Esta entrada é dedicada há maior banda néo-romantica que em Portugal nunca existiu, (proesa não muito difícil pois só ouve uma meia duzia delas), claro está, falo dos COVARDES DO AR.
Após o fim das bandas Trampa e Cadáver Automático , D. Pedro Guimarães (the artist formely known as Dentes Tu Barrão) decidiu juntar forças com ZéTó Abelha, Rui Prego na Unha, Carmo e a Trindade e Parvo Peter Gonçalo, para formar um novo projecto chamado, COVARDES DO AR.
Logo desde o início a música era algo secundário, pois bastava dar o banho a uns B sides obscuros dos Duran Duran ou dos Spandau Ballet, canta-los em Português e truca vai buscar. O que eles queriam mesmo era ser estilistas.
Moda era tudo para eles, de tal modo mercenários a esse respeito, que chegaram a ser acusados de serem néo-fashionistas, e dá bem para perceber porquê, para quem passou três ou quatro anos na guerra colonial sempre vestido de verde camuflado, ou para quem teve as roupas rasgadas pela PIDE, verem cinco pindéricos sempre bem vestidos era como esfregar sal na ferida.
Mas a verdade se diga, néo-fashionistas não eram, mas sim meninos queques, mimados desde o dia em que o espermatozóide marcou o golo, que foram habituados a vestir o que estava na moda ou jogavam os brinquedos fora do berço.
O look inicial era o Gago Coutinho/Sacadura Cabral chic, que depois mudou para Nouvelle Vague peixeiro da Nazaré, passando por decadente limpa retretes da discoteca Trumps, e moço de recados da Ana Salazar.
Em 81 lançam o primeiro single 'Maldade/Parva dança dos otários' seguido pelo album 'Covardes do ar'.
Enquanto nas bandas futuristas da Inglaterra a música era uma bosta, o que aguentava aquilo era o facto de pelo menos terem vocalistas competentes.
No caso dos COVARDES DO AR, a situação era ao inverso. Os instrumentalistas até eram bons, quer dizer pelo menos o teclista e o baterista eram bons, o guitarrista e o baixista usavam as guitarras apenas como suspensórios. O problema era o vocalista, quem disse ao Rui Prego que ele conseguia cantar, roubou-lhe a cavilha, uma completa atrocidade vocal.
Fartos de serem considerados banda de elite, decidiram fazer um funkalhão bem proletário, e o Zé Povinho não teve outra escolha a não ser se render.
No Verão de 82 'Tractor' foi o hino da reforma agrária, sopeiras, magalas, piões d'obra, cantilheiros, coleccionadores de cromos repetidos, emigrantes desempregados e chantronas da Avenida Defensor de Chaves, toda a gente dançou loucamente ao som do exito 'Tractor'.
O segundo album 'Madrinha', apesar da lindíssima capa, deixou muito a desejar, muito a ver com o pobre trabalho vocal do Sr. Unha, as faixas com mais destaque foram, 'Garina' e 'Volta (a peida) p'ra mim'.
O disco seguinte 'Caixão', que apesar do titulo mórbido, foi o hit que 'Madrinha' não teve, e a revista Brítânica 'The Face', considerou o COVARDES DO AR a melhor banda de rock na Avenida da Liberdade.
Em 84 sai o mini album 'O rato' que continha as faixas 'supervaidoso' e 'só gosto de mim' e fiseram uma tournée mundial, que os levou há Mongólia pela primeira vez.
Em 85 sai mais um maxi para as pistas de dança 'Arrelia', e ficam sem editar mais nada até ao final de 86 quando finalmente lançam o album 'Cacau', e a demora foi devido ao facto de não saberem o que vestir.
Pedro Guimarães começa a dedicar mais tempo ao seu novo projecto VALHAMEDEUS, e os COVARDES DO AR ficam parados por um tempo que aproveitam para lançar uma compilação para manter o nome do grupo vivo.
ZéTó Abelha finalmente fartou-se e abandona a banda em 88 e já não chega a participar no novo disco da banda, preferindo seguir a sua paixão primária, moda, e decide ir trabalhar como costureiro para uma boutique especialisada em cintos de castidade e sutiãs de arame farpado.
O baterista é substituido por um adufe programado, e o novo album 'Covardes do ar II' acabou por ser o último da banda tal a porcaria era.
Com o grupo dado por terminado, D. Pedro Guimarães dedica-se full-time há nova banda VALHAMEDEUS.
Rui Pegro na Unha finalmente ganha juizo e acha maneira de continuar na música sem ter de usar a voz e torna-se DJ.
O Carmo e a Trindade Tornou-se realizador de filmes pornográficos em Braille e abriu uma escola de Windsurf no Vilarinho das Furnas.
E por fim, Parvo Peter Gonçalo mudou-se para a Tailândia aonde abriu uma loja de camisas de Vénus em segunda mão chamada 'Recycling R'US', depois voltou para Portugal aonde abriu uma filial no Intendente.
Mais umas não sei quantas compilações de cada cinco em cinco anos e eis que em 2007 alguém teve a coragem de fazer um documentário sobre a banda entitulado 'Parva dança', que só pelo vestuário merecia ganhar o prémio de melhor comédia feita em Portugal.
Não há planos para uma reunião da banda... VALHANOSDEUS.
FINI