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Vincent Furnier baptizou a sua banda com o nome Alice Cooper, exactamente porque acredita, segundo uma revelação dos espíritos que uma bruxa, com esse nome, corresponde a uma das suas vidas passadas, que resolveu encarnar em si em pleno século XX. Vincent e Alice passaram a ser a mesma pessoa.
A teatralidade que o músico transporta até aos palcos acaba por ter uma carga tão verdadeira e positiva quanto o sangue que lhe corre nas veias. Inevitável, a sua figuração não é mais do que a expressão do que lhe vai na alma, da exaltação daquilo que Vincent (ou Alice) realmente é.
Até à formação da banda, o músico encabeçou vários elencos, sempre na linha do rock: primeiro, os Earwigs, um grupo de amigos do liceu e arredores que, mais tarde, se auto-intitularam de Spiders; depois os Nazz, banda que acompanhou o músico até à iluminação em 1968, e à consequente formação dos Alice Cooper, com Glen Buxton (guitarra), Mike Bruce (guitarra), Neal Smith (bateria) e Dennis Dunaway (baixo).
A banda depressa se fez notar, essencialmente pela diferença, pela cor e pela imaginação que Vincent apresentava como imagem de marca.
Em 1969, Frank Zappa olhou-os com olhos de ver e assumiu-se como padrinho da banda revelação que, no mesmo ano, editou o álbum de estreia, Pretties For You. O êxito não foi mais do que o esperado, ou seja, muito pouco. A banda ainda chocava e o público que tinha era muito fiel. Passaram a ser das referências musicais que ou se ama ou se odeia. Mas, quando se ama, é uma admiração frenética, levada ao extremo, que vibra impreterivelmente e sempre com a voz esganiçada de Vincent e a performance considerada esquisita.
Apesar do estilo bizarro não ser, à partida, comercial, foi com ele que a banda chegou à fama, com o segundo lançamento, Easy Action, em 1970. A marca registada estava mais do que assumida e começou a ser o mote de legiões de fãs que idolatravam a banda em uníssono.
Nos anos seguintes, o grupo editou grandes êxitos, hoje transformados em clássicos, que bateram todos os recordes de vendas na época. Love It To Death (1971) vendeu milhares de cópias e Schools Out (1972) e Billion Dollar Babies (1973) ultrapassaram a marca do milhão, saltando para o topo das tabelas mundiais. Em conjunto, a banda assina apenas mais um título, Muscle Of Love, em 1994.
Vincent acreditou apenas em si e decidiu trilhar o caminho da fama sozinho, despedindo os quatro restantes elementos da banda. Morre o grupo, mas o nome, sobrevive: Vincent assume o título sozinho e assiste impávido à formação de um grupo alternativo, composto pelos restantes elementos da banda, intitulado Billion Dollar Babies.A fama, contudo, não chegou para ambos e acabaram por ser os Billion os sacrificados: o novo grupo caiu por terra, com o peso do fracasso.
Em 1975, Alice Cooper edita o seu primeiro trabalho a solo e chama a si toda a responsabilidade pela anterior popularidade. Os fãs reconheceram em Welcome To My Nightmare o estilo inconfundível do músico e aceitaram continuar a seguir-lhe os passos com o mesmo vigor.
Sempre associado às trevas e ao inferno, Alice levou demasiado à letra os temas que encarnava e acabou por transformar o ambiente criado em palco no seu habitual meio envolvente. Mergulhou no álcool e nas drogas e deixou-se esquecer durante toda a década de 80.
O renascimento da alma rock acontece em 1989, quando Alice permitiu que o antigo espírito se apoderasse dele e deitou para as ruas Trash, a marca do regresso do ex-combatente, que se faz rodear de amigos especiais como os Aerosmith, Jon Bon Jovi e Richie Sambora. Trash foi o clímax musical da carreira de Alice Cooper.
O músico nunca mais deixou os palcos e os estúdios, contudo não voltou a repetir a dose de sucesso alcançada com este álbum. Poison foi o single deste alinhamento que mais êxito teve, e tornou-se um hino para os fiéis seguidores de Alice Cooper que assistem, até hoje, às suas manifestações de irreverência e rebeldia apesar destas já não assumirem as proporções de outras épocas.
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