Brain é um claro single. Curto, rápida, com o refrão orelhudo e simples. Bons riffs e boas melodias.
Depois vem um ponto alto e ao mesmo tempo um problema. Your Decision mostra o Jerry a fazer o que melhor sabe: mostrar a todas essas bandas cócós como se faz uma boa balada, com emoção e sinceridade, excelentes melodias e boa progressão. O problema é a sensação de deja vu. Aquele inicio é quase rip off da Nutshell, e Nutshell só há uma.
Depois há a rockeira Last Of My Kind, a tal cantada pelo Duvall, que é onde se nota a principal diferença para o Layne. É uma canção com riffs à Cantrell, mas com um tom mais directo. Não encaixa muito bem no espirito AIC. When the sun rose again podia estar incluida no Jar Of Flies, mas como B side. Lamento, mas não chega ao nivel de No Excuses e sofre (ainda que menos) do mal da Your Decision. Se Your decision lembra Nutshell, Sun lembra No Excuses, versão mais fraquita. Bom solo, no entanto.
Acid Bubble é vintage AIC mas mesmo assim já fizeram melhor enquanto Private Hell é provalmente a melhor música do disco, é AIC clássico e não cansa. Para o fim fica a Black. Curta e emotiva encaixa bem no final do disco.
Também não gosto muito da produção. Acho que sofre um bocado de volume exageradamente alto e está um pouco overproduced, demasiado limpo.
Resumindo tudo. Não tá mau, mas não chega ao nivel que os AIC nos habituaram em 90's e mesmo ao lado de Degradation Trip. Nesse caso o Cantrell não só escreveu um disco como escreveu material suficiente para dois, e bem composto!!
Este está... ao nivel de Boggy Depot talvez.
Melhores momentos: Private Hell, Acid Bubble, Black, Your Decision e Check My Brain. Sem ordem especifica. De resto... um ou outro pormenor bom, mas nada que leve uma pessoa a pensar "aqui está um futuro clássico"
No entanto, a banda mostra muita energia, vontade de viver na era pós-Layne e até muita criatividade. Tenho ouvido o álbum muitas vezes e creio que é um dos melhores do ano ao nível da rockalhada. Check my Brain e Last of my Kind são grandes músicas!
Isto na minha opinião.
Eu não revejo os velhos Alice In Chains neste novo álbum. A idade "pesa" no álbum e mesmo a voz do Cantrell está diferente.
Os Alice In Chains estão mais pesados, mais virados para o metal, e fizeram-no bem!
Desde de sempre que mostraram ser fãs dos Metallica, desde sempre que o grunge dos Alice In Chains era o mais pesado da sua época e agora que o grunge, teoricamente, está morto os Alice In Chains já podem ser considerados uma banda de metal alternativo com muito rock à mistura.
O álbum está muito bom e só falta dar-lhe tempo e continuadade ao trabalho com mais álbuns.
mas mal ouvi o riff da "All Secrets Known" colei autenticamente!
Mesmo com vocalista novo, acho q conseguiram manter a mesma energia de antes, apesar de actualmente estarem "virar" para o Metal mas o q nao e mau e claro !
E claro, um rótulo que nunca aceitei, apesar de serem Seattle e terem surgido nos anos 90, para mim Alice in Chains é uma banda de Metal.
Cheers!
Com os Alice In Chains o assunto é bem mais complicado. Foram 14 anos de hiato discográfico, sete sem Layne Staley e uma bem sucedida digressão que apresentou William DuVall, o talentoso vocalista dos Come With The Fall. Apesar das colagens ao fenómeno grunge, desde os anos 90 que os Alice In Chains se distinguiam das demais bandas de Seattle. A sonoridade é mais dura, mais pesada, mais lenta. No fundo, os AiC praticavam um hard-rock em que tanto a parte instrumental como a voz se parecem arrastar.
Dirt, o clássico que merecia mais menções que aquelas a que tem direito, imortalizou a banda e, acima de tudo, Layne Staley, o amargurado vocalista que se viria a suicidar no mesmo dia que Kurt Cobain, oito anos depois. Não era, pois, de todo expectável este regresso aos discos.
"Hope, a New Beginning", ouve-se logo na primeira canção, "All Secrets Known". As palavras de Jerry Cantrell dispensam qualquer tipo de tradução. É como que um atirar à cara dos mais cépticos a ideia de "estamos de volta e não queremos saber se gostam ou não".
A voz de DuVall, ainda que similar, não é uma cópia de Staley. Está entre o malogrado vocalista e Chris Cornell. "Your Decision" mais parece uma balada dos Seether, o que não é necessariamente mau. A banda Shaun Morgan é muitas vezes subvalorizada. Em "Last Of My Kind" arrepiamo-nos ao ouvir da boca de DuVall as palavras "So Young, So Brazen, So Unholy” e na faixa título, a que fecha o disco, é com surpresa que reparamos que é Elton John que está no piano.
O problema de Black Give Way To Blue é que parece grande parte das canções parecem arrastar-se até ao final. São demasiado longas e numerosas. É um regresso que não compromete sem impressionar.
Quanto a este álbum até gostei, apesar de achar que em algumas músicas está bastante colado ao trabalho a solo de Cantrell, para além de que esperava ouvir mais a voz de Duvall.
No entanto até acabo por gostar do album, não está ao nivel de "Dirt" ou "Facelift", mas está próximo do album Alice In Chains. Para já a música com que mais me identifico é "Private Hell"
http://www.youtube.com/wa...